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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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dança

Edição impressa de 24/09/2018. Alterada em 24/09 às 09h32min

Geda Cia. de Dança celebra 35 anos com apresentações em Porto Alegre

Graziela Silveira vive Frida Kahlo no espetáculo 'Às vezes, eu Kahlo'

Graziela Silveira vive Frida Kahlo no espetáculo 'Às vezes, eu Kahlo'


SABRINA CANTON V. HELDEN/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
De Alegrete para Porto Alegre. Criada em 1983 no Interior, desde o ano 2000 a Geda Cia. de Dança Contemporânea está presente na Capital. Em 2018, quando completa 35 anos, a companhia organiza uma série de apresentações do projeto De lá pra cá, sendo uma das últimas Às vezes, eu Kahlo e a volta de Verde (In)Tenso, ambas ocorrendo no Theatro São Pedro (praça Mal. Deodoro, s/nº) amanhã, às 20h, no valor de R$ 40,00.
A história do Geda se iniciou antes mesmo de sua criação. Sua fundadora, a coreógrafa Maria Waleska van Helden, já contava com experiência no mercado há pelo menos 10 anos, com a escola de dança que leva seu nome em Alegrete. Passado uma década com a Escola Maria Waleska, a diretora de Às vezes, eu Kahlo percebeu a necessidade de uma maior qualidade estética e de movimento, passando de um ensino da dança do nível escolar para o profissional. Focada na dança contemporânea, a companhia disseminou o gênero com diversas apresentações na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
A mudança para Porto Alegre no início do século se deu como uma forma de expansão para a Geda, que passou a atuar também com a dança-teatro. É daí que vem o nome do projeto: De lá pra cá é uma analogia à mudança da escola de Alegrete para a Capital. Tendo já criado espetáculos elogiados, como Cem metros de valsa e um grama (prêmio Açorianos de Dança em 2011), sobre a vida de Frédéric Chopin; e Não me toque estou cheia de lágrimas - Sensações de Clarice Lispector; agora a nova apresentação é sobre Frida Kahlo, uma das mais importantes e influentes artistas mexicanas. A vida da mexicana é contada na peça solo Às vezes, eu Kahlo pela bailarina-intérprete Graziela Silveira. "Graziela é uma bailarina contemporânea, que dança sem nenhum tipo de vaidade, com entrega completa para a personagem", define Maria Waleska.
Bem como as outras montagens da companhia, a produção se deu a partir de uma extensa pesquisa de personagem, ainda mais por contar somente com Frida em cena. A trajetória da pintora mexicana é contada a partir do ponto em que ela sofre um grave acidente, quando ainda tinha 18 anos, e que a causou lesões e dores para o resto da vida. "O retrato da dor não somente física, mas também sentimental, era o que queríamos transmitir ao público. Mesmo que tivesse que lidar com a dor, ela continuava a criar sua arte", conta a coreógrafa, reforçando que a Frida que queria abordar é "aquela que não está nas canecas".
A dificuldade de produção do espetáculo não se restringe em retratar alguém com dores. Em decorrência das lesões, a movimentação da artista era menor e debilitada. E como ficou o resultado final? Isso poderá ser visto pelo público. "Queríamos trazer a contradição da imobilidade móvel ao palco. Trabalhar com a imobilidade na dança é algo quase esquizofrênico." Também haverá apresentações no Largo Glênio Peres nos dias 27, 28 e 29 de setembro.
Além do espetáculo inédito, também retorna a montagem vencedora do Prêmio Klauss Vianna 2016, Verde (In)Tenso. Trata-se de uma leitura contemporânea do Estado, com uma representação da identidade do gaúcho - a peça conta com uma alteração se comparada ao original: agora, estão todos os participantes da Geda na apresentação.
O projeto De lá pra cá, que conta com todas as montagens da companhia neste ano, ainda terá Vaga. A peça será parte do Gestos Contemporâneos, no dia 11 de novembro, no Multipalco do Theatro São Pedro. Última apresentação em Porto Alegre no ano, Vaga fala sobre o processo de mudança dos migrantes de seu local de origem para o ambiente em que se estabelecem. "Por mais que a maior parte do elenco seja da Geda, haverá migrantes africanos, haitianos e venezuelanos", afirma Maria Waleska. Um dos mais ativos dos migrantes será Loua, responsável pelo segmento de percussão do espetáculo.
Envolvida com a dança desde seus quatro anos, a coreógrafa faz um balanço de quão presente é a mesma em sua vida. "Após meus três filhos, dançar é o que eu mais valorizo."
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