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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de julho de 2018.
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Notícia da edição impressa de 16/07/2018. Alterada em 16/07 às 01h00min

Poeta e publicitário, Luiz Coronel prepara especial em comemoração aos seus 80 anos

Programação especial celebra os 80 anos do escritor e publicitário Luiz Coronel

Programação especial celebra os 80 anos do escritor e publicitário Luiz Coronel


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Frederico Engel
O clichê de que idade é apenas um número se aplica a Luiz Coronel. "Idade não é o sintoma mais alarmante da velhice", comenta o poeta e publicitário, que completa 80 anos hoje. Sendo um homem da literatura desde criança, Coronel segue empenhado em produzir cada vez mais.
Multifacetado escritor, Coronel tem, na bibliografia, clássicos como Os retirantes do Sul e Sabores de uma grande história - são apenas alguns destaques entre os mais de 70 títulos já escritos. Agora, com as oito décadas de caminhada, ele preparou uma programação especial que irá se estender ao longo dos próximos meses.
Perambulando pelas ruas de Bagé, com olhar atento aos elementos da cidade, o pequeno Luiz Coronel já compunha versos na sua cabeça. "Qualquer objeto que observava já me fazia idealizar algo e imaginá-lo de forma poética", relembra. Ele reforça que o olhar cuidadoso do poeta, é na verdade, um grande poder da arte: atribuir metáforas. "E é em contato com o mundo exterior que conseguimos isso. Adoro conversar com as pessoas, me ajudam a perceber outras realidades."
Como um poeta necessita de inspiração para ser capaz de escrever, Coronel enxerga como fundamental esta relação, defendendo que "não pode se posicionar em um pedestal acima de todos". Sendo o mundo atual uma influente temática do homem de Bagé, ele acredita que a sociedade está sem ideias novas, vivendo de ideologias ultrapassadas. "O intelectual deve refletir. Eu enxergo desta forma. Não nos preparamos para o mundo digital, não sabemos lidar com ele." Isso preocupa Coronel também no âmbito do conhecimento que os indivíduos são capazes de manifestar, afirmando que "o Google é apenas um guisado, o filé está nos livros" e de que nós devemos ser "pessoas de ação e pensamento".
Se o conhecimento é essencial para a transformação, o publicitário e escritor vê na política algo fundamental neste processo. Professor de política por 14 anos, agora, com a chegada dos 80 anos, se viu diante de uma nova empreitada: foi convidado para concorrer ao Senado na eleições deste ano, mas preferiu continuar dedicado à literatura e à publicidade. Talvez acredite que seja nos versos em que pode causar mais diferença e impacto.
"Há um menino na sinaleira... Em todas as sinaleiras, há um menino. O coração petrifica-se. O menino quer comprar pão, leite e cola para cheirar... E todos sabem que não há sinal verde para este país enquanto houver um menino na sinaleira." Neste trecho, retirado do livro-carta Poemas da aguerrida esperança, se pode observar um Coronel que critica o retrocesso atual da nação, sendo ele mesmo defensor de que a arte deve expor a podridão da política. "O Brasil marca um encontro com a história e não vai. A política do País é um veneno no córrego dos dias. É difícil observar alguma mudança próxima", afirma.
Coronel planeja, para setembro, o espetáculo Cantos de Leontina das Dores, que deve ocorrer no Teatro do Bourbon Country tendo Fafá de Belém como atração. Já sua obra Revolução Farroupilha será montada em novembro, com três apresentações na orla do Guaíba e, depois, sessões em escolas. Também em setembro, chegará aos palcos a peça A comédia gaúcha, com Oscar Simch, Fernanda Carvalho Leite, Elton Saldanha e Claudio Levitan envolvidos na produção. As sessões serão no Theatro São Pedro. 
Coronel é um exímio orador, capaz de estender uma conversa com assuntos que vão de política e economia a causos engraçados que ele puxa da memória da infância. A vida de publicitário corre junto com a veia do poeta, que não para nunca - a exemplo do poema Lira dos 80 anos, visto a seguir, redigido para este momento especial. 

Lira dos 80 Anos

Evito desafiar o tempo
colocando
minhas cartas na mesa.
Ele ganha sempre!
É dono do relógio,
xerife dos ventos,
sota-capataz das estações.
O tempo pediu que
eu beijasse sua mão.
Gritei, lépido e faceiro:
- Hoje não tenho tempo!
Desafiou-me a um duelo.
Ele tem modernos arsenais.
Tenho apenas um corta-unhas
e um canivete de
descascar laranjas.
Entre as vigas da memória,
ergui uma muralha
empilhando livros
e entrelaçando abraços.
O tempo enfiou o boné
no cabide do horizonte
concedendo-me, talvez,
meia-dúzia de aniversários.
Deu de ombros, advertindo:
- Poupa a gasolina
que não vais tão longe.
O que mais amas
está bem perto de ti.
O que tens a zelar?
- Tenho as lonjuras do Pampa
e a beleza do mar!
E o tempo embarcou
na ventania
 
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