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Porto Alegre, quarta-feira, 04 de dezembro de 2019.
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Cinema

Edição impressa de 04/12/2019. Alterada em 04/12 às 03h00min

Suspense brasileiro 'O juízo' entra em cartaz nesta quinta-feira

Filme explora as relações de um núcleo familiar com um casarão do período escravocrata no Brasil

Filme explora as relações de um núcleo familiar com um casarão do período escravocrata no Brasil


DAN BEHR/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Uma obra de suspense nacional, O juízo estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas. Roteirizado por Fernanda Torres, o filme, com direção de Andrucha Waddington, oferece um olhar naturalista de um caso familiar que passa por diversas gerações.
Uma obra de suspense nacional, O juízo estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas. Roteirizado por Fernanda Torres, o filme, com direção de Andrucha Waddington, oferece um olhar naturalista de um caso familiar que passa por diversas gerações.
Na trama, Augusto, Tereza e Marinho se mudam para uma fazenda abandonada, herdada por Augusto de seu avô. O pai da família é vivido por Felipe Camargo, enquanto Carol Castro interpreta a mãe e Joaquim Torres Waddington, o filho. Não demora muito para que os problemas comecem, em uma história de traição e vingança de um escravo (Criolo) e sua filha (Kênia Bárbara).
O longa foi filmado 100% em locações, a maior parte em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, em casarão da época escravocrata. O local fica oito quilômetros afastado do centro e se torna um personagem da produção, conforme explica o diretor. "Tanto o interior da fazenda quanto a floresta ao redor dela têm uma personalidade que auxiliam a contar a história", afirma Andrucha. Esse estilo de filmagem também possibilitou que todos estivessem focados no trabalho: "O sinal de celular não pegava, então não havia distrações".
A localização também ajudou a passar o sentimento que o diretor queria. O clima nublado e chuvoso que ele buscava era natural da região, com a maior parte das filmagens oorrendo sob chuva. "Ficamos dois meses lá, sendo uma semana de ensaio e as outras sete de filmando as cenas", relata.
O trabalho foi precedido por um período de preparação que teve início em 2012, com Fernanda Torres escrevendo o roteiro. As filmagens ocorreram somente no final de 2017. "Chegar agora (aos cinemas) foi a questão de financiamento, faltava dinheiro para finalizar. Certos projetos começam já com o orçamento, outros conseguem a totalidade da quantia necessária durante", explica Andrucha.
Outro elemento de importância para a ambientação é a fotografia da obra. A primeira impressão passada pelos planos da floresta é de algo que por vezes lembra um documentário. "A semelhança é o fato de que nós buscamos usar de uma fotografia naturalista, da qual diversos documentários também fazem uso. Essa abordagem é uma forma de transmitir ao público uma sensação de realidade", argumenta o diretor. Em cenas noturnas dentro do casarão, a luz de velas é a única fonte de iluminação usada para o trabalho. Elas foram desenvolvidas especificamente para o filme, tendo pavio duplo e cera em combustão.
Com um trio de protagonistas que reside em um local distante e envolto pela natureza, O juízo aparenta ter uma forte inspiração em A bruxa, elogiada produção de terror recente. Contudo, Andrucha pontua que, ainda que o longa do norte-americano Robert Eggers seja uma influência, ele não é a principal base. "Eu retiro (inspiração) de vários locais. A bruxa é ótimo e tem suas semelhanças com o filme, mas (O juízo) não é inspirado diretamente", conta.
Outro ponto em comum dos dois longas está no uso do suspense. Obras brasileiras de gênero, observa o diretor, têm recebido mais espaço, ainda que este não seja o mesmo dado a produções norte-americanas, por exemplo. "Filmes de terror, suspense e outros gêneros dos Estados Unidos funcionam aqui no Brasil. Isso possibilita que possamos trabalhar com esses estilos, criar uma cultura de consumo nacional deste tipo. A tendência de alterar já está ocorrendo", acredita o cineasta.
Talvez o único ponto que poderia ser melhorado no longa são as atuações: ainda que boas, em certos momentos mínimos, há um pequeno sentimento de artificialidade. Isso, porém, não se aplica a Fernanda Montenegro e Lima Duarte. Vindos do rádio, passando pelo teatro e televisão, o diretor descreve os veteranos como atores completos, classificando como uma "experiência de vida" trabalhar com eles: "O que eu quero é que as pessoas vão ao cinema assistir ao filme e esses ícones da dramaturgia nacional".
O juízo é sombrio e com uma narrativa interessante, que entrega viradas até o final. Além disso, contam a seu favor os aspectos técnicos, que passam por fotografia, iluminação e som excelentes, e uma direção que posiciona o público ao lado dos protagonistas.
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