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Porto Alegre, sábado, 25 de julho de 2020.
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Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sábado, 25 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 27/09/2019.
Alterada em 27/09 às 13h26min

O solo maldito do Edifício Joelma

Um dos principais desastres brasileiros foi o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, em 1974, onde morreram quase duzentas pessoas e trezentas se feriram. O local ficou marcado com o sangue, a dor e o desespero e, até hoje, é considerado um dos mais amaldiçoados da cidade. Até nossos dias, o fato faz ecoar boatos fantasmagóricos que envolvem a presença de espíritos nos corredores do prédio e lendas sobre lamúrias vindas dos túmulos onde corpos carbonizados foram enterrados sem identificação. O acontecimento ganhou as manchetes nacionais e internacionais da época e selou a área como maldita.
Um dos principais desastres brasileiros foi o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, em 1974, onde morreram quase duzentas pessoas e trezentas se feriram. O local ficou marcado com o sangue, a dor e o desespero e, até hoje, é considerado um dos mais amaldiçoados da cidade. Até nossos dias, o fato faz ecoar boatos fantasmagóricos que envolvem a presença de espíritos nos corredores do prédio e lendas sobre lamúrias vindas dos túmulos onde corpos carbonizados foram enterrados sem identificação. O acontecimento ganhou as manchetes nacionais e internacionais da época e selou a área como maldita.
Nem todos sabem que, muito antes das chamas da tragédia no Centro de São Paulo, o terreno já havia sido palco de um crime hediondo, no qual um homem matou a mãe e as irmãs e as enterrou no próprio jardim. Uns dizem que as desgraças centenárias do local assombrado foram causadas pelo fato de ele ter servido de pelourinho, onde escravos eram torturados e executados. Outros dizem que a maldição já fora identificada por antigos índios, que lhe deram o nome de Anhangabaú, ou águas do mal.
Marcos de Brito, Marcus Barcelos, Rodrigo de Oliveira e Victor Bonini, quatro grandes nomes do terror e do suspense nacional escreveram contos inspirados no tétrico local e lançaram a coletânea Vozes do Joelma - Os gritos que não foram ouvidos (Faro Editorial, 288 páginas, R$ 49,90), apresentada por Tiago Toy. Cada autor criou uma história assustadora com base nos horrores do prédio, que atravessam gerações.
Se as histórias do Joelma são verdadeiras, nunca saberemos, mas temos a certeza de que o local se tornou uma mina inesgotável de mistérios. Nas narrativas, os autores apresentam algumas das histórias, buscando, meio que enlouquecidamente, alguma explicação, se é que isso é possível.
"O mal, por incrível que pareça, não é endógeno ao homem, mas sim desencadeado por suas fraquezas: ambições, inveja, ganância, que são plantadas pelos semelhantes. São essas máculas que abrem os canais pelos quais sussurramos e as fendas pelas quais o mal penetra. São como fechaduras que esperam pela chave que girará as engrenagens do espírito. O rangido das dobradiças enfraquecidas simplesmente prenuncia a chegada do que já aguardava, há muito, nas sombras", escreveu Tiago Toy na introdução.

