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teatro

- Publicada em 03h33min, 05/12/2019. Atualizada em 08h22min, 05/12/2019.

Danielle Winits e Christine Fernandes estrelam o espetáculo 'Parabéns Senhor Presidente'

Atrizes vivem Marylin Monroe e Maria Callas na peça, que tem duas sessões no Theatro São Pedro

Atrizes vivem Marylin Monroe e Maria Callas na peça, que tem duas sessões no Theatro São Pedro


/PINO GOMES/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
O espetáculo Parabéns Senhor Presidente, com texto de Fernando Duarte e Rita Elmôr e direção de Fernando Philbert, faz curta temporada no Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº) neste fim de semana. As sessões ocorrem no sábado, às 21h, e no domingo, às 18h. Os ingressos para as apresentações estão à venda no site www.teatrosaopedro.com.br e na bilheteria do local, com preços entre R$ 30,00 e R$ 70,00.
O espetáculo Parabéns Senhor Presidente, com texto de Fernando Duarte e Rita Elmôr e direção de Fernando Philbert, faz curta temporada no Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº) neste fim de semana. As sessões ocorrem no sábado, às 21h, e no domingo, às 18h. Os ingressos para as apresentações estão à venda no site www.teatrosaopedro.com.br e na bilheteria do local, com preços entre R$ 30,00 e R$ 70,00.
Protagonizada por Danielle Winits e Christine Fernandes, a peça transporta a plateia para o ano de 1962, em 19 de maio, quando John Kennedy completou 45 anos. A cena clássica de Marilyn Monroe cantando Happy Birthday, Mr. President entrou para a história. A versão sexy da loira para o Parabéns pra você chocou a sociedade da época.
Antes de ela subir ao palco, com seu vestido-sereia, e fazer a performance mítica da década, grandes artistas se apresentaram, entre eles, Maria Callas, a atração mais aplaudida da noite, interpretando Habanera, da ópera Carmen. A montagem teatral retrata as conversas das duas divas nos bastidores do Madison Square Garden.
Para Danielle, este é "um espetáculo que trata de um encontro muito poderoso entre duas grandes mulheres do nosso século. É poderoso porque é muito incrível falarmos de um espetáculo em que essas mulheres conversaram de suas questões dentro de um camarim".
A atriz destaca que as questões antigas, dos anos 1960, ainda são pertinentes no ano de 2019, acrescentando que não é um espetáculo apenas para mulheres, mas também para os homens. "Elas conseguem arrancar suas próprias máscaras de mito e revelar as mulheres que foram, que eram naquele momento, já com uma postura tão de vanguarda, tão avançada para a época, tão necessária ontem e hoje, principalmente."
Na opinião da intérprete, Parabéns Senhor Presidente é direcionado para quem gosta de teatro, de se questionar e de sair do teatro pensando, sorrindo e se emocionando: "Com certeza, é emocionante, engraçado, cheio de surpresas boas e de assuntos para depois do espetáculo".
Conforme o diretor, a peça traz mulheres que sustentam suas escolhas diante da sociedade, mesmo quando são criticadas por estas escolhas: "Mais do que um elogio, é a constatação da força de duas mulheres independentes profissionalmente e que colocaram também o amor como objetivo de felicidade, ainda que o preço tenha sido decepção e solidão".
Segundo Philbert, o mundo ainda é um lugar estranho para uma mulher inteligente e independente. "Parece não ter o lugar exato na sociedade para mulheres assim, por isto elas têm de construir tudo em sua volta para ter respeito, amor e felicidade, e não necessariamente nesta ordem", afirma.
Danielle Winits já havia encarnado a figura sexy de Hollywood no espetáculo Depois do amor (também escrito por Duarte e última direção de Marília Pêra), com o qual percorreu o Brasil todo por três anos. "Na verdade, eu acabei me aprofundando mais na mulher, na Norma Jean, porque a Marilyn era de fato uma personagem criada por ela mesma e também pelo mundo afora - a criação desse ícone, a loura, aquele ícone feminino quase que intocável. A Marilyn acabou acreditando nesse ícone, em prol do seu trabalho, mas a Norma Jean era uma mulher como outra qualquer, sonhadora, batalhadora, guerreira, dona de si, dona de suas vontades e dos seus sonhos", relata.
A atriz avalia que, como símbolo sexual, Marilyn se deixou levar e não conseguiu quebrar o padrão, já que ela buscava uma família e não conseguiu ter filhos. "Acho que atualmente as mulheres estão com muito mais força e mais intenção de quebrar os padrões, interromper o ciclo vicioso que foi imposto em cima dela. A mulher pode ser mulher sem ser julgada preconceituosamente por ser loira, bonita ou enfim. Nesse aspecto, acabo me identificando com Marilyn também, assim como outras mulheres. Sou uma batalhadora das minhas vontades, dos meus voos", completa Danielle.
O diretor Philbert afirma que foi um prazer, uma felicidade e um aprendizado trabalhar com as lindas e talentosas Danielle Winits e Christine Fernandes - que faz Maria Callas: "A beleza, por si, é frágil, se não vem fortalecida pelo caráter e uma inteligência que lhe dê a consciência do mundo em volta. Nestas duas atrizes, a beleza vem muito fortalecida e, neste ponto, elas se tocam com as personagens e este encontro foi o foco da direção". Ele conclui que a beleza e força das intérpretes se unem à beleza e força das personagens.
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