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CINEMA

- Publicada em 01h02min, 08/01/2019. Atualizada em 09h14min, 08/01/2019.

Com Gleen Close, longa 'A Esposa' estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros

Cotada para o Oscar, Glenn Close interpreta mulher de escritor premiado em A esposa

Cotada para o Oscar, Glenn Close interpreta mulher de escritor premiado em A esposa


PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
A esposa é daqueles longas-metragens que merecem uma segunda sessão. Não que o filme - que estreia no circuito comercial na quinta-feira (9) - apresente uma narrativa complicada, deixando apenas pistas para o espectador em um labirinto de informações. Nada disso. O mérito está associado ao trabalho da atriz Glenn Close, sutil o suficiente para ser apreciado novamente após todos os meandros da história serem de conhecimento do público. A interpretação tem, inclusive, tudo para render à artista sua sétima indicação ao Oscar: no último fim de semana, ela já venceu o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama - foi a 13ª indicação da norte-americana a prêmios da imprensa estrangeira de Hollywood.
A esposa é daqueles longas-metragens que merecem uma segunda sessão. Não que o filme - que estreia no circuito comercial na quinta-feira (9) - apresente uma narrativa complicada, deixando apenas pistas para o espectador em um labirinto de informações. Nada disso. O mérito está associado ao trabalho da atriz Glenn Close, sutil o suficiente para ser apreciado novamente após todos os meandros da história serem de conhecimento do público. A interpretação tem, inclusive, tudo para render à artista sua sétima indicação ao Oscar: no último fim de semana, ela já venceu o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama - foi a 13ª indicação da norte-americana a prêmios da imprensa estrangeira de Hollywood.
A veterana encarrega-se da personagem-título. Quando o espectador a conhece, Joan está casada há cerca de 40 anos com o escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce), bem-sucedido desde seu livro de estreia. Logo nos primeiros minutos de trama, o autor recebe uma ligação comunicando-lhe ser o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, e os dois - além de um dos filhos - vão a Estocolmo para a cerimônia de entrega da honraria. A viagem, no entanto, ainda inclui a companhia de um pesquisador (papel de Christian Slater), persistente na ideia de escrever uma biografia de Castleman, algo veementemente negado pelo ícone.
Em seu primeiro longa-metragem rodado em língua inglesa, o diretor sueco Björn Runger parece contar uma história menos surpreendente do que ele gostaria que fosse. Mas se o cineasta falha - ao menos em certa medida - ao tentar criar um tipo de suspense, compensa tal ausência ao construir um drama pessoal com diferentes camadas e perspectivas.
Joan é multifacetada. Em dado momento, por exemplo, ressalta que não quer ser vista como alguém por quem se possa sentir pena; em outra cena, expressa o desejo de não ser vitimizada em uma eventual biografia do esposo. O retrato que a personagem teme combina com o de mulheres que abandonam aspirações próprias para apoiar as carreiras dos maridos. E o receio da comparação tem fundamento: a protagonista reconhece ser a responsável por lembrar dos remédios de Castleman e sabe que resta ficar a seu lado enquanto ele é paparicado, mas, ao mesmo tempo, também está certa de ser mais interessante e complexa do que pode aparentar aos olhos dos fãs do marido - ou da sua família.
Com estrelato sobretudo nos anos 1980, quando recebeu cinco de suas seis indicações ao Oscar, Glenn Close revela no olhar e na fala uma personagem capaz de canalizar ressentimentos e frustrações. Mas a que preço, por quanto tempo e por quê? Sem entrar em revelações, pode-se dizer que o contexto da narrativa contempla aspectos como status, jogo de aparências e velhos hábitos. Todas questões capazes de mexer com o ser humano na intimidade.
A viagem ficcional a Estocolmo também permite até especular por que Bob Dylan não foi à cerimônia solene em 2016, ano em que recebeu o mesmo prêmio dado ao protagonista masculino de A esposa. Se for semelhante à versão apresentada no longa-metragem, a rotina que acompanha a láurea inclui uma série de compromissos formais e interações um tanto quanto forçadas - exigindo bastante paciência. No filme de Björn Runger, o panorama funciona convincentemente como estopim para uma crise.
Já na temporada de premiações para destaques de cinema, o longa-metragem tem sido nomeado apenas pelo desempenho da atriz - embora Pryce também esteja digno de elogios. Além de ganhadora do Globo de Ouro, Glenn Close já recebeu uma indicação ao SAG Awards, o prêmio dado pelo sindicato dos atores de Hollywood, por sua interpretação no projeto. A nomeação ao evento, cujos vencedores serão conhecidos no dia 27 de janeiro, é mais um indício de que a atriz deve ser lembrada outra vez no Oscar. No ano passado, por exemplo, quatro das cinco finalistas do SAG também concorreram ao prêmio dado pela academia. Será, enfim, a vez da artista erguer a estatueta?
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Cotada para o Oscar, Glenn Close interpreta mulher de escritor premiado em A esposa

