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Reportagem Cultural

- Publicada em 21 de Fevereiro de 2019 às 22:31

Porto Alegre consolida nova cena de bares para ouvir música ao vivo

Show de Tonho Crocco no Espaço 512, local que une música e boemia

Show de Tonho Crocco no Espaço 512, local que une música e boemia


ESPAÇO 512/DIVULGAÇÃO/JC
Paulo César Teixeira
A cena se repetia como se tivesse sido combinada. Mal se sentava junto a uma das três ou quatro mesas do Luanda, minúsculo bar próximo à Igreja Sagrada Família, na Cidade Baixa, o jovem estudante de Direito Ivan Pedro de Carvalho avistava um negro de bigode bem aparado adentrar o recinto. Azeitona - nome artístico do percussionista João de Castro Filho, falecido em 2008, aos 96 anos - emborcava o copo de cachaça e, sem perda de tempo, ganhava outra vez a calçada da rua José do Patrocínio para se dirigir ao bar e restaurante Chão de Estrelas (um dos mais badalados da noite de Porto Alegre na década de 1970), situado poucos passos adiante. "Azeitona tocava pandeiro no Chão de Estrelas e, como outros músicos da casa, aproveitava o intervalo dos shows para tomar uma purinha no Luanda", recorda Carvalho, hoje procurador federal aposentado.
A cena se repetia como se tivesse sido combinada. Mal se sentava junto a uma das três ou quatro mesas do Luanda, minúsculo bar próximo à Igreja Sagrada Família, na Cidade Baixa, o jovem estudante de Direito Ivan Pedro de Carvalho avistava um negro de bigode bem aparado adentrar o recinto. Azeitona - nome artístico do percussionista João de Castro Filho, falecido em 2008, aos 96 anos - emborcava o copo de cachaça e, sem perda de tempo, ganhava outra vez a calçada da rua José do Patrocínio para se dirigir ao bar e restaurante Chão de Estrelas (um dos mais badalados da noite de Porto Alegre na década de 1970), situado poucos passos adiante. "Azeitona tocava pandeiro no Chão de Estrelas e, como outros músicos da casa, aproveitava o intervalo dos shows para tomar uma purinha no Luanda", recorda Carvalho, hoje procurador federal aposentado.
Música e boemia estão entrelaçadas como almas gêmeas desde o Cerâmico, o bairro de Atenas frequentado por artistas, forasteiros e outras espécies de outsiders, alguns séculos antes de Cristo - para muitos, o Cerâmico é o berço da atividade prazerosa de transformar a noite em arte e diversão. Locais hoje não faltam, como o Espaço 512, na João Alfredo; o Café Fon Fon, na Vieira de Castro; e o tradicionalíssimo Odeon, no Centro Histórico.
No Sul do Brasil, a fama de notívago exemplar coube a Lupicínio Rodrigues, não por acaso, o principal nome da música popular do RS. Pouco antes de morrer, Lupicínio declarou, com exagerada humildade, para O Pasquim: "Eu não sou músico, não sou compositor, não sou cantor. Eu sou é boêmio".
A dona do Chão de Estrelas, Adelaide Dias, foi testemunha disso. Morena de cabelos lisos e longos, ela encantou a noite porto-alegrense durante 20 anos à frente de bares que atraíam ilustres figuras da boemia, a começar por Lupicínio, que a ela dedicou a canção Dona do bar:
Na simbiose entre música e boemia, Lupicínio Rodrigues esteve dos dois lados do balcão. Além de boêmio, vestiu o figurino de empresário da noite no Clube dos Cozinheiros, na rua Garibaldi, e no Batelão, na avenida Cristóvão Colombo, entre outros bares que administrou com pouco tino comercial, mas com muita disposição de transformá-los em espaços abertos à música ao vivo. "No final dos anos 1950, eu ia a um bar do Lupi num casarão da rua João Alfredo para escutar a velha guarda. Ficava espiando de longe. Não tinha coragem de me aproximar daquela turma da pesada", conta o violonista Nerci Padilha, o Nito.
Nessa época, Nito - rapazote recém-chegado de Santo Ângelo - morava numa república de estudantes na esquina da Lima e Silva com a Luiz Afonso. Três décadas depois, ele repetiria a saga de Lupi com o Bar do Nito, reduto de MPB, samba e bossa nova na rua Lucas de Oliveira. Há cinco anos afastado das atividades de gestão, Nito ainda é a principal atração do botequim num banquinho com voz e violão. "Não gosto de saudosismo, mas sinto falta da boemia de outros tempos. Para tirar essa saudade, eu toco as músicas antigas", diz.
Na sucessão de gerações que se apropriaram das madrugadas porto-alegrenses, o ator e cantor Antonio Carlos Falcão foi protagonista de um período marcado pela ditadura militar, entre os anos 1970 e 1980. "A boemia tinha uma atitude de enfrentamento. Ainda lutávamos por liberdade, o que fomentava a efervescência do momento. Além disso, a cidade era menor, quase todo mundo se conhecia."
Falcão guarda na memória imagens de pura rebeldia, como a da noite em que ele resolveu se deitar em plena pista da avenida Protásio Alves para cantar Fascinação (com letra em português de Armando Louzada) olhando as estrelas, em homenagem a uma amiga que estava de aniversário. Ou a cena de um bando de jovens dançarinos, sob a liderança do professor de jazz Luís Fernando Sayão, que reproduzia sem aviso-prévio, nas calçadas do Bom Fim, a coreografia do filme Hair (musical dirigido por Milos Forman, em 1979). "Pina Bausch havia visitado a cidade, o que incendiou as cabeças", comenta Falcão.
Paulo César Teixeira é jornalista. Escreveu os livros Esquina maldita e Nega Lu – Uma dama de barba malfeita, além de editar do portal Rua da Margem www.ruadamargem.com).

