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Porto Alegre, terça-feira, 09 de outubro de 2018.
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09/10/2018 - 01h00min. Alterada em 09/10 às 01h00min

A revolução dos bichos, de George Orwell, ganha versão em quadrinhos

Álbum condensa o clássico publicado em 1945 numa sequência de páginas pintadas em tinta acrílica

Álbum condensa o clássico publicado em 1945 numa sequência de páginas pintadas em tinta acrílica


QUADRINHOS NA CIA/DIVULGAÇÃO/JC
Libelo contra o totalitarismo e defesa apaixonada da liberdade de expressão, A revolução dos bichos ganha uma nova versão em quadrinhos pelas mãos do artista gaúcho Odyr, conhecido pelos álbuns Copacabana e Guadalupe, e por participar de coletâneas como Irmãos Grimm em quadrinhos e MSP 50 anos. Lançado na semana passada pelo selo Quadrinhos na Cia., da Companhia das Letras, o álbum condensa o clássico de George Orwell publicado em 1945 numa sequência de páginas pintadas em tinta acrílica.
Cada uma delas praticamente se transforma em uma tela, o que confere ao conjunto uma força e personalidade próprias. "O caráter independente de cada página, essa solidez da imagem, tem a ver com uma realidade que a pintura cria com suas texturas", afirma o artista.
A revolução dos bichos em quadrinhos (176 páginas, R$ 69,90) é a segunda de uma série de adaptações para o formato a partir de encomendas da Companhia das Letras a artistas brasileiros. A primeira foi O idiota, de Dostoiévski, assinada por André Diniz. Para o futuro, estão programados pelo menos mais dois títulos importantes: A obscena Senhora D, de Hilda Hilst (autora homenageada este ano na Festa Literária Internacional de Paraty), por Laura Lanes, e o clássico francês Os miseráveis, de Victor Hugo, por Francisco Marcatti.
Quando começou a pensar no projeto, Odyr imaginou a adaptação como um livro infantil para adultos. Houve um momento em que imaginou até um álbum só com páginas inteiras pintadas. Eventualmente, no entanto, os quadrinhos acabaram se impondo: "O resultado ainda é um livro bem aberto, com uma visualização muito simples. Isso é algo que me agrada, parece inclusivo. Ainda tem uma grande parte do público com dificuldade de ler uma página dividida em muitos quadrinhos. Não sabe exatamente como entrar naquilo", explica.
Foi o editor André Conti, hoje na Todavia, que fez o convite para Odyr adaptar A revolução dos bichos para o formato. Segundo o artista, a obra tem uma mensagem fundamental, atemporal e universal. Uma advertência que, segundo ele, ganha força no momento em que o País e o mundo testemunham o crescimento do fascismo e de ideias totalitárias: "Tive zero dúvida a respeito de aceitar o desafio. O livro é uma apaixonada defesa da liberdade de pensamento e da democracia, dois valores ameaçados pela celebração da ignorância e sinistras nostalgias militaristas", conta.
O trabalho de condensação do texto passou por uma seleção do que era fundamental na obra original, identificar quais eram os personagens-chave da história, como o senhor Jones e os porcos Napoleão e Bola de neve, e eliminar as referências históricas muito complexas para o leitor médio contemporâneo. "O livro tem a vantagem de ser breve. Então, pude fazer algo que me agrada muito: expandir, abrir espaços. Explico: tem cenas de batalhas ali que duram um parágrafo e, na minha versão, ganham quatro ou cinco páginas", ressalta o artista. "Acabei me concentrando no que é universal e atemporal na história", completa ele, que usou a tradução de Heitor Aquino Ferreira na adaptação.
O gaúcho tem plena noção de que nenhuma adaptação ocupa o espaço da obra original. Ele espera, no entanto, que seu trabalho retenha o suficiente do livro de Orwell para ter um efeito transformador nos jovens leitores: "Ou seja, inspirar a ideia de que mudar o mundo é possível e necessário. Os jovens leitores são o que mais me anima nesse projeto, o que mais me dá a sensação de ter feito algo significativo no mundo. Plantar uma semente de empatia, transformação, pensamento crítico e apreciação da democracia", afirma.
Na sequência, Odyr lança outro livro com a mesma Companhia das Letras. Será, segundo ele, um livro de cartuns sequenciais: "Vai se chamar No fundo do poço tem uma piada e será sobre como o humor salva o mundo. O humor como a última linha de defesa do ser humano contra os horrores do mundo", encerra.
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