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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de agosto de 2018.
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Cultura

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Festival de Gramado

Edição impressa de 22/08/2018. Alterada em 22/08 às 01h00min

Com primeira exibição nacional em Gramado, longa Benzinho merece aplausos

Já premiado fora do País, filme é uma coprodução Brasil e Uruguai

Já premiado fora do País, filme é uma coprodução Brasil e Uruguai


BIANCA AUN/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva, de Gramado
Benzinho, de Gustavo Pizzi (que coassina o roteiro com a atriz protagonista e sua ex-mulher, Karine Teles), teve sua primeira exibição nacional na competição do Festival de Gramado no fim de semana. Já premiado fora do País, é uma coprodução Brasil e Uruguai, tendo sido contemplado pelo programa Ibermedia.
O longa teve sua estreia mundial na competição do Festival de Sundance e participou da Mostra Voices no Festival de Roterdã. Venceu o prêmio do júri e da crítica no Festival de Málaga e do júri do Festival de Cinema Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira. Participou de muitos outros eventos na Europa e nos Estados Unidos, a produtora Tatiana Leite frisou que foram seis meses viajando. O projeto foi selecionado pela La Fabrique des Cinemas du Monde, durante o Festival de Cannes de 2013. A produção, enfim, chegou mais que gabaritada para a competição em Gramado e, após a exibição, mostrou ainda mais força com a repercussão da recepção da mensagem de afeto por parte de público e crítica.
Rodado em Petrópolis e na litorânea Araruama, no Rio de Janeiro, e estrelado por Karine Teles (Que horas ela volta?) mais Adriana Esteves, Otávio Müller e Konstantinos Sarris, Benzinho é um tratado de amor familiar tipicamente brasileiro. Um filme sensível, que arrebata crítica e público (por cenas cômicas com as quais é fácil se identificar). O longa é contado sob o ponto de vista de uma clássica personagem feminina que desempenha diversos papéis em sua vida cotidiana. Irene (Karine) mora com o marido Klaus (Otávio Müller) e seus quatro filhos. Ela está terminando os estudos enquanto se desdobra para complementar a renda da casa e ajudar a irmã Sônia (Adriana Esteves), que também tem um filho pequeno e sofreu violência doméstica (marido, Alan, é interpretado pelo uruguaio Cesar Troncoso).
O primogênito Fernando (Sarris, ator grego em sua estreia nos cinemas) é goleiro do time de handebol, herói no seu time. Ele é convidado para jogar na Alemanha, fica exultante e precisa ser emancipado. Irene leva um choque com a nova situação, e tem 20 dias para lidar com o iminente "abandono" e os antigos problemas financeiros da família.
Uma curiosidade sobre o título é que Benzinho é, em todos os sentidos, um filme de família. Os filhos dos realizadores roubaram a cena durante a coletiva. Os gêmeos nascidos em 2011 (quando o primeiro filme do então casal, Riscado, foi aclamado no Festival de Gramado) participam do novo longa como atores. O roteiro começou em 2012, quando eles eram bebês, e o projeto não os incluía. Porém, fazer cinema no Brasil é demorado, conforme conta Karine. A pré-produção começou em 2013, e nesse meio-tempo, a atriz e o diretor se separaram, mas seguiram trabalhando juntos.
Certo dia, um dos meninos, Francisco, ficou doente e não foi à escola. Ele acabou acompanhando os pais em um teste e se destacou na dinâmica de atores mirins da qual quis participar. Assim, o terceiro filho da trama foi adaptado para uma dupla de meninos gêmeos. E o filho do meio (Rodrigo) ainda é interpretado por Luan Teles, sobrinho da atriz na realidade, ou seja, primo dos carismáticos Arthur e Francisco Teles Pizzi.
Mostrando a engenharia e o malabarismo de uma mãe cuidando de todos os aspectos familiares e ainda levando adiante os seus objetivos, para Karine, o trabalho de direção de Pizzi amplia o olhar sobre a questão que pode parecer banal: "É mundial, na grande maioria, a mulher é a única responsável pela estabilidade emocional da família, quando não responde pela segurança financeira e não é a única responsável pelo cuidado com a casa e as crianças. Ninguém fala sobre isso, é um trabalho menosprezado, quase invisível".
Segundo a atriz e roteirista, com a conexão entre uma cena e outra, "conseguimos enxergar e sentir a gigantesca complexidade de emoções e de sentimentos da vida de uma mulher como mãe. Não dá nem tempo de ela sofrer, a vida é um turbilhão".
Os realizadores ainda comentam que as três casas que aparecem na obra também cumprem funções no filme: são lugares de memória, principalmente da relação com o filho mais velho, que está partindo. "É uma metáfora da movimentação da vida das pessoas", afirma o diretor. "A casa é um grande personagem. Ela é a alma da família e a cabeça da Irene: aquela construção da família vai cair, não tem como segurar, tem que mudar", analisa Karine.
Pizzi destaca que o título era Benzinho antes de começarem as filmagens: "É um jeito peculiar que ela chama só os filhos, ajuda a expressar esse carinho. É um filme que se comunica com todos. Gostando ou não, as pessoas de todas as classes sociais, credos, posições políticas vão entendê-lo e dialogar com ele".
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