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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de novembro de 2019.
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Música

Edição impressa de 20/11/2019. Alterada em 20/11 às 09h16min

Selvagens à Procura de Lei lança novo disco com show no Agulha

Banda indie cearense se apresenta nesta quinta-feira em Porto Alegre

Banda indie cearense se apresenta nesta quinta-feira em Porto Alegre


IGOR DE MELO/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Um trabalho sobre mudanças, por dentro e para fora. Talvez fosse possível resumir assim, em poucas palavras, o espírito de Paraíso portátil, quarto álbum de estúdio da banda indie cearense Selvagens à Procura de Lei. Completando uma década de atividades, o quarteto segue uma trajetória ascendente, consolidando, no disco recém-lançado, uma disposição permanente para o experimento e a redescoberta.
Um trabalho sobre mudanças, por dentro e para fora. Talvez fosse possível resumir assim, em poucas palavras, o espírito de Paraíso portátil, quarto álbum de estúdio da banda indie cearense Selvagens à Procura de Lei. Completando uma década de atividades, o quarteto segue uma trajetória ascendente, consolidando, no disco recém-lançado, uma disposição permanente para o experimento e a redescoberta.
Os gaúchos estão entre os primeiros, no Brasil, a terem uma oportunidade de conferir ao vivo o novo momento musical do grupo. Nesta quinta-feira (21), às 22h, o show é no Agulha (Conselheiro Camargo, 300), na Capital. Os ingressos - a partir de R$ 30,00 - estão à venda no site Sympla. Os Selvagens ainda vão passar por Santa Maria, nesta sexta-feira, e por Santiago, no sábado.
Paraíso portátil é o segundo trabalho consecutivo a fazer uso de ferramentas de crowdfunding para sua viabilização. Porém, ao contrário do disco anterior, Praieiro (2016), o novo trabalho não usou os recursos para bancar a gravação em si: todo o dinheiro arrecadado foi, ao invés disso, para a divulgação e a produção de videoclipes para algumas canções. Sinal de uma banda consolidada, com mais espaço criativo e um controle maior sobre as expectativas que cria e as que busca (ou deseja) atender.
"Em todos os nossos álbuns, a gente está sempre falando do que está vivendo. E a gente passou por muitas mudanças (nos últimos tempos)", explica Gabriel Aragão (vocal, guitarra e piano). Entre outras coisas, o álbum marca a adoção de uma abordagem mais introspectiva de composição, com os integrantes escrevendo músicas individualmente, cada um em sua própria casa. Há espaço, também, para uma certa espiritualidade - o próprio Gabriel, em especial, mergulhou em leituras sobre meditação e filosofias orientais no período em que escrevia novos sons. 
O resultado foi um trabalho bem mais reflexivo e noturno, somando concisas sonoridades pop às raízes indie rock do quarteto. Liricamente, o trabalho também traz uma mudança importante: deixando um pouco de lado as mensagens políticas associadas à banda, realçadas em canções emblemáticas do passado como Brasileiro, as 11 novas faixas são voltadas para dentro, buscando equilíbrio e respostas em meio a um mundo em barulhenta ebulição.
"Acho que havia uma expectativa, em especial dos fãs mais antigos, de que a banda, neste momento do Brasil, fosse falar bastante disso", admite Gabriel. "Mas sinto que não estamos dispostos a nos apegar a nenhuma expectativa, e que bom que a gente ainda escreve discos desse jeito. Em vez de buscar falar do caos que está se passando no mundo e em nosso País, a gente está se voltando bem mais para dentro de si", reforça.
Algo que, garante o principal compositor da banda, surgiu de forma muito espontânea. "Foi natural ao ponto de, quando tivemos o primeiro encontro entre nós para mostrar as músicas uns aos outros, falar 'porra, mas não tem ninguém falando de política'", ri Gabriel. Talvez a única música política seja Eu não sou desse mundo: embora a composição trate de um caso de suicídio, a letra traz como pano de fundo uma série de referências aos acontecimentos em Brasília, cidade na qual a história se desenrola.
O que não quer dizer, é claro, que o Selvagens à Procura de Lei de 2019 não tenha nada a dizer sobre o mundo em que está inserido. Para Gabriel, Paraíso portátil reflete um mergulho na subjetividade que pode dizer coisas importantes, mesmo sem tratar explicitamente de rivalidades políticas. "Eu acho que a gente não pode entrar nessa piração da violência, da agressão, de que quem pensa diferente não pode existir. E acho que quem se sente assim, quem foi tomado por essa violência e esse sentimento de vingança, só vai melhorar quando olhar para dentro de si."
Apesar da pegada reflexiva das mais recentes composições, os gaúchos verão os Selvagens em um momento bastante positivo. Além da aclamada apresentação na edição deste ano do Rock in Rio, o grupo recebeu outra honraria: passou a ser a primeira banda do Nordeste a doar um item de seu acervo ao icônico Hard Rock Cafe.
Para a ocasião, a banda escolheu um item de palco que marcou seus primeiros anos na estrada: um escafandro, que aparecia em todos os shows e era presença certa nos materiais promocionais. "Sempre adorei tocar para os gaúchos, sempre foi um público muito atencioso, que presta a atenção, no que você está dizendo, no seu discurso, no seu jeito de tocar. Estou louco para tocar as músicas novas por aí", anima-se Gabriel.
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