Porto Alegre, sexta-feira, 12 de julho de 2019.
Dia do Engenheiro Florestal.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Reportagem Cultural

COMENTAR | CORRIGIR

reportagem cultural

Notícia da edição impressa de 01/11/2018. Alterada em 12/07 às 13h52min

A morte antes do patronato da Feira do Livro

Um dos grandes nomes da literatura gaúcha, Josué Guimarães faleceu em 1986

Um dos grandes nomes da literatura gaúcha, Josué Guimarães faleceu em 1986


AFP/AFP PHOTO/JC
Márcio Pinheiro, especial para o JC
Em 1984, a Feira do Livro de Porto Alegre chegava à trigésima edição e a diretoria da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) resolveu mudar uma de suas mais sólidas tradições. Desde a 11ª edição, em 1965, quando foi criada a figura do patrono, o homenageado anual era alguém que cumprisse pelo menos dois desses requisitos: ser uma figura representativa do universo literário e já ter morrido. Assim, o primeiro homenageado foi Alcides Maya, seguido por outros nomes importantes da cultura gaúcha, como João Simões Lopes Neto, Alceu Wamosy, Caldas Jr., Athos Damasceno Ferreira e Auguste Saint Hilaire. Por este critério, José Bertaso, em 1983, foi o último escolhido. A partir de então a diretoria determinou que a metodologia fosse alterada. O homenageado agora passaria a ser uma pessoa viva. A lógica era das mais claras: no seu trigésimo aniversário, a Feira do Livro pretendia homenagear um de seus fundadores, Mauricio Rosenblatt, na época com 76 anos. 
Em 1985, outro nome inquestionável, o poeta Mario Quintana, então com 79 anos, seria o escolhido. Porém, ao morrer em março de 1986, relativamente jovem aos 65 anos e em plena atividade política e intelectual, Josué Guimarães tornou-se um protagonista quase único de uma injustiça involuntária: foi um dos grandes autores da literatura gaúcha que nunca chegou ao patronato da mais relevante das feiras do livro de seu Estado. "O nome dele certamente seria um dos próximos. Infelizmente não deu tempo", lamenta Jussara Rodrigues, na época livreira e desde 1988 integrante da diretoria da Câmara Rio-Grandense do Livro. "Josué seria um candidato natural ao título", acrescenta Roque Jacoby, ex-secretário da Cultura de Porto Alegre e ex-presidente da CRL.
Josué Guimarães foi uma figura interessante da vida cultural e política do Rio Grande do Sul. "Ele ia além de sua carreira literária. Era uma figura da cidade e do Estado, uma persona pública de grande experiência, um cara daqueles cuja biografia ainda ressoa à resistência à Segunda Guerra Mundial, e também ao apoio ao brizolismo, à legalidade. Um filme feito na Universidade de Passo Fundo sobre ele dá bem essa sensação de ter sido um sujeito de forte presença", destaca Luís Augusto Fischer, professor de Literatura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e patrono da Feira do Livro de 2013.
Versátil e atuante, Josué era admirado pelos amigos e respeitado pelos adversários. Entre as décadas de 1940 e 1980, esteve presente nos principais acontecimentos políticos, jornalísticos e culturais, deixando sua marca e ajudando a criar dezenas de livros, projetos, propostas e ideias. "Josué Guimaraes foi uma pessoa maravilhosa que eu tive o privilégio de conhecer. Um democrata, perseguido pela ditadura o tempo todo, mas que jamais vacilou ou fez concessões. Esteve na clandestinidade, foi para o exílio e sempre foi o mesmo homem; uma inteligência brilhante, um senso de humor extraordinário, generoso, amigo dos seus amigos", lembra, emocionado, Ivan Pinheiro Machado, que à frente da L&PM, foi o responsável pela publicação da maioria dos títulos do escritor.
"Conheci o Josué Guimarães nos anos 1970, como leitor, e frequentando os lançamentos de seus livros. O primeiro contato se deu em 1980, quando eu trabalhava como produtor na TV Difusora, em Porto Alegre. Quem nos aproximou foi o cineasta Maurice Capovilla, que veio a Porto Alegre comprar os direitos de um conto de Josué Guimarães (O princípio e o fim). À noite, já estávamos na casa da Nydia e do Josué para acertar os detalhes do contrato do filme. A partir de então, nunca mais perdi o contato com eles, ficamos amigos pela vida afora", completa o DJ Claudinho Pereira, amigo de Josué e da família por muitos anos.

