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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de abril de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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Teatro

Edição impressa de 16/04/2019. Alterada em 17/04 às 18h45min

Terreira da Tribo abre financiamento coletivo para honrar aluguel

Atuador Paulo Flores é o único fundador da Ói Nóis Aqui Traveiz que ainda segue no grupo

Atuador Paulo Flores é o único fundador da Ói Nóis Aqui Traveiz que ainda segue no grupo


MARCO QUINTANA/JC
Frederico Engel
Atuantes pela arte e pelo seu espaço. Reunidos na Tribo Ói Nóis Aqui Traveiz, o grupo de atuadores segue investindo seu tempo e sua dedicação no grupo de 41 anos, buscando manter a tribo relevante e atuante na cena artística.
Um desses principais nomes é Paulo Flores, atuador do grupo desde o seu início, em 1978. Com os 41 anos de história do Ói Nóis, ele é o único dos fundadores que permanece. Assim, o artista acompanhou e fez parte de diferentes apresentações. A mais recentes delas é Meierhold, que aborda a trajetória do ator russo e rendeu uma premiação no Açorianos para Flores.
Atualmente, a Tribo de Atuadores passa por dificuldades. Sem o dinheiro necessário para pagar o aluguel do espaço da Terreira da Tribo, no bairro São Geraldo (Santos Dumont, 1.186), um financiamento coletivo está sendo realizado para auxiliar nas despesas. A campanha Terreira da Tribo - Eu Apoio pode ser acessada pelo link benfeitoria.com/terreiradatribo. "A primeira meta é atingir o valor de R$ 12 mil, para que consigamos pagar o aluguel", comenta Flores. São dois galpões mantidos (um para apresentações e cenografia, e outro que abriga itens do grupo), que o atuador destaca que fazem parte da história dos teatros gaúcho e nacional. "Não gostaríamos de nos desfazer de nossa história", acrescenta.
O público pode escolher quanto pagará no apoio coletivo, tendo benefícios de acordo com o valor do investimento mensal. "Serão as pessoas que vão nos ajudar a continuarmos nosso trabalho", reforça o artista. A crise, todavia, não contempla apenas o Ói Nóis. Flores avalia que a arte em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e no Brasil está defasada, sem capacidade de investimento. "Não há programas de fomento à cultura municipais e estaduais, os editais estão diminuindo ou até sendo extinguidos. São tempos difíceis para a classe artística", conta Paulo Flores. O atuador lamenta a situação e acredita que não haverá mudança a curto prazo. "O descaso é muito grande para haver uma reversão de paradigmas em pouco tempo."
Para ele, casos como o fim do Ministério da Cultura e a redução e até o corte total de investimento de empresas na arte são fatores fundamentais para o agravamento da situação. "Esse retrocesso é um processo que acontece desde o golpe de 2016. A arte não é uma prioridade do governo, algo que é de responsabilidade do poder público", argumenta. Flores ainda aponta a falta de incentivo ao teatro de rua, uma das fortes vertentes do Ói Nóis. "A política de apoio é inexistente. A arte conta com poucos espaços para seu exercício, estes sendo elitizados."
Flores lamenta a escassez de ambientes artísticos, em especial por avaliar que a cena de Porto Alegre é composta por atores, cenógrafos e iluminadores de qualidade. "Por isso, vamos às ruas." E lá se encontra público que assiste as apresentações. Nossas peças não tratam as temáticas de modo simplista, e, assim mesmo, cerca de 500 pessoas acompanham os espetáculos até o final em parques, praças, vilas", afirma o atuador.
Mesmo com as dificuldades financeiras, o Ói Nóis segue com a sua programação de atividades e apresentações com entrada franca. Nesta terça-feira (16), na sede, às 20h (com senhas distribuídas a partir das 19h), a atração é Obs Cenas, teatro com Arlete Cunha.
Uma caixa com quatro DVDs, que contemplam os espetáculos Medeia Vozes; Amargo Santo da Purificação; Viúvas Performance sobre Ausência e Raízes do Teatro, ainda será lançada, além de um Laboratório Internacional de Teatro no segundo semestre do ano, que contará com oportunidade de contato com outros e vivenciar experiências do grupo.
E qual a importância da Tribo de Atuadores e da arte para a sociedade? Flores argumenta que ambas são formas de instigar a imaginação criadora. "Em tempos obscuros, a arte é essencial para o ser humano como meio de transformação social. A Terreira, especificamente, é um espaço que respira liberdade e alimenta o pensamento crítico para os cidadãos", completa.
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Comentários
Redação JC 17/04/2019 18h46min
Problema no link resolvido, Ligia! Obrigado!
Ligia Fagundes Corrêa 17/04/2019 18h41min
Não estou conseguindo acessar o link