O escritor norte-americano Paul Auster admitiu, ao participar de mais uma sessão do ciclo Fronteiras do Pensamento por meio de videoconferência direto de Nova Iorque: "Não tenho celular, não tenho computador, nem e-mail, escrevo minhas história em um caderno e depois passo para a máquina de escrever". Auster disse que se sentia como ponto neutro e alertou para situações preocupantes no uso que as pessoas fazem das possibilidades que a tecnologia aporta.
O escritor admitiu que tinha expectativa mais otimista sobre o impacto da internet, que viria para aumentar a liberdade, mas que hoje vê riscos. "Podia ser uma força para unir pessoas, uma força da democracia, ou para unir loucos", provocou o escritor.
O contraste foi feito para indicar, na sequência, casos como o da interferência nas eleições norte-americanas. Há investigações sobre a ação de russos e influência na votação por meio de manipulação nas redes sociais e uso de fake news.
E justamente sobre o governo de Donald Trump, Auster qualificou como "a pior coisa que já vi na história americana". O que mais preocupa o escritor reside nos danos que ele associa ao governo Trump e o Partido Republicano, que vão ficar como herança. "Espero que não sejam permanentes. É o momento mais perigoso desde a guerra civil americana", comparou.
Auster observou que o "apelo desse lunático influencia líderes de outros países, e não preciso citar nomes". Sem falar diretamente no nome do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, a plateia reagiu validando a citação.
A conferência acabou sendo transmitida em meio digital devido a problemas familiares "graves", segundo o escritor. Com isso, ele não pôde viajar a Porto Alegre. A sessão teve interrupções, devido a quedas da transmissão. O escritor estava em um hotel na avenida Madison, na ilha de Manhattan, em Nova Iorque, onde reside. "Peço desculpas, deve estar sendo muito ruim para o público", disse ele, com simplicidade, em um dos momentos.