Antes tarde do que nunca

Josué Guimarães estreou na literatura aos 49 anos
Josué Guimarães estreou na literatura aos 49 anos
ACERVO LITERÁRIO JOSUÉ GUIMARÃES/DIVULGAÇÃO/JC
A literatura entraria tarde na vida de Josué Guimarães. Só aos 49 anos ele lançaria seu primeiro livro, a coletânea de contos Os ladrões. A publicação muito provavelmente foi estimulada pelo prêmio concedido ao conjunto de três contos - João do Rosário, Mãos sujas de terra e O princípio e o fim - no então importante Concurso de Contos do Paraná, competição literária que ajudou a revelar nomes como João Antônio e Dalton Trevisan, nas décadas de 1960 e 1970. Até então, o gaúcho nascido em janeiro de 1921 em São Jerônimo já havia trilhado uma das mais longas e variadas trajetórias da vida cultural e política do Rio Grande do Sul.
Filho de um pastor da Igreja Episcopal Brasileira, que também exercia as funções de telegrafista, Josué veio ainda criança, com a família, para a capital gaúcha. Sua proximidade com as letras começaria na adolescência, no curso secundário do Ginásio Cruzeiro do Sul (a mesma escola onde anos antes havia estudado Erico Verissimo). No colégio, Josué foi um dos fundadores do Grêmio Literário Humberto de Campos e passou a publicar textos no jornal da escola.
Aprovado no vestibular para a faculdade de Medicina, Josué logo depois abandonou o curso, optando por se mudar para o Rio de Janeiro e seguir a carreira como jornalista do Correio da Manhã. As redações seriam permanentes na rotina do escritor até o fim da vida.
Dois anos depois do primeiro livro, Josué daria um salto com a publicação da primeira parte da mais conhecida de suas obras, o romance A ferro e fogo I - Tempo de solidão. "É um romance sobre a colonização alemã no Rio Grande do Sul, um assunto que sempre me interessou. Comecei a procurar as raízes e fui parar em 1826", explicou o próprio Josué em entrevista concedida em 1984. A segunda parte do livro, Tempo de guerra, sairia dois anos depois. O terceiro e último volume (Tempo de angústia) ficaria inconcluso. É dessa época a proximidade do escritor com a editora L&PM. "O Josué era um cara cheio de ideias sobre o livro e o mercado do livro. Nossa vida editorial começou justamente em Cascais, em Portugal. Ele estava chateado porque a editora dele, a José Olympio, tinha sido adquirida por um grupo de militares e havia vetado o livro dele É tarde para saber, pois o herói era um guerrilheiro... Ele me perguntou se nós editaríamos o livro caso a editora insistisse em pedir modificações na história. Eu não acreditei. A L&PM mal tinha dois anos de vida e a perspectiva de editar o Josué, que já era um grande escritor, autor do clássico A ferro e fogo, me tirou o sono. Li os originais numa noite lá em Cascais, chorei no final, como a maioria dos leitores. Mandei um telex para o Lima que estava em Porto Alegre e ele achou que eu estava brincando. O livro foi o primeiro grande sucesso da L&PM", recorda Ivan Pinheiro Machado.
Autor que serve como ponte entre duas gerações de escritores gaúchos, Josué é avaliado por Fischer: "Ele esteve num ponto intermediário entre a geração do Erico Verissimo, Dyonélio Machado e Cyro Martins, de um lado, e a do Assis Brasil, Tabajara Ruas e José Clemente Pozenato de outro. A área dele era o romanção convencional, com começo, meio e fim em esquema realista e, nesse sentido, ele é realmente um elo entre as duas gerações mencionadas, aquela nascida na primeira década do século e a outra nascida nos anos 1940".
Ivan Pinheiro Machado acrescenta dizendo que Josué Guimarães é um dos maiores escritores gaúchos de todos os tempos, principalmente graças à capacidade de fabulação e ao talento para traduzir a alma do gaúcho urbano, como em Camilo Mortágua, ou em Enquanto a noite não chega - na sua opinião, um extraordinário exercício de imaginação. O editor também se sente recompensado pelo fato de, passados mais de 30 anos, Josué ainda gerar interesse tanto de jovens leitores quanto de pesquisadores e estudiosos.
Ao morrer, Josué, lembra Ivan, tinha três romances na cabeça. Histórias que infelizmente nunca serão conhecidas.

