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Porto Alegre, sexta-feira, 24 de agosto de 2018.
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Edgar Lisboa

Repórter Brasília

Edição impressa de 24/08/2018. Alterada em 24/08 às 01h00min

Paulo Maluf, um sobrevivente

Paulo Maluf (PP), que fará 87 anos no dia 3 de setembro, tem uma trajetória política atuante, marcada por escândalos e denúncias de corrupção, entre outras, a compra de votos. Com perspicácia e bons advogados, conseguiu protelar o inevitável por muitas décadas, até ser cassado, nesta quarta-feira, pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Conhecido como um símbolo da impunidade, mais uma vez, há dúvidas quanto à decisão de cassar seu mandato.

Ceticismo na ótica do promotor

O promotor público Silvio Antônio Marques, que rastreou o dinheiro de Paulo Maluf na Suíça e na Ilha de Jérsei, é cético em relação à cassação. A Constituição prevê que a perda de mandato só pode ser determinada por maioria absoluta da Câmara. A decisão da Mesa Diretora é histórica, mas pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal. É o que deve fazer a defesa de Maluf.

Decisão deve ser do plenário

A emenda 76, de 2013, da Constituição Federal, diz que a perda do mandato será decidida pela Câmara por maioria absoluta, após a votação ser proposta pela Mesa Diretora ou por partido político com representação no Congresso. Por isso, argumentam advogados e a Promotoria Pública, essa questão tem que ir para o plenário da Câmara. Mais uma vez, a expectativa.

Conservador da Arena

Na política, Maluf sempre foi associado ao conservadorismo. Começou sua trajetória pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação situacionista, que apoiava o regime militar. Depois de várias mudanças de nome, hoje é o Partido Progressista (PP).

Privilegiada memória

Uma das características bem conhecidas de Maluf (foto) é sua privilegiada memória, somada a uma boa assessoria de agenda. Estava sempre bem informado. Nunca era apanhado desprevenido sobre qualquer assunto. Lembro de um episódio, no Rio Grande do Sul. Num sábado à tarde, chegou em Porto Alegre de jatinho, para uma reunião de emergência com o então governador gaúcho, Amaral de Souza (Arena e depois PDS). Foi recebido na escada do avião por Amaral. A primeira pergunta de Maluf foi: "como está a fulana?". Era a neta de Amaral que havia nascido horas antes. Surpreendeu até mesmo o avô.

Disputa com Andreazza

A indicação de Maluf como candidato a eleição presidencial de 1985, a primeira após a abertura política, em detrimento da candidatura do gaúcho Mário Andreazza, dividiu o partido numa disputa interna. Os membros da Arena, contrários à candidatura, liderados por José Sarney, terminaram por fundar o dissidente, Partido da Frente Liberal (PFL). Maluf foi oficializado, mas perdeu para Tancredo Neves.

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