Cotada para o Oscar, Glenn Close interpreta mulher de escritor premiado em A esposa


PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
A esposa é daqueles longas-metragens que merecem uma segunda sessão. Não que o filme - que estreia no circuito comercial na quinta-feira (9) - apresente uma narrativa complicada, deixando apenas pistas para o espectador em um labirinto de informações. Nada disso. O mérito está associado ao trabalho da atriz Glenn Close, sutil o suficiente para ser apreciado novamente após todos os meandros da história serem de conhecimento do público. A interpretação tem, inclusive, tudo para render à artista sua sétima indicação ao Oscar: no último fim de semana, ela já venceu o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama - foi a 13ª indicação da norte-americana a prêmios da imprensa estrangeira de Hollywood.
A esposa é daqueles longas-metragens que merecem uma segunda sessão. Não que o filme - que estreia no circuito comercial na quinta-feira (9) - apresente uma narrativa complicada, deixando apenas pistas para o espectador em um labirinto de informações. Nada disso. O mérito está associado ao trabalho da atriz Glenn Close, sutil o suficiente para ser apreciado novamente após todos os meandros da história serem de conhecimento do público. A interpretação tem, inclusive, tudo para render à artista sua sétima indicação ao Oscar: no último fim de semana, ela já venceu o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama - foi a 13ª indicação da norte-americana a prêmios da imprensa estrangeira de Hollywood.
A veterana encarrega-se da personagem-título. Quando o espectador a conhece, Joan está casada há cerca de 40 anos com o escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce), bem-sucedido desde seu livro de estreia. Logo nos primeiros minutos de trama, o autor recebe uma ligação comunicando-lhe ser o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, e os dois - além de um dos filhos - vão a Estocolmo para a cerimônia de entrega da honraria. A viagem, no entanto, ainda inclui a companhia de um pesquisador (papel de Christian Slater), persistente na ideia de escrever uma biografia de Castleman, algo veementemente negado pelo ícone.
Em seu primeiro longa-metragem rodado em língua inglesa, o diretor sueco Björn Runger parece contar uma história menos surpreendente do que ele gostaria que fosse. Mas se o cineasta falha - ao menos em certa medida - ao tentar criar um tipo de suspense, compensa tal ausência ao construir um drama pessoal com diferentes camadas e perspectivas.
Joan é multifacetada. Em dado momento, por exemplo, ressalta que não quer ser vista como alguém por quem se possa sentir pena; em outra cena, expressa o desejo de não ser vitimizada em uma eventual biografia do esposo. O retrato que a personagem teme combina com o de mulheres que abandonam aspirações próprias para apoiar as carreiras dos maridos. E o receio da comparação tem fundamento: a protagonista reconhece ser a responsável por lembrar dos remédios de Castleman e sabe que resta ficar a seu lado enquanto ele é paparicado, mas, ao mesmo tempo, também está certa de ser mais interessante e complexa do que pode aparentar aos olhos dos fãs do marido - ou da sua família.
Com estrelato sobretudo nos anos 1980, quando recebeu cinco de suas seis indicações ao Oscar, Glenn Close revela no olhar e na fala uma personagem capaz de canalizar ressentimentos e frustrações. Mas a que preço, por quanto tempo e por quê? Sem entrar em revelações, pode-se dizer que o contexto da narrativa contempla aspectos como status, jogo de aparências e velhos hábitos. Todas questões capazes de mexer com o ser humano na intimidade.
A viagem ficcional a Estocolmo também permite até especular por que Bob Dylan não foi à cerimônia solene em 2016, ano em que recebeu o mesmo prêmio dado ao protagonista masculino de A esposa. Se for semelhante à versão apresentada no longa-metragem, a rotina que acompanha a láurea inclui uma série de compromissos formais e interações um tanto quanto forçadas - exigindo bastante paciência. No filme de Björn Runger, o panorama funciona convincentemente como estopim para uma crise.
Já na temporada de premiações para destaques de cinema, o longa-metragem tem sido nomeado apenas pelo desempenho da atriz - embora Pryce também esteja digno de elogios. Além de ganhadora do Globo de Ouro, Glenn Close já recebeu uma indicação ao SAG Awards, o prêmio dado pelo sindicato dos atores de Hollywood, por sua interpretação no projeto. A nomeação ao evento, cujos vencedores serão conhecidos no dia 27 de janeiro, é mais um indício de que a atriz deve ser lembrada outra vez no Oscar. No ano passado, por exemplo, quatro das cinco finalistas do SAG também concorreram ao prêmio dado pela academia. Será, enfim, a vez da artista erguer a estatueta?
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