No jornalismo, a marca da ironia

Nas redações, Josué Guimarães trabalhou nas mais variadas funções, de repórter a diretor de jornal, passando por secretário de redação, colunista, comentarista, cronista, editorialista, ilustrador, diagramador e analista político, num total de mais de quatro décadas de atuação. Em meados dos anos 1940, após o período no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, Josué voltou a Porto Alegre e passou a trabalhar no Diário de Notícias. Neste jornal, manteve uma coluna assinada sob o pseudônimo de D. Xicote, a qual tinha por característica dar um tratamento irônico aos acontecimentos políticos da época, além de fazer um acompanhamento de fatos e curiosidades da Capital. A coluna era quase um pequeno jornal dentro do grande jornal, com o próprio Josué se encarregando da elaboração das ilustrações, dos desenhos, das caricaturas, da diagramação e das notas. Josué e a coluna tornaram-se tão indissociáveis que, tempos depois, quando ele se transferiu para o jornal A Hora, também em Porto Alegre, a coluna foi junto.
A intensa atuação jornalística permaneceria pelos anos seguintes e também seria ampliada, com Josué tornando-se o primeiro jornalista brasileiro a ingressar na China e na União Soviética como enviado da Última Hora. Depois, ainda trabalharia nos jornais Folha da Tarde (em Porto Alegre) e Diário da Noite (no Rio de Janeiro).
Com o golpe militar de 1964, a atuação jornalística do escritor - sempre tão engajada - passou a ser monitorada e ele a correr perigo. A solução foi um providencial período de afastamento, com Josué indo morar em Portugal. "A primeira vez que falei com Josué foi em Lisboa, onde eu fiz uma escala indo para a Feira Internacional do Livro em Frankfurt em outubro de 1976", lembra Ivan Pinheiro Machado. "Eu estava com Fernando Gasparian, dono da Editora Paz e Terra e, como viajávamos pela TAP, tivemos uma parada de três horas em Lisboa. Josué foi nos encontrar no aeroporto, pois eu era portador de uns papéis que meu pai enviava a ele a respeito das questões jurídicas em que ele estava envolvido. Entreguei a encomenda e ele insistiu muito para que na volta, depois de Frankfurt, eu passasse uns dias na casa dele em Cascais. Acabei ficando dois meses e me tornei amigo da família: Josué, Nydia e dos filhos Adriana e Rodrigo, que eram bem crianças na época."
Na temporada portuguesa, Josué, além de atuar como correspondente para os órgãos da Caldas Jr., dos jornais Folha da Manhã, Folha da Tarde e Correio do Povo, e da Rádio Guaíba, dedicou-se a uma experiência original no comando do Chaimite, capítulo pouco conhecido na extensa e diversificada obra do jornalista. Ao lado do ilustrador gaúcho Roberto Silva, Josué criou um semanário claramente inspirado pelo Pasquim, inclusive recebendo na época o reconhecimento dos editores do tabloide brasileiro. Ziraldo colaborou enviando desenhos e Jaguar saudou a chegada do jornal como sendo um filho brasileiro do Pasquim que nasceu em Portugal.
 

