Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 07 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

COMENTAR | CORRIGIR

CINEMA

Edição impressa de 16/10/2018. Alterada em 16/10 às 09h11min

Imersão no espaço permeia drama O primeiro homem, que estreia nesta quinta

Ryan Rosling interpreta o astronauta Neil Armstrong, primeiro a pisar na Lua

Ryan Rosling interpreta o astronauta Neil Armstrong, primeiro a pisar na Lua


UNIVERSAL PICTURES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
O diretor Damien Chazelle recebeu críticas por não ter incluído uma cena emblemática para o nacionalismo norte-americano em seu novo filme, O primeiro homem. Com estreia no Brasil nesta quinta-feira (18), o longa-metragem, de fato, não tem nem metade do ufanismo que poderia ter: ao retratar a epopeia que levou o astronauta Neil Armstrong a dar os primeiros passos na Lua, o cineasta prefere adotar uma visão intimista e destacar mais a jornada pessoal do que a conquista coletiva.
O longa-metragem tem base na biografia de Armstrong, escrita por James R. Hansen, e acompanha o protagonista em uma linha de tempo entre 1961 e 1969. Para estrelar a história, Chazelle convocou Ryan Gosling, com quem trabalhou no premiado musical La la land - Cantando estações (2016). Se, no projeto anterior, o tom era colorido e festivo, ainda que com certa melancolia, desta vez, cineasta e ator apostam em um clima soturno, atuação minimalista e ritmo lento, apesar da grandiosidade do evento retratado.
Estreante em obras baseadas em fatos reais, Chazelle deve ter pensado muito sobre como narrar uma história cujo final é conhecido por todos. A saída encontrada foi realizar um filme-experiência, de investigação sobre a mente e o coração de Armstrong, mas também de imersão nos desafios e belezas de viajar pelo espaço.
O papel de um homem também reconhecido pela introspecção é prato cheio para Gosling, que, entre críticas e elogios, já interpretou personagens de feitio semelhante - como em Drive (2011) e o recente Blade Runner 2048 (2017). Na linha tênue que separa a sutileza da inexpressão, o artista constrói um protagonista, de certa forma, munido de solidão para seguir vislumbrando a Lua. Armstrong é apresentado ainda antes do início de sua trajetória no programa espacial, com enfoque para aspectos pessoais que vão pautar sua personalidade ao longo da obra. Detalhes biográficos à parte, é difícil vê-lo como um herói carismático a ponto de ganhar torcida incondicionalmente, mas fácil compreender sua situação emocional e especular sobre sua obstinação.
Já narrativamente, o longa-metragem usa e abusa dos planos fechados - em rostos, abraços, gestos técnicos em cabines claustrofóbicas -, e Chazelle mostra todos os riscos envolvidos no projeto Apollo. Para ser assistido na maior tela e com o melhor sistema de som possível, O primeiro homem tem como grande mérito colocar o espectador junto aos astronautas, sofrendo turbulências na órbita, lutando contra problemas técnicos e vislumbrando o que Armstrong chama de uma mudança de perspectiva.
Com imagens granuladas das gravações em 16 mm, a fotografia do filme concede ao enredo charme e nostalgia de uma época em que um sonho se tornou realidade, ainda que parte do romantismo tenha se esvaído ao longo do projeto. Nesse sentido, o drama também faz alguns adendos, mesmo que de maneira econômica: entram em pauta, por exemplo, o custo social para as missões serem realizadas e a repercussão de episódios que antecederam a bem-sucedida trajetória dos tripulantes da missão Apollo 11.
Como história, o longa-metragem funciona como complemento a Os eleitos, trabalho de 1983 dirigido por Philip Kaufman e dedicado aos primeiros anos do programa espacial norte-americano, e a Estrelas além do tempo (2017), de Theodore Melfi, sobre o grupo de funcionárias negras que trabalhou na corrida espacial. Os três títulos apresentam alguns personagens em comum - mencionados em maior ou menor escala, dependendo do filme -, como Deke Slayton. Um dos primeiros selecionados para voar no programa espacial, ele passou a atuar como chefe de astronautas da Nasa por questões de saúde.
Em O primeiro homem, o papel é de Kyle Chandler, da série Bloodline. Também estão no elenco Claire Foy (premiada por interpretar a jovem Rainha Elizabeth II em The Crown), ótima no papel de Janet, esposa de Armstrong; e Jason Clarke (A hora mais escura), interpretando um dos colegas do protagonista. O responsável pela adaptação do livro para um roteiro cinematográfico é Josh Singer, vencedor do Oscar por Spotlight - Segredos revelados.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
ANDRE LUIZ TONON 06/12/2018 22h24min
Exagerado dizer que é o melhor de 2018?nnFiz minhas considerações aqui:nA chegada do homem à Lua talvez seja a história mais fantástica da humanidade. Por si só ela teria todos os ingredientes para a construção de um gigantesco blockbuster dirigido por James Cameron, com sons de orquestra, astronautas galãs e heróis, a multidão em êxtase e a bandeira americana fixada em solo lunar. Teria, se Chazelle não estivesse à frente da direção e produção do longa. Ele faz toda a diferença