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Festival de Gramado

21/08/2018 - 14h48min. Alterada em 12/06 às 10h23min

Simonal reconta história controvertida do cantor negro mais popular do Brasil

Caco Ciocler, Fabrício Boliveira (c) e Ísis Valverde compõem o elenco do filme

Caco Ciocler, Fabrício Boliveira (c) e Ísis Valverde compõem o elenco do filme


Fabio Winter/Pressphoto/JC
Caroline da Silva, de Gramado
A cinebiografia Simonal, de Leonardo Domingues (estreando em longa de ficção), era muito esperada no 46º Festival de Cinema de Gramado pelo sucesso dos atores que compõem o elenco: Fabrício Boliveira (personagem-título), Ísis Valverde (esposa Tereza) e Caco Ciocler (agente do DOPS). Boliveira e Ciocler estão no ar na novela Segundo Sol, da faixa das 21h na Rede Globo, interpretando “irmãos inimigos” da família Athayde. Já a bela atriz Ísis, atualmente grávida, espalha graça pela cidade, e já havia trabalhado com Boliveira fazendo o casal protagonista de Faroeste Caboclo (2013), de René Sampaio.
A cinebiografia Simonal, de Leonardo Domingues (estreando em longa de ficção), era muito esperada no 46º Festival de Cinema de Gramado pelo sucesso dos atores que compõem o elenco: Fabrício Boliveira (personagem-título), Ísis Valverde (esposa Tereza) e Caco Ciocler (agente do DOPS). Boliveira e Ciocler estão no ar na novela Segundo Sol, da faixa das 21h na Rede Globo, interpretando “irmãos inimigos” da família Athayde. Já a bela atriz Ísis, atualmente grávida, espalha graça pela cidade, e já havia trabalhado com Boliveira fazendo o casal protagonista de Faroeste Caboclo (2013), de René Sampaio.
No entanto, após a exibição no Palácio dos Festivais na noite de segunda-feira (20) e o debate da manhã desta terça (21) no Hotel Serra Azul, o resultado da recepção do filme foi muito mais focado na trajetória do protagonista na MPB e dos temas que acaba abordando: racismo, política e a repressão das mulheres na época. Foram elogiados pelos críticos os grandes belos planos-sequência de shows de Simonal – antes e após a derrocada de sua imagem durante a ditadura militar. Os jornalistas apontaram que, nos dias de hoje, o filme funciona como uma advertência sobre o papel da imprensa e que seu sumiço na época, dado o apelo popular entre todas as classes, foi uma cicatriz temporal. Muitos consideram o que aconteceu com Simonal uma grande injustiça racial da história brasileira, desferida – controvertidamente – pela Esquerda.
O produtor Roberto Berliner afirmou que o artista foi um personagem gigantesco da história e que a penetração dele com todos os públicos incomodou muita gente. A obra deve estrear no primeiro semestre de 2019. Na coletiva de imprensa do filme, um repórter peruano perguntou o motivo de um longa como este ser feito sobre o cantor somente agora, não entendendo todas as variantes políticas que acometeram a classe desde então.
O diretor contou que a ideia da produção surgiu em 2010. “Não tinha intenção de trabalhar junto com os filhos do cantor, isso foi acontecendo depois, na parte da trilha e da produção musical. Mas eles sempre deram liberdade total, nunca disseram o que tinha que ter ou não.”
O primogênito Wilson Simoninha destacou que o lançamento do título é relevante para falar dessa passagem obscura e, que durante a narrativa, queria que a música tivesse sua importância, como era para o pai. A filha do meio, Patrícia Simonal, e o caçula Max de Castro também estavam presentes. “São muitos artistas que se reuniram para homenagear outro artista. Isso para mim já vale muito. O show business é uma máquina de moer carne. Veja como tantos astros morreram”, ressaltou Max.
Para o intérprete Fabrício Boliveira, o objetivo era a humanização do ídolo: “Meu desafio era entender o mito humano desse grande artista. Meu foco era desmistificar”. Na sua visão, “era a história de destruição de uma família (e o amor dela), de pessoas que conseguiram se reconstruir com o tempo. Para fazer a interpretação, fomos nos esbarrando nesses afetos, porque para mim afeto é verdade”.
Sobre o papel de anulação da esposa com o passar do tempo, quando o cantor vai se tornando mais famoso e infiel, Ísis diz que foi complicado filmar “com uma maçã na garganta”, que se sentia mal nas rodagens, teve enxaquecas, vivenciando aquelas situações: “Tinha que mostrar as pétalas sem esconder os espinhos dessa rosa. O amor que a Tereza tinha por ele era descomunal”. Max complementa: “Uma das grandes coisas do filme é a representação da minha mãe, a Ísis conseguiu fazer um alter ego dela”. O diretor confirmou, então, que seu desejo era falar dessa história de amor.
O tema final que esquentou a discussão na fria e úmida Gramado foi mesmo o racismo. Em cena do longa, o protagonista diz à cantora gaúcha Elis que quem virou a cara para ela a perdoou porque ela era branca e o mesmo não acontecia com ele por ele ser negro. Fabrício Boliveira concorda, e diz que chamavam Simonal de “negão abusado”, porque ele tinha carros importados, e que o álibi de tudo ter acontecido, de ele ter se dado mal, pois era um cara arrogante, não funciona. “Porque isso acontece com todo negro que chega a esse lugar. E eu sou uma raridade mesmo. Tem eu e quatro ou cinco hoje. E num País que tem mais de 50% da população negra, realmente, temos um equívoco aí, uma coisa muito errada, que perdura desde essa época. Isso eu sinto na pele. A questão racial é muito séria.”
O ator questionou os presentes sobre se houve outro ícone negro na música brasileira com o sucesso do carioca, questionando os motivos disso. Foram citados vários exemplos, e Boliveira disse que a magnitude dele pode ser comparada com a de Pelé, porém ainda considerando que este tinha o apelo do futebol, e eram ainda amigos contemporâneos.
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