Sátira por meio do semanário Chaimite

O nome - Chaimite - fazia referência a uma espécie de tanque de guerra. Por isso, o jornal já chegou causando confusão, pois nos dias que antecederam o lançamento, Josué conseguiu plantar em colunas de outros jornais que o Chaimite estava chegando. A notícia assustou algumas pessoas que pensavam que ele estava falando do tanque, não de um jornal. Aproveitando-se da confusão, escreveu na legenda da capa do número 1, de 26 de fevereiro de 1976: "O Chaimite foi o único jornal que venceu antes de sair".
Com Chaimite, Josué pretendia, através da sátira e da ironia, revelar um novo Portugal que saía de uma ditadura e começava a respirar ares da democracia. Houve incompreensões. Muitos leitores portugueses, ainda traumatizados, não distinguiam o deboche e a ironia da verdade, obrigando muitas vezes o editor a se explicar. O Chaimite teve 16 edições durante quatro meses. O jornal terminou sim pelo fato de Josué ter decidido voltar ao Brasil.
Readaptado a Porto Alegre e já vivendo a fase de redemocratização pela qual o País passava, Josué volta a se engajar politicamente e também ao jornalismo diário. Foi um dos criadores da sucursal da Folha de S. Paulo na capital gaúcha, onde trabalharia até sua morte. "Lembro com saudade dos textos dele na página 2. Era uma voz nacional, que nascia aqui na cidade", avisa Fischer.
 

Livros de Josué Guimarães

  • Os ladrões - contos (Ed. Forum), 1970
  • A ferro e fogo I (Tempo de solidão) - romance (L&PM), 1972
  • A ferro e fogo II (Tempo de guerra) - romance (L&PM), 1973
  • Depois do último trem - novela (L&PM), 1973
  • Lisboa urgente - crônicas (Civilização Brasileira), 1975
  • Tambores silenciosos - romance (Ed. Globo - Prêmio Erico Verissimo de romance), 1976 - (L&PM), 1991
  • É tarde para saber - romance (L&PM), 1977
  • Dona Anja - romance (L&PM), 1978
  • Enquanto a noite não chega - romance (L&PM), 1978
  • O cavalo cego - contos (Ed. Globo), 1979, (L&PM), 1995
  • O gato no escuro - contos (L&PM), 1982
  • Camilo Mortágua - romance (L&PM), 1980
  • Um corpo estranho entre nós Dois - teatro (L&PM), 1983
  • Amor de perdição - romance (L&PM), 1986
Infantis (todos pela L&PM):
  • A casa das quatro luas - 1979
  • Era uma vez um reino encantado - 1980
  • Xerloque da Silva em O rapto da Dorotéia - 1982
  • Xerloque da Silva em Os ladrões da meia-noite - 1983
  • Meu primeiro dragão - 1983
  • A última bruxa - 1987

