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Porto Alegre, terça-feira, 03 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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Música

Edição impressa de 03/12/2019. Alterada em 03/12 às 03h00min

Nei Lisboa faz show em comemoração aos 40 anos de carreira

Compositor apresentará novas músicas em apresentação no Centro Histórico-Cultural Santa Casa

Compositor apresentará novas músicas em apresentação no Centro Histórico-Cultural Santa Casa


MARCO QUINTANA/JC
Igor Natusch
Quando perguntado sobre como ligaria as duas pontas de seus 40 anos de carreira, o cantor e compositor Nei Lisboa acaba optando pelo bom humor. "Uma diferença fundamental é que eu tinha 20 anos de idade, hoje tenho 60", ri ele. Uma brincadeira, é verdade, mas que traz mais verdades do que parece à primeira vista - e que, de certa forma, resume o espírito dos shows que o artista vem fazendo para celebrar essas quatro décadas.
Quando perguntado sobre como ligaria as duas pontas de seus 40 anos de carreira, o cantor e compositor Nei Lisboa acaba optando pelo bom humor. "Uma diferença fundamental é que eu tinha 20 anos de idade, hoje tenho 60", ri ele. Uma brincadeira, é verdade, mas que traz mais verdades do que parece à primeira vista - e que, de certa forma, resume o espírito dos shows que o artista vem fazendo para celebrar essas quatro décadas.
O Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75) recebe uma dessas apresentações no próximo sábado (7), a partir das 20h. Será uma versão mais enxuta, em formato trio, com a presença do tecladista Luiz Mauro Filho e do guitarrista Paulinho Supekóvia. Os ingressos, a R$ 60,00, estão à venda no site Sympla.
Além de bem mais jovem, Nei Lisboa começou a apresentar-se ao vivo em um Brasil diferente, em uma Porto Alegre diferente. O ano de 1979 foi chave para o processo de transição da ditadura para a democracia, em especial com a votação da Lei da Anistia. Também é o ano em que foi localizado o corpo de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, o Ico, irmão de Nei que desapareceu nas mãos dos militares em 1972. Depois de um longo período coberto de sombras, o País e a Capital pareciam dispostos a viver dias melhores, mais livres - e foi em meio a esse clima que Nei, então cursando Composição e Regência na Ufrgs, planejou os primeiros espetáculos, Lado a lado e Deu pra ti anos 70, ambos ao lado do guitarrista Augusto Licks.
Localizados a uma caminhada de distância um do outro, o Campus Centro da Ufrgs e os arredores do Bom Fim tornaram-se os extremos de um pequeno (em extensão) e grande polo de efervescência cultural de Porto Alegre. Um processo que culminou em Para viajar no cosmos não precisa gasolina, LP de estreia de Nei, lançado em 1983.
Nesse cenário, o próprio artista admite que a música surgiu para dar suporte à palavra, e não o oposto. Não é à toa que As palavras é o nome da apresentação de sábado, em uma versão reduzida (também no nome) de A utilidade das palavras, executada com a banda completa. "No fundo, a música popular, para mim, sempre foi veículo para um discurso. Claro que eu gostava de cantar também, e não é que a música fosse uma coisa menor para mim, mas o fato de ela poder carregar uma letra, e a força que eu via a palavra ter para carregar ideias, sempre me fez reluzir os olhos."
E a palavra segue sendo o fio que une essas duas épocas - mesmo que o presente encontre Porto Alegre e o Brasil em um estado de espírito muito diferente do que tinham quando tudo começou. Um pouco mais velhos, talvez se possa dizer. "É estranho que o mundo agora seja plano e, ainda assim, eles consigam dar um jeito de girar para trás", ironiza. "Porto Alegre está no mundo, e o mundo está num momento tão duro, num processo retrógrado, de retrocessos tremendos. Posso estar tendo um olhar um pouco romântico, mas, mesmo dentro de uma ditadura, éramos (no começo dos anos 1980) uma juventude brigando por um futuro bem mais amplo do que parece que estamos alcançando. É um pouco difícil lidar com isso. Nos últimos anos, todo dia estamos tendo algo a lamentar."
Como sabemos, a lamentação - e a luta - de um compositor se manifesta, acima de tudo, em novas letras e músicas. Não é por acaso que o formato dos shows mais recentes começa e termina com canções ainda inéditas em disco, recheando as duas pontas com algumas faixas clássicas do repertório de Nei Lisboa. "Uma (das novas músicas) é dedicada ao nosso querido presidente da República, chamada Capitão do mato. Ela tenta alcançar o mesmo nível de elegância dele e, é claro, não consegue", dispara o cantor, com uma risada. Bom lugar, Nós é que vivemos ("uma canção de amor e de resistência") e Foi vc quem convidou são outras das novas faixas - que, além de celebrarem o presente com a mesma intensidade do passado, apontam para um novo disco de inéditas, que talvez se materialize no ano que está por vir.
"Estou tentando fechar uma ideia de álbum e, ao mesmo tempo, buscando como viabilizar isso para gravar", revela. "A ideia de um álbum virou quase um investimento a fundo perdido. Mas (o disco) vai sair, esse é o objetivo."
Tesão para seguir juntando palavras e acordes segue existindo, garante ele. O que falta é um equilíbrio entre tempo e tranquilidade para compor - o que se agrava na medida em que o próprio Nei admite ser "um pouco lento" nesse processo. "Tempo, para mim, não é três ou quatro horas: é não ter nada pela frente, agenda totalmente vazia. Mas, mesmo em um ano de bastante dificuldade como esse, deu para produzir algum material. Me deem dois meses na praia e eu saio com 15 músicas", brinca.
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