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Porto Alegre, sexta-feira, 13 de setembro de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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cinema

Edição impressa de 11/09/2019. Alterada em 13/09 às 07h52min

Com o filme 'Legalidade', Zeca Brito invoca vigília pela democracia

Fernando Alves Pinto e Leonardo Machado em frente ao Palácio Piratini em cena do longa gaúcho que estreia nesta quinta-feira (12)

Fernando Alves Pinto e Leonardo Machado em frente ao Palácio Piratini em cena do longa gaúcho que estreia nesta quinta-feira (12)


JOBA MIGLIORIN/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Drama histórico dirigido por Zeca Brito, Legalidade é uma grande produção realizada no Rio Grande do Sul, envolvendo cerca de mil profissionais, que deve permanecer como um marco na cinematografia gaúcha, confirmando sua tamanha repercussão nas mídias. O sexto longa lançado pelo diretor nascido em Bagé, como o título da obra já entrega, remonta ao episódio homônimo de 1961, quando o governador do Estado, Leonel Brizola, liderou um movimento que garantisse o cumprimento da Constituição Federal.
Drama histórico dirigido por Zeca Brito, Legalidade é uma grande produção realizada no Rio Grande do Sul, envolvendo cerca de mil profissionais, que deve permanecer como um marco na cinematografia gaúcha, confirmando sua tamanha repercussão nas mídias. O sexto longa lançado pelo diretor nascido em Bagé, como o título da obra já entrega, remonta ao episódio homônimo de 1961, quando o governador do Estado, Leonel Brizola, liderou um movimento que garantisse o cumprimento da Constituição Federal.
O presidente da República Jânio Quadros havia renunciado e, conforme a lei, o vice-presidente eleito pelo povo (escolha que na época era feita de forma individual, sem formação de chapa entre os dois cargos), João Goulart (Jango), deveria tomar posse. No entanto, Jango, que também era cunhado de Brizola, estava na China Comunista em missão institucional, e havia sido ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, quando os diretos trabalhistas foram implementados. Assim, o nome do gaúcho de São Borja não agradava em Brasília, nos bastidores do poder.
Para contar com riqueza de detalhes e jogar luz sobre este fato da História nacional, que segundo Zeca Brito não foi abordado de forma adequada pelos livros nas escolas, o cineasta resolveu construir Legalidade com um roteiro ficcional (coassinado por Leo Garcia) e com atores conhecidos em todo o País: Cleo Pires, Fernando Alves Pinto e José Henrique Ligabue. Eles formam um triângulo amoroso com dimensão política, interpretando cenas de sexo e ação.
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"A história brasileira é uma telenovela dos anos 1960. A televisão é uma unidade nacional que consegue representar as diferentes culturas brasileiras. A gente queria fazer um filme popular, que chegasse na história através de elementos simbólicos da cultura brasileira - e a teledramaturgia é um deles, o mais próximo da realidade do povo brasileiro", justifica o cineasta.
Já Letícia Sabatella entra na etapa do longa ambientada em 2004, antes da morte de Brizola, que na fase madura é interpretado por Sapiran Brito (pai do diretor). A sua personagem, Blanca, suposto fruto do triângulo amoroso, pesquisa em documentos da ditadura militar pistas do seu passado.
Com pré-estreia na noite desta quarta-feira (11) no Rio de Janeiro, o filme entra em cartaz na quinta-feira (12) nos cinemas brasileiros. Na semana passada, em première na capital paulista, Brito reforçou a ideia de trabalhar com a cultura de massa: "Este é um filme de alfabetização popular. Ele conta uma história que por quase 60 anos não foi contada, cujos protagonistas ou foram exilados de sua Pátria ou foram torturados e mortos. O episódio teve consequências que se desdobram até hoje. Precisamos ser vigilantes da nossa democracia sempre, ela é muito frágil". 
Ao final da sessão em São Paulo, de forma espontânea, o público levantou durante os créditos finais e cantou o Hino Nacional. Na pré-estreia em Porto Alegre, na segunda-feira, no Theatro São Pedro, os discursos de Brizola em cena ganharam aplausos ao vivo da plateia presente. Antes da projeção, Zeca Brito bradou: "Que a História nos liberte!".
A estreia mundial da produção ocorreu em abril no Festival de Chicago. Em competição, o título teve a primeira exibição nacional em São Luís do Maranhão em junho, no 42º Festival Guarnicê de Cinema, de onde saiu com quatro prêmios: Melhor Direção (Brito), Melhor Fotografia (Bruno Polidoro), Melhor Direção de Arte (Adriana Borba) e Melhor Ator (Leonardo Machado, pela interpretação de Leonel Brizola). Todas as primeiras exibições públicas do filme têm rendido homenagens póstumas ao protagonista, que faleceu há cerca de um ano, vítima de câncer - como ocorreu no recente 47º Festival de Gramado.
Na serra gaúcha, com a plateia repleta de políticos, críticos e realizadores audiovisuais, quem participou da sessão especial pôde conferir que os prêmios vindos do evento nordestino tinham sido bem destinados. Toda a reconstrução de época e a parte visual do longa rendem elogios.
Entre as locações na Capital, cenas foram rodadas em maio de 2017 no Palácio Piratini, porões do Paço Municipal, nos Jardins do Dmae no bairro Moinhos de Vento, Centro Histórico, Igreja das Dores e Cais do Porto. Em parceria com a Porto Alegre Film Commission, a linha Turismo da cidade, inclusive, promove o Tour Legalidade amanhã, às 14h, com saída da Travessa do Carmo.
O projeto original previa gravações em Brasília e no Uruguai, porém o orçamento não comportava as viagens. Tudo foi filmado em Porto Alegre, Missões, Serra e Litoral gaúchos. No debate em Gramado, o diretor até brincou que só foi possível contar esta história tão grandiosa porque ela se passa dentro de um porão.
O título foi lançado pela Prana Filmes, e a produtora Luciana Tomasi comentou que o orçamento - cujo valor foi captado durante oito anos - foi de R$ 3 milhões - o que para o Estado é bom. Ela completou que se o mesmo filme tivesse sido realizado em São Paulo ou Rio de Janeiro, o investimento precisaria ser o dobro. Luciana ainda destacou que em 36 anos de carreira, Legalidade foi sua maior produção.
Onde assistir: Casa de Cultura Mario Quintana - Sala Eduardo Hirtz (14h15min, 19h, exceto sexta) - (51) 3221-7147, no Espaço Itaú 1 (14h40min) e Itaú 8 (21h40min) - (51) 3341-0576, no GNC Moinhos 1 (13h30min, 18h45min) - (51) 3224-0877, e no Guion Center 3 (14h15min, 20h20min) - (51) 3221-3122 
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