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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de julho de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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Teatro

Edição impressa de 11/07/2019. Alterada em 11/07 às 00h18min

Espetáculo 'Diário secreto de uma secretária bilíngue' tem apresentações no Instituto Ling

Com Deborah Finocchiaro, montagem reflete sobre a iminente demissão de funcionária antiga da empresa

Com Deborah Finocchiaro, montagem reflete sobre a iminente demissão de funcionária antiga da empresa


EROICA CONTEÚDO/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Com 53 anos de idade, uma secretária passou três décadas trabalhando na mesma empresa. Agora, encara uma demissão iminente que a tira completamente do sério. As reflexões sobre essa situação permeiam o espetáculo Diário secreto de uma secretária bilíngue, estrelado por Deborah Finocchiaro, em uma direção conjunta com Vinicius Piedade. As apresentações começam amanhã e acontecem no Instituto Ling (João Caetano, 440), nas sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h, até o dia 27 de julho. Os ingressos são vendidos por R$ 40,00.
Com 53 anos de idade, uma secretária passou três décadas trabalhando na mesma empresa. Agora, encara uma demissão iminente que a tira completamente do sério. As reflexões sobre essa situação permeiam o espetáculo Diário secreto de uma secretária bilíngue, estrelado por Deborah Finocchiaro, em uma direção conjunta com Vinicius Piedade. As apresentações começam amanhã e acontecem no Instituto Ling (João Caetano, 440), nas sextas-feiras, às 20h, e sábados, às 18h, até o dia 27 de julho. Os ingressos são vendidos por R$ 40,00.
Depois de dedicar tanto tempo de sua vida à empresa, a secretária Marjorie deve treinar uma nova funcionária, que exercerá funções iguais as suas. Ainda que a história seja abordada de uma forma cômica, a situação vivida pela secretária também é trágica do ponto de vista humano - por isso, Deborah descreve o espetáculo como uma tragicomédia. Com este cenário, ela se vê perdida entre seus pensamentos, lembrando de momentos da juventude, enquanto lida com as dificuldades de adaptação aos novos tempos e a percepção de descartabilidade contemporânea.
O conceito de descartável é um argumento essencial da apresentação, algo que se torna mais recorrente no mundo contemporâneo. "Tais questionamentos são fundamentais de serem abordados, seja pelo teatro ou por outras formas de expressão artística", conta a atriz e diretora. Realizada a partir de um texto base de Piedade, Deborah participou do processo da formatação da dramaturgia, percebendo que a personagem poderia abrir espaço para a questão da menopausa. "Nos encontramos no século XXI e ainda existe um tabu com este tema. Em outras culturas, como a chinesa, há uma visão diferente, associando com a energia de luz", afirma.
Gastando a vida em função de algo que não é uma escolha própria, e encontrando refúgio em seu diário, a rotina massacrante de Marjorie adquire uma vertente poética, como aponta Deborah.
Com a secretária perdendo a função devido à falta de conhecimento digital, a peça dialoga com temas preocupantes – por exemplo, a ideia de que a escravidão humana gera um afastamento humano. “Abordar estas temáticas é falar da alma. Lidar com frustração, solidão, medo e comunicar isso de corpo, voz e alma é um poder e um desafio que o teatro tem e que é capaz de atrair público", contextualiza Deborah.
Deste modo, a atriz e diretora acredita que o teatro é uma realidade idealizada que precisa de parcerias; uma arte viva, que não se repete e, por consequência, compete com a televisão, o digital e os serviços de streaming, que têm outra dinâmica de consumo.
E tratando de tais parcerias, esta não é a primeira vez que a Deborah se aliou com Vinicius Piedade para uma produção. Entusiasta da direção conjunta, ela gosta de contar com outras pessoas por perto quando ensaia. "Detesto ensaiar sozinha, preciso da opinião de terceiros e para ter uma ideia de como seria a reação do público com o que está sendo pensado", explica a artista.

Incentivo à produção teatral

Criado em 2018, o projeto Ponto de Teatro realiza a segunda temporada de atividades no Instituto Ling. A ideia é viabilizar a estreia de projetos novos de teatro e dança. "Com o estreitamento de recursos, há uma carência de capital inicial, o que dificulta para que se dê o start em outras produções", aponta Renato Mendonça, curador da iniciativa. O pontapé inicial foi dado pelo próprio instituto, que convidou Mendonça para a formulação de um projeto de artes cênicas. Como estratégia de formação e ampliação de público, cada montagem recebe uma oficina de crítica teatral para discutir a obra - no caso de Diário secreto de uma secretária bilíngue, as vagas já estão esgotadas.
Para as próximas edições, Mendonça espera que as peças alcem voos maiores, para além do projeto. A montagem de Deborah Finocchiaro e Vinicius Piedade já tem apresentações marcadas para novembro, no Teatro Bruno Kiefer. Outro objetivo, o principal, é o de manter o Ponto de Teatro ativo, pois as artes presenciais contam com uma camada a mais de complexidade de manutenção e renovação de público. Para Deborah, o projeto é uma importante iniciativa, sendo um oásis na cena artística da Capital. "Nos reunimos com os artistas para que eles nos ofereçam um feedback sobre o que entendem que está bom e o que pode melhorar no projeto. Também fizemos reuniões para pensar em novidades", finaliza o curador.
 
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