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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de setembro de 2018.
Dia do Transportador Rodoviário de Carga.

Jornal do Comércio

Cultura

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ARTES VISUAIS

Edição impressa de 17/09/2018. Alterada em 17/09 às 01h00min

Reflexão sobre a aura permeia exposição no Margs

O poder da multiplicação tratan da linguagem e das técnicas de reprodução na arte

O poder da multiplicação tratan da linguagem e das técnicas de reprodução na arte


MARIANA CARLESSO/JC
Caroline da Silva
Fica em cartaz até 11 de novembro, no Margs (Praça da Alfândega, s/nº), a mostra coletiva O poder da multiplicação, promovida pelo Goethe-Institut Porto Alegre. Com 14 artistas contemporâneos brasileiros e alemães, tratando da linguagem e das técnicas de reprodução na arte, da gravura à era digital, a exposição tem visitação gratuita de terças-feiras a domingos, das 10h às 19h.
Nos salões principais do museu, estão mais de 80 obras, entre gravuras, vídeos, instalações, street art, fotografias e obras em 3D e realidade aumentada, de artistas como Carlos Vergara, Hanna Hennenkemper, Olaf Holzapfel, Ottjörg A.C., Regina Silveira, Vera Chaves Barcellos, Thomas Kilpper e Tim Berresheim (este auxiliado por óculos 3D e aplicativo para IOS). Com um caráter de interação e participação do espectador, a mostra terá ainda o lançamento de um jogo em 16 de outubro, Aura Remastered, criado pela equipe da professora Paula Mastroberti (Instituto de Artes da Ufrgs). Já o catálogo da exposição será lançado em novembro, mas os textos já estão disponíveis na internet.
Na abertura, houve a apresentação do grupo de canto e dança Nhamandu, com 20 crianças da aldeia indígena Pindó Mirim (Viamão). Eles estavam próximos do painel Terra à vista, de Xadalu - que se define como um artista visual ativista da causa indígena e entusiasta da vida urbana. Suas serigrafias foram feitas na hora e distribuídas ao público. A artista Helena Kanaan apresentou a performance Ritidomas, que explora suas obras vestíveis de látex.
Segundo o curador alemão Gregor Jansen (diretor do Museu Kunsthalle de Düsseldorf), vivemos em tempos que os processos de reprodução dominam os processos de produção: "Os artistas refletem - em diferentes técnicas, desde as tradicionais até as novas tecnologias - sobre o fato de tudo permanentemente estar sendo reproduzido, quando as pessoas entram em um museu procurando originais".
Conforme Jansen, a digitalização intensificou o panorama, há 10 anos. "Hoje, os jovens, natos digitais, tratam com isso naturalmente. Mas o que significa para o campo das artes? Não foi refletido ainda profundamente", questiona o curador, que anteriormente era crítico de arte. Ele também explicou que o evento ocorre em Porto Alegre porque no Rio Grande do Sul a gravura, "uma arte reprodutível", sempre teve grande importância.
Para O poder da multiplicação, Jansen teve como conselheiros Paulo Gomes, Francisco Dalcol e Andreas Schalhorn. Para Dalcol, um aspecto interessante é que a mostra transcende o espaço expositivo, vista como uma plataforma. "É uma forma de ter muitas vozes, muitas leituras." Outro caráter destacado pelo consultor é que ela faz uma interrogação: "Propõe uma discussão a partir de um eixo muito bem definido, a questão do múltiplo, da reprodutibilidade, para pensar essa questão que num primeiro momento é material-física, da impressão gráfica, no estatuto que vivemos hoje, de muitas imagens circundantes".
Um ponto que o curador queria explorar bastante, além da interação e das tecnologias, era a relação entre manipulação digital e memória cultural, presente nos trabalhos do gaúcho Rafael Pagatini e da paraense Flavya Mutran, por exemplo. Ela apresenta a série Delete.use, em que retira os personagens de imagens famosas difundidas pelos meios de comunicação, e a obra fotoLAB_ (dispositivo em papel para incitar ocupações audiovisuais em fototerritórios).
Natural de Caxias do Sul, Pagatini mora em Vitória há três anos, onde é docente de Gravura na Universidade Federal do Espírito Santo. No Margs, tem dois trabalhos expostos: Bem-vindo, presidente! e Manipulações, ambos fruto de suas pesquisas sobre relações da memória com a arte, e as questões políticas nessa discussão. O primeiro reproduz anúncios do jornal Gazeta do estado capixaba na época dos chamados grandes projetos (período militar), e o segundo amplia uma imagem digital de um Fusca incendiado nas manifestações de 2013 em madeira de tapume. "Um carro ardendo em chamas é quase uma decadência do projeto moderno de Brasil", diz o autor.
A exposição traz, ainda, uma sessão especial, intitulada O jornal como obra de arte. São edições especiais de diários alemães, com imagens ilustrativas para matérias somente de artistas do país e não fotografias jornalísticas.
Em 2019, a mostra será apresentada no Leipziger Baumwollspinnerei, em Leipzig (segundo Jansen, a cidade-berço da impressão na Alemanha), de 28 de fevereiro a 24 de março, dentro um amplo projeto (O poder da multiplicação - Arte reprodutível na América do Sul e na Alemanha: do pré-digital ao pós-digital ou da gravura, passando pelo xerox, até o 3D), desenvolvido pelo Goethe-Institut, que aborda o campo da arte impressa desde 2015 em suas mostras, oficinas e concursos, além da criação de uma rede sul-americana de ateliês de gravura.
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