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- Publicada em 21h37min, 15/09/2019. Atualizada em 10h51min, 16/09/2019.

Revitalização da Casa da Estrela deve começar nos próximos meses

Associação dos Escultores do Estado assinou o termo de concessão com a prefeitura no começo deste mês

Associação dos Escultores do Estado assinou o termo de concessão com a prefeitura no começo deste mês


CLAITON DORNELLES/JC
Igor Natusch
A expectativa da comunidade histórica e cultural de Porto Alegre em torno da lendária Casa da Estrela, no bairro Petrópolis, pode chegar ao fim nos primeiros meses do ano que vem. A ideia da Associação dos Escultores do Estado do Rio Grande do Sul (Aeergs), que assinou o termo de concessão de uso com a prefeitura no começo deste mês, é de que as atividades para o público externo possam ser iniciadas até março de 2020, devolvendo à Capital o convívio com um imóvel tão emblemático quanto misterioso.
A expectativa da comunidade histórica e cultural de Porto Alegre em torno da lendária Casa da Estrela, no bairro Petrópolis, pode chegar ao fim nos primeiros meses do ano que vem. A ideia da Associação dos Escultores do Estado do Rio Grande do Sul (Aeergs), que assinou o termo de concessão de uso com a prefeitura no começo deste mês, é de que as atividades para o público externo possam ser iniciadas até março de 2020, devolvendo à Capital o convívio com um imóvel tão emblemático quanto misterioso.
Na cerimônia de assinatura do termo, o secretário municipal da Cultura, Luciano Alabarse, disse que "uma novela de 15 anos chegou ao final feliz". De fato, a indefinição vem pelo menos desde 2004, quando o imóvel foi incluído no inventário do município pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc). A aquisição do casarão pela prefeitura deu-se em 2009, em meio a uma disputa com a antiga proprietária, que queria derrubá-lo e vender o terreno a uma construtora.
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Como todas as atmosferas, a aura em torno da Casa da Estrela tem várias origens. Segundo pesquisa realizada pela empresa Lumia, que presta consultoria em pesquisa histórica para tombamentos e inventários, o pedido original para construção data de 1946.
Localizado na rua Camerino, o casarão foi erguido em estilo neocolonial californiano e traz elementos arquitetônicos pouco usuais, como a presença de pentagramas em alguns cômodos e uma ampla estrela de pedra na entrada, hoje descaracterizada. Além disso, seu proprietário original, o capitão baiano Mário Fernandes Pantoja, era visto pelos vizinhos como uma figura taciturna e misteriosa, associada com esoterismos e rituais.
Além do imóvel em si, também são consideradas de interesse para conservação as três escadarias do entorno e a grande paineira à frente da residência, que formam um conjunto bastante incomum na paisagem urbana da Capital.
De qualquer forma, a falta de uso cobrou seu preço sobre a construção. Basta passar pela rua para ver os danos nas vidraças e janelas, e parte do telhado apresenta problemas de sustentação. O imóvel também foi ocupado por moradores de rua em mais de uma oportunidade. Após tentativas infrutíferas, de acordo com a Câmara do Livro e a Associação Gaúcha de Proteção Ambiental, a prefeitura assinou com a Surya, no começo deste ano. A proposta era transformar a casa em centro cultural, mas a empresa logo desistiu de ocupar o espaço.
Agora, a ideia da Aeergs é oferecer cursos de escultura e oficinas de educação patrimonial, além de usar o casarão como sede administrativa. Algumas bolsas deverão ser disponibilizadas, facilitando o acesso a estudantes de baixa renda. De acordo com o presidente da entidade, Lucas Strey, os mesmos ateliês usados para ministrar os cursos terão também uma grade de uso coletivo, o que se integra ao plano de sustentabilidade econômica da casa.
A associação ocupa, atualmente, um dos imóveis do histórico Artesanato Guarisse, hoje Centro Cultural Zona Sul (CCZS). A concessão do governo do Estado para utilização do espaço vinha sendo renovada automaticamente há anos, mas, a partir do anúncio de um novo edital, em agosto, a permanência dos escultores tornou-se incerta. E a busca por alternativas levou a Aeergs a buscar contato com a Epahc, já com a Casa da Estrela no centro das negociações. "Como a documentação já estava sendo preparada para a concorrência pelo CCZS, boa parte das burocracias que poderiam emperrar o processo foram vencidas rapidamente", explica Strey.
No momento, as prioridades da Aeergs são relativamente simples: providenciar o cercamento do terreno, contratar uma empresa de segurança patrimonial e promover a religação de água e luz. De acordo com Lucas, não há grandes problemas estruturais na Casa da Estrela, o que facilita o processo de recolocar o edifício em uso. Outra medida que deve ser iniciada nos próximos dias é a limpeza da casa e de seu entorno, o que incluiu uma pintura externa.
O mais recente levantamento de custos, de 2015, estimava a restauração completa em R$ 560 mil. Pelo acordo com a prefeitura, todos os custos ficam a cargo da Aeergs, que assume o local por tempo indeterminado. Na visão de Strey, porém, é possível deixar o imóvel em condições de uso com um investimento menor, bancado com recursos próprios e a partir de eventos e campanhas de arrecadação - e, a partir dessa retomada, fazer do imóvel mais interessante para investimentos de maior vulto.
"O que vai garantir qualquer chance de sucesso em investidas de crowdfunding, busca de leis de incentivo etc é a casa estar em uso", afirma Strey. "A gente ainda está lá como promessa, mas espero que, em cerca de seis ou sete meses, possamos ser um exemplo efetivo, a partir de ações concretas. E a própria comunidade do Petrópolis tem interesse em nos ajudar."
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