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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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artes cênicas

Edição impressa de 07/01/2019. Alterada em 07/01 às 01h00min

Monólogo inspirado em clássico sobre o sertão tem apresentação no Porto Verão Alegre

Nina Eick interpreta Riobaldo, de Grande Sertão Veredas, na peça O sertão em mim

Nina Eick interpreta Riobaldo, de Grande Sertão Veredas, na peça O sertão em mim


/ROSE PEREIRA/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Uma obra que transcende gerações e mídias, partindo do texto para a dramaturgia. O sertão em mim, monólogo inspirado em Grande Sertão: Veredas, tem apresentação pelo Porto Verão Alegre nesta terça-feira (8) e quarta-feira, às 20h, no Instituto Ling (João Caetano, 440), com ingressos entre R$ 24,00 (idoso e estudante) e R$ 40,00 (inteiro). A versão do clássico de Guimarães Rosa é dirigida por Fernando Kike Barbosa e encenada por Nina Eick.
Com um recorte que foca na história de Riobaldo, O sertão em mim acompanha o jagunço revelando sua personalidade e colocando em questão diversos pontos de questionamentos atuais sobre o ser humano e o mundo, presentes na visão do autor. "A obra propõe discussões filosóficas e humanas, com temáticas atuais de sexualidade", afirma Kike. Além de diretor, ele dividiu as funções do roteiro para a adaptação com Nina.
Ambos se conheceram há cerca de três anos, como lembra a atriz, em uma oficina na Usina do Gasômetro, realizada pela Cômica Cultural. Tendo maior proximidade a partir disso e conhecendo melhor o trabalho um do outro, ela acabou convidando-o para participar do projeto. A proposta de transformar o livro de Guimarães em um monólogo era algo corajoso, mas também considerado loucura por outros diretores que recusaram o projeto, conforme Kike. Isso, todavia, não impediu Nina de querer ver o livro que tem memorizado em sua cabeça adaptado. "Me identifico com a obra pelo caráter humano e visão de mundo que trabalha", destaca.
Com o texto travado por dois anos, a chegada de Kike foi fundamental para o andamento da peça. "Ele propunha alterações e cortes muito condizentes e lógicos", conta a atriz. Devido a seu profundo apego, Nina via dificuldades em retirar uma vírgula que fosse da obra original. "Conseguimos transformar em algo mais conciso e direto, que pudesse dialogar com o público", aponta o diretor. Com o conhecimento da atriz pelo material, o texto, que possui certa liberdade poética, foi sendo editado ao mesmo passo em que a produção era ensaiada. O nervosismo e timidez conservados pela atriz ao estar em cena é algo que ela usa ao seu favor, sendo uma fragilidade a ser explorada e transformada em poder.
Alguns desses trechos extraídos foram transportados para a ambientação de narrativa visual, criada por Rodrigo Kiko Mello. Outro elemento importante para a peça foi a trilha sonora de Paulo Arenhart, composto especialmente para O sertão em mim. Kike a descreve como sensível, com a necessidade de diversos ensaios para a realização de um trabalho minucioso. O diretor valoriza os trabalhos de Kiko Mello e Arenhart ao apontar de que eles foram fundamentais para transportar o público ao clima do texto, citando o momento em que a peça encena o pacto de Riobaldo com o demônio como um ponto em que aspectos além do texto aparecem em destaque.
Agora, para a apresentação no Porto Verão Alegre, tanto Nina quanto Kike enxergam no festival um espaço que propaga cultura em um período do ano em que a Capital fica esvaziada de produções artísticas. "É um importante evento que sobrevive, conquistando público fora da classe artística e de familiares/amigos dos artistas", diz o diretor.
Nina espera poder continuar desenvolvendo outras formas de adaptações e alterações ao texto base de Guimarães Rosa. A expectativa é de que o trabalho possa evoluir e se tornar consistente, para que assim, quem sabe, possa viajar com a peça. Para ela, O sertão em mim pode continuar por muitos anos, como afirma Kike. "É o projeto de vida da Nina, que pode ser apresentado em qualquer ambiente. Ela pode continuar até ficar velha", brinca. É curioso observar o interesse da atriz pela peça, mesmo tendo de passar por uma transformação no corpo, em função de sua interpretação de Riobaldo. "O processo de arte é dolorido, mas que vale a pena o esforço e dedicação", completa.
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