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Porto Alegre, terça-feira, 24 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Edição impressa de 24/07/2018. Alterada em 24/07 às 01h00min

Filme brasileiro acompanha a trajetória de um casal ao longo de uma década

Alguma coisa assim apresenta casal de amigos em três momentos ao longo de uma década

Alguma coisa assim apresenta casal de amigos em três momentos ao longo de uma década


VITRINE FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
O cineasta norte-americano Richard Linklater foi aclamado nos últimos anos por mostrar o amadurecimento e a passagem do tempo em dois projetos: a trilogia do Antes, que acompanha um casal em três filmes, Antes do amanhecer (1995), Antes do pôr do sol (2004) e Antes da meia-noite (2013), e Boyhood (2014), filme sobre o crescimento de um garoto, gravado ao longo de 12 anos. O filme nacional Alguma coisa assim, que estreia na quinta-feira, segue na mesma esteira - embora seja um trabalho de proporção menor.
Com direção de Esmir Filho e Mariana Bastos, o longa-metragem apresenta dois jovens adultos que vivem um relacionamento difícil de rotular, em três momentos de uma década. Cenas gravadas em 2006, 2013 e 2016 se misturam no enredo de forma não cronológica: a narrativa mostra Caio (André Antunes) chegando em Berlim, onde reencontra Mari (Caroline Abras), amiga que, na adolescência, presenciou a primeira vez que ele beijou um homem, ainda em São Paulo.
O filme tem o mesmo nome do curta-metragem que Esmir Filho e Mariana Bastos dirigiram em 2006 - o qual lhes rendeu um prêmio no Festival de Cannes e hoje está disponível para streaming gratuito na plataforma Vimeo. Mais tarde, a equipe se juntou para imaginar o que teria acontecido com aqueles personagens em um novo curta, Sete anos depois. Com material adicional, no entanto, perceberam que seria possível montar um longa - e, passado mais um tempo, foram rodar o fim da história em Berlim, onde se passa a maior parte da narrativa apresentada agora.
Alguma coisa assim, entretanto, não é apenas sobre uma relação de amizade e parceria. É com um misto de indiferença e curiosidade que os personagens percebem que a balada à qual foram há uma década não existe mais, por exemplo. A cena em questão não deixa de ser um apontamento dos roteiristas sobre a especulação imobiliária e os novos edifícios que insistem em brotar nas metrópoles brasileiras, mas serve também como metáfora para as reformas interiores pelo qual passaram os protagonistas.
Se as imagens captadas anteriormente contam a trajetória desses personagens, o que move o enredo ocorre no presente. O reencontro entre Caio e Mari não é só de maravilhas. Ela vive em apartamentos da empresa para a qual trabalha, se mudando conforme os imóveis são vendidos; ele chega à Alemanha para uma pesquisa temporária na área da medicina. Os dois sempre tiveram suas diferenças e chegaram a se distanciar, e a reaproximação tensiona aspectos dessa parceria.
Através do somatório dos diferentes momentos, Esmir Filho (responsável pelo premiado Os famosos e os duendes da morte) e Mariana Bastos apresentam um recorte cheio de questões para reflexão. Entram em pauta aborto, sexualidade, casamento, convenções e outras formas de família. Mas o maior mérito dos realizadores é que, mesmo que algumas questões fiquem abertas de forma claramente intencional, é a naturalidade dos personagens (e não lacunas na narrativa) aquilo que mais desperta a curiosidade a respeito de outros detalhes sobre os protagonistas. 
Como curiosidade, o Alguma coisa assim original (2006) foi o primeiro trabalho no cinema de Caroline Abras (de projetos televisivos como Felizes para sempre? e Mecanismo, além de filmes como Sangue azul). Rosto menos conhecido pelos espectadores, André Antunes é psicanalista e professor: ele interrompeu sua carreira de ator após o curta e a retomou justamente para dar continuidade ao projeto. Completam o elenco artistas como o ator alemão Clemens Schick, que participou de 007 - Cassino Royale.
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