Acervo reúne preciosidades do escritor

Edgar Vasques, Moacyr Scliar, Luis Fernando Verissimo e Josué Guimarães (sentado) em foto de 1977
Edgar vasques, Moacyr Scliar, Luis Fernando Veríssimo e Josué Guimarães (sentado) em foto de 1977
ACERVO LITERÁRIO JOSUÉ GUIMARÃES/DIVULGAÇÃO/JC
O Acervo Literário Josué Guimarães (Aljog) reúne o que há de mais significativo da obra do escritor gaúcho e está guardado na Universidade de Passo Fundo (UPF). O acervo teve seu início no momento em que Nydia Moojen Guimarães, viúva do escritor, manifestou publicamente, em junho de 1995, a vontade de ver os escritos de Josué preservados. Por vontade dos herdeiros de Josué Guimarães, o Aljog primeiro foi alocado na Pucrs, em Porto Alegre, e, posteriormente, transferido para a UPF, em 2007. Josué Guimarães tinha um vínculo especial com a cidade, tendo sido o primeiro coordenador dos debates das Jornadas Literárias, no início dos anos 1980, além de, como escritor, ter respaldado um projeto de formação de leitores. Atualmente, o acervo integra o Programa de Pós-graduação do Curso de Letras da UPF.
O material guardado pela universidade envolve projetos de pesquisa que têm aspectos relevantes relacionados à memória do escritor e às reflexões vinculadas aos estudos literários. "As pesquisas garantem a manutenção dos registros de um dos mais importantes autores da literatura brasileira do século XX", diz Miguel Rettenmaier, coordenador do Aljog/UPF e um dos coordenadores da Jornada de Literatura de Passo Fundo.
E acrescenta: "Josué era um destemido, um homem que arriscou sua vida em função de seus ideais. Assim, em sua produção narrativa, que apresenta uma galeria variada de personagens abandonadas a seus destino. Ler Josué é saber mais sobre a vida". O acervo guarda preciosidades, como a imagem acima: Edgar Vasques, Moacyr Scliar, Luis Fernando Verissimo e Josué Guimarães em um registro de 1977, ano em que trabalharam juntos na produção de um livro encomendado pela agência de publicidade Martins & Andrade como brinde de fim de ano para os clientes. Escrito a oito mãos, Pega pra Kapput! foi um sucesso, editado em 1978 pela L&PM.
Para Fischer, a avaliação da obra de Josué Guimarães ainda está em aberto e merece constantemente ser estudada e repensada. "Tenho a impressão de que o trânsito da obra dele entre o relativo prestígio e sucesso e a atual condição transcorreu de modo inadequado, ao menos no sentido do debate público, na imprensa, na universidade e mesmo no universo editorial. Me dou conta de que pessoalmente ele se mantém como uma referência para mim em muitos sentidos."

Atuação política

Embora tenha tido apenas um mandato parlamentar - no começo dos anos 1950, quando foi eleito vereador de Porto Alegre pelo PTB - Josué Guimarães teve um forte envolvimento com a política por toda a vida. Começou como chefe de gabinete de João Goulart na Secretaria de Justiça do Rio Grande do Sul, no governo Ernesto Dornelles. Depois da curta experiência na Câmara dos Vereadores, Josué acompanharia Jango novamente, desta vez mudando-se para Brasília onde seria empossado como diretor da Agência Nacional, hoje Empresa Brasileira de Notícias. Permaneceria no cargo até o golpe de 1964. "Josué foi cassado e muito perseguido pela ditadura, principalmente pela sua ligação próxima tanto com Jango quanto com Brizola", lembra Ivan Pinheiro Machado.
A ditadura o cassaria, mas não afastaria Josué da política. Passaria um tempo clandestino em São Paulo, manteria contatos com deputados e senadores de oposição e teria uma participação ativa na luta por anistia e pela volta dos exilados. Em uma entrevista concedida aos editores da L&PM dois anos antes de morrer, Josué deixou seu testamento literário. "Todos os meus livros devem estar marcados com uma presença política ou pelo menos com um posicionamento político. Eu acho que escrever só o romance pelo romance eu não vejo muito fundamento. Eu acho que eu sou um animal essencialmente político."
 

Márcio Pinheiro é porto-alegrense e jornalista. Trabalhou em diversos veículos da Capital, como Zero Hora, Gazeta Mercantil, RBS TV, Rádio FM Cultura e Correio do Povo; além de São Paulo (Jornal da Tarde) e Rio de Janeiro (Jornal do Brasil). Lançou nesta semana o livro Ayrton Patineti dos Anjos - Lembranças, sons e delírios de um produtor musical (Plus Editora), escrito em parceria com Roger Lerina.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
JESÚS CARCAVILLA 01/11/2018 11h59min
Acredito que os critérios para escolher o Patronato da Feira do Livro deveria ser aberto, tanto para os falecidos como para os vivos. Não se deve deixar autores consagrados (vivos ou não) fora dessa homenagem.