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Porto Alegre, segunda-feira, 26 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Edição impressa de 26/11/2018. Alterada em 26/11 às 08h31min

Festival da Fronteira começa nesta terça-feira em Santana do Livramento

Tema de 'A destruição de Bernardet', o escritor é patrono do evento

Tema de 'A destruição de Bernardet', o escritor é patrono do evento


PEDRO MARQUES/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Completando uma década, sempre celebrando a lusofonia e a latinidade, o Festival Internacional de Cinema da Fronteira tem em Bagé, na Campanha gaúcha, o seu epicentro. Porém, nesta 10ª edição, expande-se para Santana do Livramento, que já recebeu ações do evento anteriormente. O Sesc do município sedia as primeiras exibições amanhã à tarde, enquanto a Plaza Flores de Rivera, já no Uruguai, recebe as sessões da noite. Na quarta-feira, as cidades recebem novamente as atividades gratuitas, que migram para Bagé na quinta-feira, caminhando para o seu encerramento, que ocorre no domingo.
Segundo o diretor artístico Zeca Brito, Livramento é a grande referência de confluência cultural no Brasil, de uma fronteira de paz, de integração: “Há muita similaridade entre os dois lados – é a mesma cidade dividida em dois idiomas. Agora, vamos cruzar a fronteira e estabelecer um vínculo mais profundo. Neste ano, vamos levar o corpo do festival”. Para o cineasta, cruzar esses territórios é “identificá-los para quem é do mundo do cinema, quem faz arte”.
A 10ª edição tem mostra competitiva nacional de longas, mostras de curtas internacionais e regionais e mostra universitária, além de oferecer oficinas, debates e shows. A realização do evento é da Associação Pró-Santa Thereza e do Centro Histórico Vila de Santa Thereza, com financiamento do Ministério da Cultura, do Fundo Setorial do Audiovisual e do BRDE, promoção das prefeituras de Bagé e de Santana do Livramento, e de Rivera, com apoio institucional da Urcamp, da Unipampa e da Udelar.
Em 2018, a curadoria dos longas foi feita pelo jornalista cultural Roger Lerina; a dos curtas, pelos cineastas Frederico Ruas e Maria Elisa Dantas. A programação completa pode ser conferida em festivaldafronteira.com.br.
Com produção da Anti Filmes, o Festival Internacional de Cinema da Fronteira destaca-se pelo forte caráter de formação da expressão audiovisual. Neste ano, cinco longas-metragens integram a mostra competitiva de produções latinas e seis passam fora de competição, vários inéditos. A mostra de curtas é composta por 35 filmes de mais de 20 países. Ao todo, mais de 4 mil títulos foram inscritos nesta edição. O show de encerramento será da cantora Adriana Deffenti.
Entre as ficções que competem, está a coprodução internacional Cuadros en la oscuridad, da argentina Paula Markovitch, que estreia no Brasil no evento. Drama com tons políticos, a trama acompanha um artista plástico veterano que nunca expôs seus trabalhos. O aclamado El premio, primeiro longa da diretora, será exibido fora de competição. Também com viés politizado, Rasga coração, de Jorge Furtado, mostra o choque de gerações em dois tempos da vida de um militante contra a ditadura. Selecionado para o Festival de Cinema de Toulouse, o drama Meio irmão, de Eliane Coster, traz a busca de uma jovem por sua mãe desaparecida.
Do gênero documentário, Humberto Mauro, de André di Mauro, filme sobre o pioneiro cineasta mineiro, teve sua première no Festival de Veneza. O diretor é sobrinho-neto do personagem-título. Inédito no Brasil, o português O labirinto da saudade, de Miguel Mendes, é uma adaptação de obra homônima do escritor lusitano Eduardo Lourenço e propõe um mergulho no universo do autor.
Fora de competição está o documentário A destruição de Bernardet (amanhã, às 17h), de Claudia Priscilla e Pedro Marques, sobre o cineasta belga radicado no Brasil Jean-Claude Bernardet, patrono do Festival da Fronteira e parceiro da iniciativa. Já no documentário Eduardo Galeano Vagamundo (amanhã, às 22h), de Felipe Nepomuceno, amigos compartilham lembranças do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Hughes Galeano (1940-2015). “Os dois primeiros longas, de certa forma, delimitam o nosso pensamento, brinco com o Roger Lerina que são o marco teórico do festival. Conseguimos, nos dois países, ter uma linha de pensamento de humanidade, de compreender a América Latina, de pensa-la de uma forma crítica, descontruindo, muitas vezes, as verdades históricas”, comenta Zeca.
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Ricardo Darín participa do filme 'Eduardo Galeano Vagamundo'. Foto Nepomuceno Filmes/Divulgação/JC
Falecido em setembro, o ator gaúcho Leonardo Machado será lembrado com a exibição de A cabeça de Gumercindo Saraiva, de Tabajara Ruas. A homenageada desta edição é Zoravia Bettiol. “Há um sentido político forte, que já se viu nas escolhas da curadoria. Ela é a grande artista feminina no Rio Grande do Sul e talvez uma das maiores mulheres relacionadas às artes visuais do Brasil, notoriamente, com essa força de resistência, com essa cultura política, com uma obra que nunca perdeu a referência com a realidade, ao mesmo tempo lírica e onírica, que tem muito a nos ensinar”, afirma o diretor. “Também é uma tentativa de nós, da região da Campanha, estabelecermos um contato histórico com o Clube da Gravura e a presença importante da Zoravia entre os gravadores de Bagé e Porto Alegre. Ela foi aluna do Glênio Bianchetti, foi uma das pessoas que difundiu a técnica da xilogravura, cuja raiz passa por Bagé”, complementa Zeca. No sábado, às 10h, abre uma exposição no Museu da Gravura Brasileira (Urcamp), em que as obras dela estarão em diálogo com artistas do Grupo de Bagé, “para mostrar como ela faz parte da nossa fruição artística”. Zoravia, de Henrique de Freitas Lima, terá sua première na sessão de encerramento no domingo.
Assim como a produção de seu organizador, o festival não se restringe à sétima arte. “Temos essa característica de não homenagear necessariamente cineastas ou atrizes. Essa é a nossa vontade de dialogar com as outras artes, de pensar o cinema como um espaço de confluências, de encontro das artes na resistência cultural.”
Na noite de sábado, Zoravia recebe o Prêmio São Sebastião – padroeiro da cidade e tema do material gráfico e do troféu do festival. A imagem escolhida para a 10ª edição é uma raridade: a pintura do artista plástico bageense Glauco Rodrigues, pertencente à série A lenda do Coati-Puru, foi exposta apenas uma vez, nos anos 1970. A série foi arrematada por um único colecionador, Marcel Telles, um dos maiores empresários e colecionadores de arte do País. Entre aquarelas, desenhos e pinturas, Glauco fez mais de 100 obras reproduzindo o santo.
Voltado à democratização da cultura e da produção audiovisual, o festival ainda terá atividades de mercado incluindo uma Plataforma de Negócios e oficinas que acontecerão em Porto Alegre e Livramento de janeiro a março de 2019.
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