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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Cinema

Edição impressa de 06/12/2018. Alterada em 05/12 às 21h58min

Conflito de gerações marca novo longa de Jorge Furtado, que estreia nos cinemas

Anderson Vieira, João Pedro Zappa e George Sauma em Rasga coração

Anderson Vieira, João Pedro Zappa e George Sauma em Rasga coração


FÁBIO REBELO/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Jorge Furtado diz que se sente diferente com Rasga coração, estreia desta quinta-feira (6) nos cinemas do País. "Este é o primeiro longa que o argumento original não é meu. Já fiz muitas adaptações para televisão, mas, no cinema, só tinha filmado roteiros e argumentos próprios. É uma adaptação minha de um texto escrito pelo Vianninha (Oduvaldo Vianna Filho)." A produção da Casa de Cinema de Porto Alegre com Globo Filmes e Canal Brasil teve première na 42ª Mostra Internacional de São Paulo e foi exibida no Festival do Rio. No recente 10º Festival Internacional da Fronteira, o longa saiu com o Troféu do Júri Popular.
Com roteiro de Jorge Furtado, Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno, a adaptação conta a história de Manguari Pistolão (Marco Ricca), militante anônimo que, depois de 40 anos de lutas, vê o filho Luca (Chay Suede) acusá-lo de conservador. Ele casou com a namorada da juventude, Nena, vivida por Drica Moraes (Duda Meneghetti na juventude). Sem dinheiro para as contas, com dores de uma artrite crônica e em crescente conflito familiar, o protagonista passa em revista seu passado e se vê repetindo as mesmas atitudes de seu pai. Intercalando fragmentos da vida de Manguari (interpretado por João Pedro Zappa na fase jovem), o filme atravessa quatro décadas da vida política brasileira, entre 1979 e 2013.
A nova obra conta com atuações de Luisa Arraes, George Sauma, Anderson Vieira, Nelson Diniz e Kiko Mascarenhas. Antes da exibição no Cine 7, de Bagé, uma semana antes de estrear, o diretor gaúcho dedicou a sessão ao elenco do filme, "formado por grandes atores, que são também criadores da dramaturgia". Na Fronteira, Jorge Furtado e George Sauma participaram de entrevistas na Casa de Cultura da cidade. O cineasta se diz ciente do fato da qualidade do texto de Vianninha exaltar o longa. "Ele foi um gênio, um grande dramaturgo, morreu muito jovem, com 38 anos. Foi, talvez, o primeiro artista brasileiro a enfrentar a ditadura militar com o seu trabalho, porque, em 1964, ele fez a peça Opinião em São Paulo. Ele era um ativista de esquerda, se filiou ao Partido Comunista com 15 anos e nunca andou de táxi, porque o povo andava de ônibus."
Para Furtado, a coerência de Vianninha era incrível: "Morreu escrevendo Rasga coração, que é sua obra-prima. Em 1974, ditou para a mãe e a esposa o livro no hospital. Ele percebeu um desgaste do discurso da esquerda". O gaúcho conta que viu o espetáculo em 1979, em São Paulo, quando estava no segundo semestre de Medicina, e saiu perturbado do cinema: "Entendi alguma coisa do que acontecia. Estávamos em um período de abertura política e havia um nascimento de algumas coisas e a morte de várias outras. E ele conseguiu captar isso numa peça".
O autor coloca no microcosmo da narrativa uma família, em duas épocas: a juventude de Manguari e a relação com o pai, e a maturidade e a relação com seu filho. "Ele embaralha esses dois períodos de maneira brilhante", elogia o diretor, que permaneceu com aquele espetáculo rondando a mente. Há 10 anos, releu a peça e achou que não fazia sentido filmá-la com um governo de esquerda dando certo. "De repente, a peça foi ficando cada vez mais atual. Em 2013, fiz uma nova leitura e achei que estava muito atual. E, agora, me assusto com a atualidade dela", relata o cineasta.
A história de uma família que não se entende, brigando por política, traz um filho adolescente que critica as alianças políticas do pai no passado e discursos que não fazem mais sentido. "E ele quer invadir a escola, a política dele não é mais partidária, é de gênero", analisa Furtado.
O diretor afirma que chamou os melhores atores possíveis para cada papel, pois é um trabalho de atuação: "George Sauma faz um personagem fantástico, que é o Lorde Bundinha". Também músico e dançarino, o carioca tinha os requisitos para a interpretação. O ator diz que seu personagem no longa tem a ver com seu lugar artístico: "Lorde Bundinha é um cara bem louco, intuitivo, expansivo. Acho que levo muito disso para meus personagens. Foi um presente que o Jorge me deu, porque é um personagem interessante, complexo e apaixonado pela vida, pela arte. Me identifico com isso". Sauma continua: "Ele é um cara que tem uma anarquia forte dentro dele, não sei até onde compactuo com isso, mas acho legítima a forma como ele lida com a política da época. Amei fazer e o resultado está bacana, porque mostra essa complexidade, você não sabe quem está certo e quem está errado".
As filmagens ocorreram em novembro de 2017 em Porto Alegre: "Foram 10 dias intensos. João Pedro é um dos meus melhores amigos. Acho que conseguimos passar essa sintonia de amizade verdadeira", avalia.
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