Música renovada nos bares de Porto Alegre

Bethy Krieger e Luizinho Santos são donos do Café Fon Fon, na Vieira de Castro

Bethy Krieger e Luizinho Santos são donos do Café Fon Fon, na Vieira de Castro


MARIANA CARLESSO/JC
Com o respaldo da antiga boemia, a cena musical de Porto Alegre se renova a cada noite em ambientes como o Café Fon Fon, aberto em 2012 pelo saxofonista Luizinho Santos e a pianista Bethy Krieger. A parceria musical entre eles já dura 30 anos, um a menos do que o casamento - em 2019, o trabalho em duo será registrado em CD com o título bem humorado de Enfim, sós. Com larga experiência na noite, Santos e Bethy criaram o Fon Fon com o intuito de realizar o sonho de administrar o palco no qual se apresentam ao público. "No fundo, todos nós, músicos, sonhamos com isso", diz Bethy.
Segundo ela, o que mais incomoda o artista da noite é estar diante de uma plateia desatenta e barulhenta. Como medida de prevenção, o Café Fon Fon estabelece uma pausa durante os espetáculos para que os mais ansiosos na plateia tenham 10 minutos para colocar os assuntos em dia. "Quando o show é retomado, o pessoal está mais atento e relaxado", observa Bethy. Há casos em que a parada estratégica não surte efeito, aí o próprio público se encarrega de pedir silêncio aos tagarelas, relata a proprietária do bar.
Ainda bem - afinal, música de qualidade merece silêncio e atenção. Pelo Café Fon Fon passam nomes de alto quilate da MPB, como Cida Moreira e Cristóvão Bastos, além de representantes virtuosos da cena local, a exemplo dos pianistas Paulo Dorfman e Fernando Corona, do guitarrista Pedro Tagliani (que abriu o show de Diana Krall no Araújo Vianna, em 2018) e do violonista Thiago Colombo, sem falar em Zé Caradípia, Gelson Oliveira, Raul Ellwanger e Nelson Coelho de Castro. Fora isso, o uruguaio Daniel Drexler deu canja lá, assim como o saxofonista Tim Ries, dos Rolling Stones, durante a passagem da banda por Porto Alegre, em 2017. "Tim é amigo do Gastão Villeroy, músico bastante próximo da gente, por isso, tocou sem cachê, só pelo dinheiro da porta, e posso garantir que se divertiu muito", conta Bethy.
Nem todos os donos das casas noturnas são músicos, mas boa parte deles está sintonizada com o meio musical de um modo ou de outro. Por muitos anos, o fotógrafo publicitário Gabriel Lopes Salomão abriu a residência no Morro do Veludo, em Belém Novo, para ensaios e jam sessions de amigos como os roqueiros Mário Petracco, Tonho Crocco, Duda Guedes e Paulinho Supekovia. No mais das vezes, os encontros se transformavam em animadas festas, que se prolongavam até o amanhecer. Certo dia, quando confidenciou à esposa, a psicóloga Cristina Salomão, que já não tinha ânimo para dar prosseguimento à carreira na publicidade, Salomão ouviu dela a sugestão: "Quem sabe, então, a gente realiza o teu sonho de montar um bar?"
Atualmente, Salomão atravessa a cidade, da Zona Sul até o 4º Distrito, para cuidar do Gravador Pub, que administra em parceria com Cristina. Inaugurado há três anos num casarão construído em 1914, o bar já promoveu 450 shows assistidos por 27 mil espectadores. A estrutura de palco (investimento de R$ 130 mil) oferece praticamente tudo de que precisam os músicos. "Basta trazer a guitarra e o cabo", avisa. Por sinal, as guitarras penduradas nas paredes não constituem enfeites - estão reguladas e afinadas, prontas para uso. Há também violinos, trompete e clarinete à disposição das bandas. A potência sonora do Gravador Pub atinge 130 mil watts. "Num espaço pequeno, reverbera, e muito", salienta.
Embora priorize blues e rock, o espaço também cede espaço para jazz e MPB - não faz muito, no local Rodrigo Piva (neto de Túlio Piva) fez o lançamento de seu disco de choro e, em janeiro de 2017, Mário Barbará gravou ali o único DVD da carreira (o cantor morreu em maio de 2018). Mas não dá para negar que o cancioneiro nascido no fundo da alma dos negros americanos seja o ponto alto da programação. Entre os expoentes do blues que já pisaram o palco do Gravador Pub, figuram Lil'Jimmy Reed, Michael Dotson e Anthony "Big a" Sherrod, além de Myla Hardie, cantora criada no ambiente musical do Texas, que viveu em Porto Alegre. Os roqueiros gaúchos também marcam presença, a exemplo dos amigos das festas de Belém Novo, além de Alemão Ronaldo, King Jim e bandas como Tequila Baby e Rosa Tatuada.
 

