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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de junho de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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Artes Cênicas

Edição impressa de 06/06/2019. Alterada em 06/06 às 02h51min

Teatro Sarcáustico encerra atividades com apresentações no Instituto Ling

Após 15 anos em atividade, grupo encerra apresentações com montagem 'A última peça'

Após 15 anos em atividade, grupo encerra apresentações com montagem 'A última peça'


MACIEL GOELZER/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Uma trajetória de 15 anos que chega ao seu derradeiro capítulo. O Sarcáustico estará encerrando suas atividades com as apresentações de A última peça nas sextas-feiras, às 20h, e aos sábados, às 18h, até 22 de junho, no Instituto Ling. Os ingressos são vendidos por R$ 40,00.
Mesmo que seja um fim de um ciclo, o encerramento é uma ocasião ainda a ser comemorada, em razão do aniversário de 15 anos. O espetáculo em si é uma celebração, que lembra a trajetória de sucesso do Sarcáustico. "É uma história de um grupo marcante no teatro do Rio Grande do Sul, além de falar sobre como as companhias de teatro terminam", afirma a diretora da peça, Gabriela Poester.
O ambiente festivo é justificado pelos motivos que levaram ao fim do grupo. Segundo o ator e diretor Daniel Colin, em nenhum momento houve brigas ou problemas entre os integrantes. "A questão política está deteriorando a cultura e o teatro", afirma. Os membros também estão mais ocupados com projetos individuais, que até poderiam ser levados para dentro do grupo, mas questões financeiras inviabilizam essa dinâmica. "Nós já ganhamos prêmios e notoriedade. Havia festivais, editais, e conseguíamos contratar pessoas. Agora, temos menos espaços culturais e falta de investimento, o que acaba por podar artistas", reforça Colin.
A nova - e última - montagem foi selecionada pelo projeto Ponto de Teatro, do Instituto Ling, com apresentações no local. "É um paradoxo por conseguirmos participar de um edital, de uma organização privada", destaca o ator. Pelo fato de A última peça somente ser apresentada no Ling, ela teve de ser pensada para o local e suas particularidades. "Assim, o projeto Ponto de Teatro propiciou que encerrássemos as atividades, pois não sabíamos por quanto tempo ainda ficaríamos juntos", esclarece Colin.
Na construção do espetáculo, havia a ideia de convidar alguém de fora da companhia para a direção - e veio Gabriela Poester. Os ensaios duraram dois meses. "Criação é sempre um processo difícil. Eu os conhecia à distância, mas o contato direto possibilitou que eu aprendesse e descobrisse mais sobre o Sarcáustico e as pessoas que o formam. Tudo isso entrou na dramaturgia", destaca a diretora.
E uma destas considerações no processo de pensar A última peça foi a inclusão do público como um ator ativo, sendo o WhatsApp o meio para tal interação. Gabriela já havia utilizado o recurso em outro trabalho, servindo como uma nova forma de linguagem ao passo em que transforma a plateia em participantes do processo de criação, o qual a diretora considera que torna toda apresentação uma experiência única e particular.
Além de retratar o contexto vivido pelo grupo e revisitar memórias, o texto conta com uma crítica à sociedade espetacularizada, definida como aquela que sustenta a cultura do ridículo, o jogo de aparências e banaliza a teatralidade. Tal conceito foi trazido por Gabriela para o centro do espetáculo. "Essa abordagem é algo inerente com a minha carreira de artista. Vejo como sendo a teatralidade do cotidiano, em que as pessoas tentam materializar aspectos ficcionais em suas vidas, uma válvula de escape do ordinário. E o WhatsApp acaba sendo um desses canais, que têm uma relevância social enorme, até no cenário político."
Já Daniel Colin deseja que a lembrança do Teatro Sarcáustico recaia sobre as pessoas que fizeram a história desses 15 anos do grupo. "Somos três no corpo administrativo, mas foram mais de 50 indivíduos, além de alunos em projetos. A última peça é uma abordagem macro do fim de um grupo. São 15 anos em que comemoramos uma insistência, uma resistência", completa.
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