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Porto Alegre, terça-feira, 06 de agosto de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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artes cênicas

Edição impressa de 06/08/2019. Alterada em 06/08 às 03h00min

Andrea Beltrão apresenta peça 'Antígona' em Porto Alegre

Andrea Beltrão sobe ao palco do Teatro do Prédio 40 da Pucrs

Andrea Beltrão sobe ao palco do Teatro do Prédio 40 da Pucrs


MATHEUS JOSÉ MARIA/DIVULGAÇÃO/JC
Cristiano Vieira
Com carreira consolidada na televisão, no cinema e no teatro, Andrea Beltrão, aos 55 anos, soma mais uma grande interpretação para o extenso currículo: Antígona, a clássica heroína criada por Sófocles. Em Porto Alegre, a montagem tem sessão única na noite desta terça-feira (6), às 20h, no teatro do Prédio 40 da Pucrs. Os ingressos estão esgotados.
Com carreira consolidada na televisão, no cinema e no teatro, Andrea Beltrão, aos 55 anos, soma mais uma grande interpretação para o extenso currículo: Antígona, a clássica heroína criada por Sófocles. Em Porto Alegre, a montagem tem sessão única na noite desta terça-feira (6), às 20h, no teatro do Prédio 40 da Pucrs. Os ingressos estão esgotados.
Antígona é uma jovem princesa que enfrenta a ordem do rei Creonte de deixar seu irmão, que lutou na guerra, sem sepultura. Ao desobedecer a determinação real, ela paga com a própria vida. É estabelecido, então, o confronto entre o Estado e o cidadão.
A história se passa em Tebas e foi escrita há 2,5 mil anos por Sófocles. Fez tanto sucesso na época que o público ateniense ofereceu ao autor o governo de Samos, uma das ilhas gregas. O espetáculo desta terça-feira tem direção de Amir Haddad, dramaturgia do próprio Haddad e de Andrea, tendo como fonte a tradução realizada por Millôr Fernandes.
Na Antígona de Haddad e Andrea, ao contrário do autor original, que partiu do mito já conhecido para o teatro, parte-se do teatro para chegar ao mito que dá nome ao espetáculo. "A peça fala de tudo que vivemos hoje. E, mais profundamente, dos nossos dilemas humanos. De todas as nossas questões, da liberdade, do direito à vida e à morte, da relação entre o cidadão e o Estado, da intolerância, da prepotência e, principalmente, do amor. Como dizia Millôr Fernandes, lamentavelmente, Antígona ainda é atual, absolutamente atual, de maneira assustadora", diz Andrea.
A artista explica que ela e Haddad traçaram uma linha do tempo que remonta aos ancestrais de Antígona. "Os personagens estão presentes, mas colocados a partir do ponto de vista da narrativa. Desta maneira, a motivação de Antígona em desafiar o rei e as leis da pólis aparece de maneira muita clara, e não apenas como um ato de rebeldia", explica Andrea.
Na opinião da atriz, um texto clássico como este não é de interpretação complicada. As narrativas embaralham as emoções por ir direto ao coração, à memória e aos sentimentos. "Como um texto escrito há 2,5 mil anos pode falar exatamente sobre o que eu sinto agora? Não é a gente que lê o texto da tragédia grega, é a tragédia grega que lê a gente, por isso não precisamos ter medo de não entendê-la", informa Andrea.
Em diálogo com a plateia em ritmo acelerado, a atriz se utiliza de recursos mínimos - como uma echarpe vermelha ou um casaco - para desenrolar a trama e, assim, ir povoando o palco com os personagens interpretados por ela mesma. Andrea os apresenta, quase que didaticamente, antes de representá-los, permitindo ao público adensar o seu conhecimento da história e traçar paralelos com a atualidade.
A cenografia também apresenta linguagem moderna e reforça a atuação de Andrea entre os atos de narrar e de representar Antígona, em cenas que se desenvolvem diante de uma espécie de árvore genealógica, em forma de mural. Uma cadeira, uma escada, uma mesa e um amplificador para o som com microfone, complementam o cenário. A proposta é restaurar a força popular do teatro.
A atualidade do texto encontra reflexo na atual situação que enfrenta a cultura brasileira, alvo de questionamentos do poder público quanto aos mecanismos de fomento e de sua validade como elemento formador da cultura nacional. Andrea concorda que "são tempos tristes os que vivemos, nos quais o pensamento, a reflexão, a diferença de opiniões, a diversidade, a liberdade, não estão nos planos dos nossos governantes. Mas nada é mais forte do que o conhecimento, do que a cultura, que são o verdadeiro retrato e a identidade de todos nós", pondera.
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