Para furar as bolhas da noite

A proposta do Agulha é furar as bolhas não só de estilos musicais, mas também dos núcleos de convivência que separam os diferentes públicos do circuito de boemia da cidade. "As pessoas estão isoladas umas das outras, fechando-se em grupos homogêneos, que não se comunicam", conta Eduardo Titton, sócio, junto com o irmão Fernando, no pub aberto em 2017.

A surpresa se faz presente ao primeiro olhar. Para início de conversa, o bar ocupa um antigo galpão industrial de 350 metros quadrados, numa rua sem saída do bairro São Geraldo. A decoração com mobiliário garimpado em lojas de antiquários dá a estranha sensação de estarmos em um ambiente familiar registrado no fundo da memória. "A ideia é mesmo fazer com que as pessoas se sintam na casa de uma tia ou avó", brinca Titton. Na "sala de concerto", bonecos de cavalinhos e girafas pendurados no teto saúdam a plateia, que tem à disposição duas mesas de pingue-pongue, se der na telha de praticar o esporte. Ah, outra coisa: não há garçons circulando. Os pedidos são feitos diretamente no balcão (para bebidas) ou numa janelinha na porta da cozinha (no caso de refeições).

Mas a principal atração do Agulha é a agenda eclética e plural, que traz para Porto Alegre uma amostra reluzente das tendências contemporâneas da música popular. Na temporada de 2018, foram mais de 170 shows, contemplando desde o jazz de vanguarda do trio Metá Metá até o afrofolk futurista da Tuyo, sem falar no rapper Don L e na Francisco el Hombre, banda de origem mexicana que funde gêneros latinos. Sobrou data ainda para o grupo formado só por mulheres Mulamba, de Curitiba, e o quinteto goiano Carne Doce, sem falar em rebeldes veteranos, como Jards Macalé. Para 2019, já estão confirmados shows de Dingo Bells, Teto Preto, Josyara e Anelis Assumpção.

A proposta é seguir com o foco na música autoral e independente, mas ampliando o leque. "A gente conseguiu quebrar algumas bolhas, outras não", admite Eduardo Titton. Para isso, será preciso realizar um "exercício dificílimo", que é baratear o ingresso sem deixar de remunerar adequadamente os artistas. "Às vezes, a conta não fecha." Para continuar trazendo a Porto Alegre a vanguarda da cena musical, o Agulha pensa em recorrer a patrocínios e leis de incentivo.

