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Porto Alegre, segunda-feira, 01 de outubro de 2018.
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Cultura

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CINEMA

Edição impressa de 01/10/2018. Alterada em 01/10 às 01h00min

Daniel de Oliveira e Osmar Prado estrelam cinebiografia do boxeador Éder Jofre

Daniel de Oliveira (esp.) interpreta Éder Jofre e Osmar Prado (dir.) faz seu pai em cinebiografia

Daniel de Oliveira (esp.) interpreta Éder Jofre e Osmar Prado (dir.) faz seu pai em cinebiografia


IMAGEM FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Nos cinemas do País, 10 segundos para vencer, de José Alvarenga Jr., é uma cinebiografia do boxeador brasileiro Éder Jofre. Daniel de Oliveira encara o papel de um dos maiores pugilistas da história (para tal, teve intensa preparação física com lutadores). Osmar Prado interpreta Kid Jofre, pai e implacável treinador do bicampeão mundial de boxe.
O filme revela a incrível trajetória Éder Jofre (hoje com 82 anos), que desafia seus próprios limites até conquistar seu primeiro cinturão de ouro, em 1961, nos Estados Unidos. Depois de cinco anos de glória, defendendo o título sem nunca ter sofrido um nocaute, em 1966 ele decide parar de lutar para levar uma vida comum, longe dos ringues, mas perto da mulher, Cida (Kelli Freitas), e dos filhos pequenos. A paixão pelo esporte leva Éder a voltar a treinar e, mesmo após um longo período parado, ele recupera a antiga forma e conquista mais um cinturão de ouro, em 1973, aos 37 anos. O elenco também conta com Sandra Corveloni (Angelina, mãe de Éder), Ricardo Gelli (Zumbanão, tio) e Ravel Andrade (Doga, irmão).
Éder nasceu em São Paulo, em 1936, e abriu mão do sonho de trabalhar com desenho e arquitetura para seguir a tradição da família de pugilistas. Seu pai, o argentino José Aristides Jofre (1907-1974), conhecido como Kid Jofre, foi um respeitável boxeador, mas se destacou mesmo como o incansável e austero preparador do filho.
No 46º Festival de Cinema de Gramado, em agosto último, o cineasta comentou que era um orgulho estar no festival apresentando uma história familiar, com um episódio nacional que não merece ser esquecido. O elenco de 10 segundos para vencer saiu do evento com os dois Kikitos de atuação masculina. Osmar Prado, com o Kikito de melhor ator, foi ovacionado pela plateia (apesar de suas manifestações políticas contrárias à prisão do ex-presidente Lula). Ricardo Gelli foi eleito o melhor ator coadjuvante dos longas nacionais concorrentes.
Na coletiva de imprensa na Serra, os realizadores foram questionados sobre o papel de Gelli na construção da narrativa. "Zumbanão era irmão da Angelina, foi primeiro grande lutador da família. Dramaturgicamente, usamos ele como uma mola de exemplo para o Éder do que ele não tinha que fazer para chegar a ser campeão do mundo. Ele era peso pesado na vida real. Um 'porra loca', como se diz no Rio de Janeiro", conta o roteirista Thomas Stravos.
O diretor complementa: "Nesse prólogo, esse personagem é para apresentar uma figura da antítese do boxe e para mostrar que aquele menino que queria lutar boxe teria que enfrentar aquele nível de exigência do pai". Alvarenga é taxativo: "Éder Jofre só foi o que foi porque era extremamente disciplinado. Ela um lutador que seguia as regras, ele estudava o boxe, era estrategista. E essa era a história conflituosa dele".
Para o produtor Flavio Tambellini, o longa é um resgate de um herói nacional, "em um momento em que temos tão poucos heróis. Lembrar de brasileiros que fizeram história pelo lado bem é fundamental para nos autorrespeitarmos mais". "É um filme também para o público curtir, mas respeitando as regras da cinematografia", explica, informando que foi uma construção demorada. Osmar Prado afirmou que o projeto era de Thomas Stravos, "o pai da ideia". O roteirista resgata o processo: "Há uns 10 anos, estava dormindo e sonhando que lutava e as pessoas me chamavam de Éder. Eu sou de uma geração que não viu o Éder lutar de verdade. Acordei enlouquecido: Quem é Éder Jofre? Sabia que tinha sido um boxeador. Aí um amigo que manjava de esportes me disse que ele tinha sido um grande campeão do mundo". Assim, o escritor foi atrás dele, mas o veterano era reticente e não queria lhe atender. "Num Dia dos Pais, ele me ligou, queria me conhecer. Na época, eu só tinha feito teatro e expliquei que não era ninguém famoso, um cara pequeno. E ele me respondeu: 'Olha, garoto, antes de eu ser campeão do mundo eu não era ninguém. Passa aqui em casa'."
Stravos relata ainda: "Tive 100% de liberdade. Nem ele, nem os filhos me disseram o que contar ou não. Foram 13 tratamentos. O Alvarenga foi selecionando tudo o que tinha de bom nesses textos. Não havia nada que denegrisse a imagem do Éder". Todo esse período foi em busca de um roteiro ideal: "Quando eu descobri que, de certa forma, o pai era o protagonista, porque era o grande mentor do Éder, achei que ali tinha uma maneira de narrar esse filme. E o Alvarenga é um diretor que escreve, ele leu todos os rascunhos, tínhamos que chegar numa história bonita".
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