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Porto Alegre, quarta-feira, 11 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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ARTES VISUAIS

Notícia da edição impressa de 11/07/2018. Alterada em 11/07 às 01h00min

Quando a mágica acontece: Museu do Trabalho inaugura exposição de Letícia Lopes

Mostra compreende 15 telas e um mosaico de pequenas placas de MDF também pintadas

Mostra compreende 15 telas e um mosaico de pequenas placas de MDF também pintadas


LUIZA PRADO/JC
Caroline da Silva
O Museu do Trabalho (Andradas, 230) inaugura nesta quarta-feira (11), às 19h, Por uma graça alcançada, de Letícia Lopes. Conectado com novos artistas e a efervescente produção criativa da Porto Alegre contemporânea, o espaço realiza esta nova mostra, resultado do prêmio concedido à artista por ocasião da 4ª edição da exposição Pintura e desenho - A novíssima geração, de 2017.
O título da individual veio de uma observação do curador, Henrique Menezes, às anotações da artista. "São aquelas plaquinhas que as pessoas deixam nas grutinhas." Ela mostra a foto de uma santinha na Praia da Cal: "Eu volto muito para Torres, é o meu porto seguro. Se eu estou muito pirada, vou para lá, fico dois dias e volto". Letícia explica que as várias manifestações de agradecimento despertavam seu interesse: "É uma espécie de eco, essa é a minha maneira de pensar: eu recorto e seleciono as imagens e aquela cacofonia de coisinhas me chamou atenção." O curador completou que a "graça alcançada" seria no sentido de iluminação total, pois o trabalho da jovem era muito escuro e está ficando mais claro.
A mostra no Museu do Trabalho compreende 15 telas mais um mosaico de pequenas placas de MDF também pintadas tendo como temática a apropriação de imagens anteriores, com algum simbolismo. Sua produção como artista sempre foi muito influenciada por enciclopédias, antes científicas, agora históricas. Um dos quadros da nova seleção, por exemplo, teve inspiração em uma fotografia impressa em uma enciclopédia rio-grandense, retratando ornamentos de uma igreja de São Miguel das Missões. Naquela imagem, já vinham os detalhes em tom laranja, significativo para esta montagem.
Letícia foi selecionada por um júri entre 58 jovens artistas inscritos (de até 29 anos). "A gaúcha tem seu pictórico amparado no fragmento, no ver em cacos. Tal como explicitado no título de sua mais importante individual, Presença sinistra, a tessitura de suas imagens também recolhidas em veículos diversos gera uma sensação de desassossego no espectador. Texturas e procedimentos típicos da pintura, juntos, alimentam uma obra visual das mais inquietas", afirma Mario Gioia, que foi curador de Scènario, na Galeria Aura/SP, no ano passado.
Nascida em Campo Bom em 1988, Letícia começou a faculdade de Design em 2008 na ESPM, mas não concluiu, e foi cursar Artes Visuais na Ufrgs, onde se formou bacharel em 2015. Participou de diversas exposições, como Arte Contemporânea do RS (Czech Center/República Checa, 2017), Afinidades Eletivas, com curadoria de Daniela Name (C. Galeria/Rio de Janeiro, 2017), Memória do que vem, futuro do que foi, curadoria de Guilherme Dable (Mavrs/Passo Fundo, 2017) e a coletiva O lugar enquanto espaço, curadoria de Francisco Dalcol (Baró/SP, aberta até 21 de julho). Em 2018, realizou a individual A hora mágica na Galeria Aura (SP), com curadoria de Gabriela Motta. Em 2016, foi selecionada pelo Programa RS Contemporâneo, que lhe rendeu a individual Presença sinistra, realizada no Santander Cultural, com curadoria de Marcelo Campos (UFRJ). Atualmente, trabalha como assistente do artista Guilherme Dable. 
"Acho muito bonita a expressão 'Meu padroeiro'." A pintora demonstra todo seu encanto e fascínio pela materialidade dos rituais de fé, os objetos que simbolizam as crenças. "Meu interesse primário sempre foi as coisas do mundo. Sou uma curiosa das pessoas. Quando se veste determinada roupa, em determinado horário, falando tais palavras em tal ordem, uma mágica acontece. Isso sempre foi, para mim, muito importante", conta. Essa curiosidade vem desde a infância, apesar de ela afirmar não se encaixar em nenhum sistema religioso. Ela quis, por vontade própria, sem influência familiar, fazer a 1ª Comunhão na religião católica. Aos 12 anos, também decidiu que não queria seguir aquilo. 
Os visitantes vão sentir uma magia acontecendo quando entrarem na exposição? "Espero que sim. A pessoa tem que se permitir. Quero, com essas imagens escolhidas a dedo, tentar provocar um sentimento que talvez se assemelhe a uma mágica. A montagem está toda pensada em um ordem X para que uma sensação seja causada. Me esforcei para que elas sentissem." As pinturas a óleo da individual Por uma graça alcançada podem ser vistas de amanhã até 19 de agosto, de terça-feira a sábado, das 13h30min às 18h30min, e domingos, das 14h às 18h30min, com entrada franca. 
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