Agito no coração da Cidade Baixa

Espaço 512 prepara ampliação com anexo ao lado

Espaço 512 prepara ampliação com anexo ao lado


ESPAÇO 512/DIVULGAÇÃO/JC

Originalmente um atelier de artes plásticas, o Espaço Cultural 512 foi também um boteco simples e acolhedor sob a direção da escultora Daliana Mirapalhete, antes de se transformar num dos pubs mais agitados da Cidade Baixa. A mudança aconteceu em 2009, quando Guilherme Carlin assumiu o projeto. De lá para cá, o bar ampliou a área interna de 35 para 390 metros quadrados, ocupando duas casas vizinhas. Polivalente, a agenda de shows alterna apresentações de Serginho Moah e Anaadi com performances de jazz instrumental de Nicola Spolidoro, além de espetáculos de música autoral e covers de Alceu Valença e Jorge Ben Jor. "É um espaço democrático, plural e múltiplo", define Carlin, também responsável pela produção da cachaça artesanal Chica.

Para quem não sabe, a expansão do 512 não está finalizada. Carlin acaba de incorporar mais uma casa vizinha, onde será inaugurado ainda no primeiro semestre o Outros 500 Studio Pub (o nome é homenagem ao bar Outros 500, de Marcelo Amaral, que nos anos 2000 ocupou um dos prédios hoje sob a guarda do 512), versão intimista do pub já consagrado, igualmente com música ao vivo, e com área para ensaios de bandas.

Mistura de gerações no Parangolé e no Odeon

Tino, dono do bar Odeon, sinônimo de tango e jazz no Centro Histórico

Tino, dono do bar Odeon, sinônimo de tango e jazz no Centro Histórico


MARIANA CARLESSO/JC

A trajetória de Cláudio Soares de Freitas, o seu Cláudio do Parangolé, não coincide exatamente com a de um boêmio inveterado. Nos 16 anos anteriores à abertura do bar, que hoje é referência de música ao vivo na Cidade Baixa, ele trabalhava na indústria de calçados Grendene, com sede em Farroupilha, "no chão de fábrica mesmo, no meio das máquinas", como se orgulha de contar. Nos últimos tempos, atuava no setor de injeção de PVC em moldes da fábrica de Sobral, no Ceará.

Depois que saiu do setor calçadista, seu Cláudio se reinventou profissionalmente ao fundar o bar na rua Lima e Silva, quase esquina com a Loureiro da Silva. É verdade que já tinha alguma experiência em lidar com o público antes. Natural de Minas do Leão, na região carbonífera do Rio Grande do Sul, ainda pirralho ajudava o pai, Ozi, no atendimento aos clientes do armazém de secos e molhados da família. Um tempo depois, ganharia da mãe, Maria Clara, uma carrocinha e um cavalo para vender batatas, tomates e melancias na vila dos mineiros. A relação com a música também não era novidade: foi acordeonista por mais de uma década da banda Os Tropeiros da Amizade, que chegou a gravar dois long plays nos anos 1970.

Inaugurado em 2006, o Parangolé atraiu desde logo não só músicos da nova geração, casos dos chorões Mathias Pinto e Samuca do Acordeon, mas também bambas de épocas passadas, como o cantor e violonista Darcy Alves, o professor Darcy, parceiro de boemia e serenatas de Lupicínio Rodrigues. Já octogenário, Darcy se apresentou no Parangolé até 2013, quando sofreu um AVC, o que o obrigou a se afastar dos palcos, falecendo dois anos depois. "Parte da história do bar se deve ao Darcy, que trouxe muitos clientes para cá", diz Seu Cláudio.

A mescla de gerações não é privilégio do Parangolé. Um dos últimos baluartes da boemia no Centro Histórico, o Odeon (referência ao tango homônimo de Ernesto Nazareth) agregou nos últimos tempos jovens frequentadores à clientela fiel garimpada nas últimas três décadas. "No começo, a ideia era criar um bar para que pudéssemos beber de graça e, se desse, ainda ganhar um trocado", conta Celestino Paz Santana, o Tino, que fundou em 1985 o boteco junto com o colega de escritório de advocacia na época Ivan Pedro de Carvalho (o estudante de Direito que, na década anterior, frequentava o Luanda, lembra?).