O luxo e o lixo

Há milênios o ser humano vive entre a vaidade e a humildade, a comida e a falta dela, a magreza e a gordura, a democracia e a ditadura, a riqueza e a pobreza e o luxo e o lixo. O carnavalesco e artista plástico Joãosinho Trinta disse que quem gosta de lixo é intelectual e que o povo gosta de luxo. Antigamente, no programa de TV do Flávio Cavalcanti, um dos jurados, o famoso estilista Dener, resumia suas opiniões com um "é um luxo" ou "é um lixo".
Vivemos num mundo que nunca foi tão desigual. Pouquíssimos por cento tem quase toda a grana do planeta. O mercado do luxo agradece. Tem quem pague R$ 3 milhões e meio por um relógio, quem tenha coleção de cinquenta Rolls-Royces, quem pague dezenas de milhões de dólares por uma casa ou apartamento ou compre iates e aviões por preços além da estrafosfera. Quem pode, pode, quem não pode, se sacode.
Lá no fundo todo mundo ou quase queria ser o dono da Pirâmide, do Castelo, da Ilha Paradisíaca e ter montes de empregados. Uns se contentam em morar nos paraísos como amigos do rei ou até como empregados, para estar perto do "glamour" e do brilho do dinheiro velho ou novo. Contam que alguns "personal friends" andam faturando uma mesada simpática dos amigos milionários. Acho que o dinheiro nunca mandou tanto no mundo. Pena que muitas pessoas sejam pobres porque, na real, só tem muito, muito dinheiro e mais nada. Rico pobre é triste.
Leonardo da Vinci, um dos maiores homens da História, disse que o máximo da sofisticação é a simplicidade. Os orientais, especialmente os japoneses, sabem muito bem que quase sempre o menos é mais. Pois é, mas na poderosa China o luxo está pegando firme.
Há poucos dias, a empresária e consultora Costanza Pascolato, papisa da moda brasileira, com sua elegância e sabedoria toscana, lançou o livro A elegância de agora, no qual recomenda falar baixo, ser educado, não invadir o espaço dos outros e procurar viver com estilo próprio, sem exageros e mais de acordo com nossos tempos tão casuais, às vezes casuais até demais.
Improvável um mundo sem ostentação, gastos e luxos desnecessários, desigualdades e outras mazelas. Em alguns lugares do mundo como o Canadá, a Nova Zelândia, o Japão, os países nórdicos e a Austrália, onde também tem uns luxos básicos, as coisas estão melhores. Ao fim e ao cabo os seres humanos ficam aí construindo catedrais, pirâmides, castelos, arranha-céus de trocentos andares e outras babilônias achando que não vão morrer, feito certos acadêmicos.
Não quero luxo, nem lixo, meu sonho é ser imortal, meu amor, quero saúde para gozar no final, cantou a pedra, há décadas, Rita Lee, luxo de nosso rock, quando se tornou mania nacional. Para o Woody Allen o luxo seria a imortalidade em vida. Luxo é nem pensar em imortalidade e nos outros pecados capitais. Luxo é não encucar. Luxo é varrer o lixo.

A propósito...

Pensando bem, acho que hoje em dia, o que é luxo mesmo é ter, ao menos, algumas horas de liberdade por dia (ou muitas) para fazer o que bem entender ou para ficar fazendo nada, ajudar os outros a vadiar e ficar ouvindo o silêncio. Liberdade é não ter emprego e nem patrão. É escolher a agenda ou a ausência dela. No final o maior luxo é ter saúde, namorar, se relacionar bem com a família e com os amigos, dormir bem, se exercitar, se alimentar corretamente, perder peso e cortar o cabelo periodicamente. Luxo é não se preocupar muito com o luxo, com grandes questões políticas, econômicas, existenciais e com alguns supérfluos necessários. Luxo é não ler e assistir tanto noticiário. Luxo é essa primavera germinante chegando.

Lançamentos

Ética aplicada: estudos (Educs, 264 páginas), do professor universitário, escritor, poeta e cronista Jayme Paviani, mostra reflexões éticas esclarecendo, em parte, a crime moral de nossos dias e de nossa sociedade. Avanços científicos e tecnológicos e horizontes ampliados de nosso tempo, revelam que a reflexão ética torna-se uma das bases do conhecimento social e político.
O ômnibus celeste e outros contos (Class, 116 páginas) apresenta, em maioria, os primeiros escritos do célebre escritor inglês E. M. Forster. O fio condutor destas histórias é a resistência à Inglaterra industrial e a tudo que resultou dela. Alguns personagens são heróis, anti-heróis e "o homem inglês com o coração subdesenvolvido".
Vida aberta - Tratado Poético-Filosófico (Editora Penalux, 106 páginas), do premiado poeta, romancista, ator e artista plástico W.J. Solha, apresentado pelo jornalista e poeta Linaldo Guedes, traz belo, longo e denso poema com muitas referências literárias, artísticas e cinematográficas. Por exemplo: Sempre buscamos... luz./Do Buda que só pensa em paz,/ao Cristo,/que só pensa em/cruz.
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