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Porto Alegre, terça-feira, 04 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Colunas

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Edgar Lisboa

Repórter Brasília

Edição impressa de 04/09/2018. Alterada em 04/09 às 01h00min

Cuba não paga exportadores

O governo cubano está atrasando pagamentos de exportadores gaúchos, informa o deputado federal gaúcho Jerônimo Goergen (PP), que foi procurado por empresários do Rio Grande do Sul denunciando prejuízos, temendo que essas inadimplências se prolonguem e se propaguem para outras regiões do País: "são valores vultosos que estão deixando de ser pagos pelas empresas cubanas e, em última análise, pelo próprio governo de Cuba", diz o parlamentar. Integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, Goergen está preocupado, porque o problema atinge diretamente a cadeia do agronegócio, nas fases de produção, industrialização e comercialização. O problema está associado ao Programa de Financiamento às Exportações (Proex), programa do governo federal de apoio às exportações brasileiras de bens e serviços. Diz o deputado que "o atraso nos pagamentos já supera 60 dias. Somente para as empresas gaúchas, o passivo pode superar os € 40 milhões, o equivalente a cerca de R$ 200 milhões, pela cotação atual da moeda. Apenas uma agroindústria que exporta proteína animal, acumula um prejuízo de € 1 milhão, ou quase R$ 5 milhões".
Um Brasil cansado
O Brasil real está cansado de tantas pressões promovidas pelas corporações, apesar da caótica situação financeira, patrocinada pelo estado desastroso das contas públicas que começa a ficar sem saída. A verdade é que o Brasil dos servidores públicos - em sua maioria, com estabilidade de emprego - ganha muito acima da média do mercado, aposenta-se em condições privilegiadas e dispõe de imenso poder de convencimento em Brasília, colocando, por pressão arrasadora, principalmente em ano eleitoral, os parlamentares de joelhos na hora de se comprometer em votar o aumento de salários.
Exemplo assustador
Um exemplo assustador do discurso de aumento de salário dos servidores do Judiciário foi apresentado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que defendeu, sem cerimônia, para ele e seus colegas do Supremo Tribunal Federal, um reajuste salarial de 16,38%, com impacto na folha de todo o Judiciário e, por tabela, de todo o resto do funcionalismo público.
Aumento de quase nada
E pasmem, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski sugeriu que aquele percentual era quase nada perto dos "milhões e milhões de reais que os juízes federais e estaduais recuperam para os cofres públicos" em processos contra corruptos, colocou muito bem, em editorial, o jornal Estado de S. Paulo - como se os juízes estivessem fazendo um favor a seus vizinhos do Brasil real ao punir corruptos, razão pela qual a majoração salarial seria uma justa comissão de sucesso.
Direitos sociais para a elite
Mas o problema é que a mentalidade que alimenta esse Estado a caminho da inanição, graças à voracidade cada vez maior das corporações, vai muito além de raciocínios quase anedóticos - mas sem a menor graça - como esse do ministro Lewandowski. Predomina há muito tempo no País a visão segundo a qual é preciso garantir uma série de direitos sociais para a população em geral, especialmente os mais pobres, e isso só seria possível com a manutenção de um Estado forte, bem-estruturado e, claro, com uma elite bem-remunerada.
 
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