Provavelmente, esse é o segredo que explica o sucesso do Odeon ao longo do tempo: o bar é administrado por boêmios de carteirinha. Ivan Pedro não está mais no negócio, mas atrás do balcão encontra-se Beto Canarinho, uma das figuras que mais conhece a vida noturna de Porto Alegre da década de 1960 para cá. Em tempo: o apelido Canarinho ele ganhou ao ilustrar as inúmeras histórias que conta a respeito da noite porto-alegrense com o hábito de assobiar.

Pelo palquinho do Odeon passaram lendas da música do Sul como o flautista Plauto Cruz, falecido em 2017. Já doente, ele chegava numa cadeira de rodas, sendo amparado por Tino até se acomodar para iniciar o show. "Sinto orgulho que tenha sido aqui o último lugar em que Plauto tocou", diz Tino. Com Plauto, se apresentava a pianista Dionara Schneider, que continua em cartaz até hoje na noite de tangos. A programação contempla ainda o jazz de instrumentistas como Cláudio Sander (saxofone) e Luiz Mauro Filho (piano), entre outras atrações.

Do Zelig ao Carmelita

Zelig fez história na noite gaúcha e recebia nomes como Ed Motta e Alceu Valença

Zelig fez história na noite gaúcha e recebia nomes como Ed Motta e Alceu Valença


GILMAR LUÍS/JC
Não é exagero afirmar que boa parte dos bares que fizeram história em Porto Alegre nas últimas quatro décadas tem a marca de Paulo Pio, a começar pelo Zelig, que ele abriu em 1986 com o dinheiro da venda de um Fusca 73 e comandou com sucesso ao longo de 27 anos junto com a irmã, Bia. Pio participou ainda da criação do Dr. Jekyll e colaborou na remontagem do Garagem Hermética. O Zelig é um caso à parte. No sobrado da rua Sarmento Leite frequentado por artistas, jornalistas, publicitários, arquitetos e descolados em geral, bandas como a Nenhum de Nós apareceram pela primeira vez em cena. Na época, o grupo se apresentava com o nome pomposo de Vitor Hugo e Os Miseráveis.
O palco do Zelig abrigou com carinho artistas locais como Nei Lisboa, Bebeto Alves e Frank Jorge, entre tantos outros. De passagem por Porto Alegre, músicos do Centro do País apareciam para jantar no Zelig, casos de Alceu Valença, Luiz Melodia, Arrigo Barnabé e Ed Motta. Alceu Valença não demorou a decorar o caminho até a cozinha, que percorria sem cerimônia para dar sugestões culinárias. Ed Motta chegou a trazer a coleção particular de vinis para animar como DJ as festas da casa.
Após o fechamento do Zelig, em 2013, Pio optou por abrir um espaço menor e mais aconchegante, o Carmelita. "É ideal para receber os amigos." O palco situado junto à janela envidraçada que dá para a calçada confere ainda mais intimidade aos espetáculos de Wander Wildner, Izmália, Flávio Flu, King Jim e Jimi Joe, para citar alguns dos artistas assíduos na programação. Para março e abril, estão previstas apresentações de Castor Daudt, ex-DeFalla, e do percussionista Pedro Borghetti, além de Antonio Carlos Falcão, aliás, um habitué dos bares de Pio desde os bons tempos do Zelig.

Onde ir

Café Fon Fon - Predomínio de jazz e MPB. Rua Vieira de Castro, 22 (Farroupilha)

Gravador Pub - Mais blues e rock. Rua Conde de Porto Alegre, 22 (São Geraldo)

Agulha - Música autoral e independente. Rua Conselheiro Camargo, 300 (São Geraldo)

Espaço Cultural 512 - MPB, rock e jazz. Rua João Alfredo, 512 (Cidade Baixa)

Parangolé - MPB, chorinho, tango e jazz. Rua Lima e Silva, 240 (Cidade Baixa)

Odeon - Tango e jazz instrumental. Rua Andrade Neves, 81 (Centro Histórico)

Carmelita - Mais rock e MPB. Travessa do Carmo, 54 (Cidade Baixa)

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Paulo César Teixeira é jornalista. Escreveu os livros Esquina maldita e Nega Lu – Uma dama de barba malfeita, além de editar do portal Rua da Margem www.ruadamargem.com).
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