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cinema

- Publicada em 03h25min, 03/10/2019. Atualizada em 08h25min, 03/10/2019.

Premiado em Veneza e marcado por polêmica, 'Coringa' estreia esta quinta nos cinemas

Joaquin Phoenix vive Arthur Fleck, que se torna uma vítima da sociedade

Joaquin Phoenix vive Arthur Fleck, que se torna uma vítima da sociedade


NIKO TAVERNISE/DIVULGAÇÃO/JC
Premiado em Veneza com o Leão de Ouro, Coringa - interpretado por Joaquin Phoenix - estreia nos cinemas nesta quinta-feira já com debate ao redor do que pode alimentar. Um dia após a sessão de gala do festival italiano - antes do Leão de Ouro -, o diretor Todd Phillips se disse aliviado, mas ainda ansioso. "Quando se faz uma produção chamada Coringa, há sempre uma enorme expectativa", afirmou. "Não queríamos enganar as pessoas e levar a pensar que era um longa de ação e que o Batman ia aparecer."
Premiado em Veneza com o Leão de Ouro, Coringa - interpretado por Joaquin Phoenix - estreia nos cinemas nesta quinta-feira já com debate ao redor do que pode alimentar. Um dia após a sessão de gala do festival italiano - antes do Leão de Ouro -, o diretor Todd Phillips se disse aliviado, mas ainda ansioso. "Quando se faz uma produção chamada Coringa, há sempre uma enorme expectativa", afirmou. "Não queríamos enganar as pessoas e levar a pensar que era um longa de ação e que o Batman ia aparecer."
Sobre as interpretações que o longa proporciona, Phillips se disse empolgado com tal cenário. "Um amigo, por exemplo, achou que o Coringa era o Trump", contou. "Quero deixar claro que não estou afirmando isso. Eu e o Joaquin temos certa dificuldade de falar do que o filme trata. Há muitos modos de ver Coringa. E, para mim, isso é legal, ainda que frustrante para algumas pessoas."
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Tal abertura para interpretações acabou gerando polêmicas para o filme antes mesmo de sua estreia, o que pode influenciar nas campanhas para indicações ao Oscar. Para alguns, Coringa "passa o pano para os incels" - homens, em geral brancos e de classe média, que exigem atenção do mundo e das mulheres, e, se não conseguem, promovem tiroteios em massa. "É uma terrível má interpretação do filme. Mas pode acontecer e não se pode controlar. Quero uma reação visceral do público", explica o ator que faz o protagonista.
Mas quem é este Coringa? Arthur Fleck é um comediante frustrado que mora com a mãe, que insistia que seu destino era ser feliz e fazer os outros rirem. Pobre, esquisito e dependente de remédios para saúde mental, Fleck é invisível para a sociedade. Quando alguém o observa, é, em geral, para humilhá-lo. Só que, um dia, ele se vê com o poder nas mãos. Para compor o personagem, Phoenix explica que não leva em conta a opinião de ninguém. "Nem a do diretor. Para mim, trata-se de exploração e experiências pessoais. Faço só para mim."
A presidente do júri no Festival de Veneza, Lucrecia Martel, elogiou os riscos que o filme (produção ancorada nos dramas de Martin Scorsese dos anos 1970 e 1980) correu e a reflexão que faz dos anti-heróis vítimas do sistema. Mas Coringa não seria o que é, um filme com capacidade de sacudir Hollywood na direção de mais ousadia, sem a interpretação de Phoenix.
Este Coringa não tem o jeito brincalhão de Romero, nem é transformado em vilão após cair em um tanque químico, como no caso de Jack Nicholson. Não tem um desejo de ver o circo pegar fogo, como o Coringa de Heath Ledger, nem sabe-se lá o que Jared Leto estava fazendo. Fleck, por vezes, inspira pena. "Gosto que o filme peça ao espectador que pelo menos tenha empatia por alguém que é o vilão e que faz coisas horrendas. Às vezes, rotulamos uma pessoa como má, como se fôssemos incapazes dos mesmos atos", disse Phoenix. Em entrevista, o ator comenta como a figura do vilão gera controvérsias e inspira desafios.
Você falou de divisão, e as sociedades mundiais parecem muito divididas. Acha que falta vontade de ouvir opiniões contrárias às nossas?
Joaquin Phoenix - Sim, claro. Não há muito debate saudável. Eu me lembro dos programas de notícia de antigamente. Hoje, eles são uma competição de quem grita mais alto. Há questões difíceis que precisamos discutir. Mas, se ficarmos gritando uns com os outros, não vai ter solução. Ficamos viciados nisso, dá mais audiência, mas está saindo caro.
Mas mesmo no caso de pessoas detestáveis ou que simplesmente fazem coisas horríveis?
Phoenix - É um desafio. O Coringa é uma pessoa complexa. Mas há momentos em que se pode simpatizar com ele, ou ao menos ter certa empatia. Mas não se engane: ele é um vilão. Eu o interpretei como um vilão. O Coringa é a própria definição do narcisismo, que é a expectativa de que seus sentimentos devem ser validados pelos outros e que todos prestem atenção porque ele é a pessoa mais importante do mundo. Agora, ele não é político. Só quer adoração. O narcisismo é muito perigoso.
Hoje você tem uma vida muito privilegiada. Consegue manter-se atento à dor dos outros?
Phoenix - Não quero parecer estar me vangloriando, mas sempre fui muito sensível. Quando leio um jornal, não estou só absorvendo informação, mas vivenciando a vida de alguém, e isso me afeta profundamente. Acho que é de mim, nasci assim.
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