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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Cultura

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cinema

Edição impressa de 22/01/2020. Alterada em 21/01 às 23h27min

Favorito ao Oscar de melhor filme, longa épico '1917' estreia nesta quinta-feira

Longa épico 1917, de Sam Mendes, recebeu 10 indicações ao Oscar 2020

Longa épico 1917, de Sam Mendes, recebeu 10 indicações ao Oscar 2020


ROGER DEAKINS/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
A guerra e suas histórias. Hollywood adora contar narrativas épicas dos conflitos mundiais e esta foi a vez do diretor Sam Mendes, de 007 - Operação Skyfall, que apresenta uma história mais limitada e de menor escopo, mas igualmente excelente com o filme 1917. Com estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23), a história segue dois jovens soldados britânicos, os cabos Will Schofield (George MacKay) e Tom Blake (Dean-Charles Chapman), em uma corrida contra o tempo, durante um dos momentos cruciais da Primeira Guerra Mundial. Eles devem sair da trincheira e atravessar a "terra de ninguém" até a linha alemã e entregar uma mensagem para um pelotão aliado cancelar um ataque - caso contrário, 1,6 mil soldados morrem, incluindo o irmão mais velho de Blake.
A guerra e suas histórias. Hollywood adora contar narrativas épicas dos conflitos mundiais e esta foi a vez do diretor Sam Mendes, de 007 - Operação Skyfall, que apresenta uma história mais limitada e de menor escopo, mas igualmente excelente com o filme 1917. Com estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23), a história segue dois jovens soldados britânicos, os cabos Will Schofield (George MacKay) e Tom Blake (Dean-Charles Chapman), em uma corrida contra o tempo, durante um dos momentos cruciais da Primeira Guerra Mundial. Eles devem sair da trincheira e atravessar a "terra de ninguém" até a linha alemã e entregar uma mensagem para um pelotão aliado cancelar um ataque - caso contrário, 1,6 mil soldados morrem, incluindo o irmão mais velho de Blake.
A forma como a trama é contada é a partir do uso de um plano-sequência, dando a impressão que foi tudo filmado sem cortes. Falando dos protagonistas, as atuações de George MacKay e Dean-Charles Chapman são ótimas, sabendo usar do roteiro de Mendes e Krysty Wilson-Cairns para potencializar seus personagens e estabelecer de forma concisa e ágil a relação de ambos.
Schofield é inseguro, encontrando em seu amigo Blake o senso de companheirismo e determinação que é preciso para concluir a missão. O principal destaque fica para MacKay, que, em um ano tão disputado, com Adam Driver, Antonio Banderas, Joaquin Phoenix, Jonathan Pryce e Leonardo DiCaprio, era difícil receber reconhecimento, mas, em edições mais fracas do Oscar, poderia haver um espaço para nomeação. O elenco de apoio conta com quatro nomes conhecidos, tendo participações pontuais e boas.
O longa recentemente foi indicado em 10 categorias no Oscar 2020, incluindo roteiro, direção e filme. Olhando para as categorias técnicas (relativas a som e efeitos visuais), 1917 é primoroso, fazendo jus a todas indicações que conseguiu. A captação sonora faz com que o espectador seja imerso na guerra, se sentindo exposto como os personagens.
Um dos aspectos técnicos que também merece destaque é a direção de arte. A inserção para o período da Primeira Guerra é muito bem executada: a cor predominante é a de terra, com aspecto sujo, não apresenta nenhuma esperança e tem a morte, em suas diferentes formas, espalhada por todo cenário. Uma das únicas limitações - em especial, deste primeiro trecho - é a pouca variedade de locais, o que é compreensível pela proposta do filme em acompanhar a missão em tempo real. Isso muda a partir da segunda parte do filme, que vai até para o ambiente noturno.
E é aqui que a fotografia de Roger Deakins, que deve levar a sua segunda estatueta dourada, mais fica em evidência, com enquadramentos em locais destruídos e iluminação com o uso da luz natural do fogo. Realizar o trabalho como este, considerando a proposta do filme, melhora a fotografia e a ambientação. Esse trecho à noite, inclusive, é dos mais interessantes, sendo o momento de mais ação do longa. Um dos poucos trechos que fica confuso é a passagem de tempo para noite, quando há a quebra do plano-sequência. A trilha de Thomas Newman é ótima, criando antecipação e tensão. E existe um trecho em específico, ao final da produção, em que a música oferece um ar épico e emocional, também auxiliado pela direção e fotografia.
O grande comandante disso acaba sendo Sam Mendes, vencedor do Oscar em sua estreia no cinema com Beleza Americana (1999). Qualquer filme em plano-sequência merece um destaque, ainda mais quando bem executado. É o caso de 1917. O diretor também utiliza, por vezes, movimentos de câmera que afastam do plano principal, sendo pontuais e bem selecionados e realizados.
Existem três trechos em específico que aliam os aspectos mais fortes do filme, que são a direção, a fotografia e a trilha sonora, divididos em início, meio e final: o primeiro deles é durante a passagem de Schofield e Blake pela "terra de ninguém", o segundo durante o período noturno e o terceiro na trincheira, próximo ao ataque. Considerando esses aspectos, 1917 é um dos ótimos filmes da leva atual, sendo forte concorrente para conquistar o Oscar, ainda mais depois de ter sido o grande vencedor do prêmio do Sindicato dos Produtores de Hollywood no sábado passado (18). Eleito na categoria Melhor Produção de Filme, o longa desponta como favorito.
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