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Jornal do Comércio

Cultura

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Música

Edição impressa de 27/11/2019. Alterada em 27/11 às 08h34min

Luciane Bottona homenageia George Gershwin

Cantora lírica demonstra um outro aspecto de sua personalidade musical em show no Theatro São Pedro

Cantora lírica demonstra um outro aspecto de sua personalidade musical em show no Theatro São Pedro


FABRICIO SIMÕES/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
"O dia em que fomos ouvir o resultado da gravação foi muito legal. Estávamos escutando, e de repente todos olharam para mim: 'Tu conseguiu, tu não és mais uma cantora clássica!'." É brincadeira, evidentemente, e Luciane Bottona conclui a história com uma risada. Mas o causo ajuda a ilustrar boa parte do espírito do álbum Luciane meets Gershwin, no qual a cantora lírica gaúcha demonstra um outro aspecto de sua personalidade musical: o jazz e a bossa nova, a partir de interpretações do compositor norte-americano George Gershwin. O show de lançamento do CD (pela Ideomática) ocorre nesta quarta-feira (27), às 21h, no Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/nº). Ingressos, entre R$ 40,00 e R$ 70,00, estão à venda no site e na bilheteria do local.
"O dia em que fomos ouvir o resultado da gravação foi muito legal. Estávamos escutando, e de repente todos olharam para mim: 'Tu conseguiu, tu não és mais uma cantora clássica!'." É brincadeira, evidentemente, e Luciane Bottona conclui a história com uma risada. Mas o causo ajuda a ilustrar boa parte do espírito do álbum Luciane meets Gershwin, no qual a cantora lírica gaúcha demonstra um outro aspecto de sua personalidade musical: o jazz e a bossa nova, a partir de interpretações do compositor norte-americano George Gershwin. O show de lançamento do CD (pela Ideomática) ocorre nesta quarta-feira (27), às 21h, no Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/nº). Ingressos, entre R$ 40,00 e R$ 70,00, estão à venda no site e na bilheteria do local.
O fascínio de Luciane com a obra de Gershwin é antigo. Tudo teve início por volta de 1993, quando ela fazia aulas de canto lírico em Montevidéu, no Uruguai. Um dos professores colocou os alunos em um recital com músicas da Broadway e de Hollywood - e Luciane, encarregada de interpretar duas canções de Gershwin, imediatamente encantou-se com o material. Um período de estudos na Rússia, de onde a família do compositor se origina, reforçou ainda mais essa proximidade. "Desde então, sempre que podia, eu colocava Gershwin em um programa meu, mesmo sendo erudito, com árias de ópera ou música de câmara", afirma a cantora.
A segunda peça fundamental dessa história surgiu anos depois, quando Luciane Bottona trabalhou no conservatório de música do IPA. Lá, ela conheceu e tornou-se amiga do pianista Paulo Dorfman, braço direito nas futuras gravações. "Quando faltava algum aluno, ou havia algum intervalo entre aulas, aproveitávamos para brincar um pouco. O Paulo ia para o piano, eu cantava ao lado dele", recorda. "E o Paulo sempre falava que a minha voz caía superbem para Gershwin e para a bossa nova, e ficávamos falando sobre, um dia, fazer um recital."
Faltava a oportunidade para concretização. E ela veio recentemente, com o convite da Ideomática para a gravação de um álbum. "(A verdade é que) gravar um CD com músicas de ópera não me calava. O lírico exige uma perfeição e um virtuosismo que podem ser estressantes, e eu queria gravar algo para me divertir, no melhor sentido da palavra, algo que fosse como um recreio para mim", explica Luciane. Quando a proposta chegou, a cantora não teve dúvida: era a hora de dar contornos definitivos a mais de duas décadas de fascínio.
A ideia de imprimir às composições um toque de brasilidade, com arranjos mais próximos da bossa nova, acabou sendo decisiva para dar ao Luciane meets Gershwin um ar relaxado e cheio de fluidez. Um resultado que deve muito também à atenção que Luciane deu à própria interpretação. "Queria uma emissão de voz mais próxima do popular, não queria que fosse um CD com uma versão lírica das músicas do Gershwin", acentua. Isso resultou na busca de uma emissão mais suave, macia e sussurrada, o que levou a artista a aliviar na questão do timbre, que costuma ter uma presença mais potente e brilhante no canto lírico.
De todo o repertório de clássicos do álbum, Luciane admite que Do it again trouxe uma satisfação especial. "Não é uma música muito batida, não recebeu tantas versões. A única das grandes cantoras a gravá-la foi a Sarah Vaughan. Isso me ajudou a dar uma interpretação mais minha, mesmo (à canção), e acabei gostando muito do resultado", anima-se.
O período de "recreio" demonstra a versatilidade de Luciane Bottona - o que não significa, é claro, que o vasto currículo erudito vá ficar para trás. Em dezembro, ela já se une à Orquestra Sinfônica de Gramado para executar a Sinfonia nº 9 de Beethoven, com regência de Manfredo Schmidt. Mas, no espetáculo de hoje, no Theatro São Pedro, a cantora (acompanhada de Dorfman, do contrabaixista Edu Saffi e do baterista Bruno Braga) vai aproveitar a liberdade inerente ao jazz para uma performance mais descontraída. "O nome do CD fala sobre um encontro com Gershwin, e eu quero propor isso mesmo. Quero conversar com o público, romper a cortina que afasta o artista do público, criar quase uma sensação de roda de violão", anima-se.
E agora, que o primeiro disco chegou, a perspectiva de novas idas ao estúdio está mais forte do que nunca. "Se você me perguntar 'um CD erudito, viria?', eu digo que viria, sim. Teria o maior prazer de gravar, talvez com um repertório voltado para a música barroca. Mas o meu segundo sonho de CD é explorar a bossa nova, quem sabe?"
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