Porto Alegre, quarta-feira, 24 de novembro de 2021.
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Publicada em 24/11/2021 às 03h00min.

Guia orienta comunidades sobre falta de água

Moradoras da Ilha do Pavão localizam no mapa as demandas locais

Moradoras da Ilha do Pavão localizam no mapa as demandas locais


/Acervo ConectaLAB/Divulgação/JC
"Tomar banho a hora que eu tiver vontade" e "ter água com boa qualidade para nossas crianças beberem" são desejos de moradoras da Vila São Borja, no bairro Sarandi, em Porto Alegre. As frases estampam um cartaz na parede da Associação de Mães Mãos à Obra - é o "mural de expectativas", elaborado em uma das oficinas do ConectaLAB, projeto que teve início em 2020 com a proposta de pensar soluções para o abastecimento de água em áreas com histórico de carência. Neste ano está acontecendo a segunda etapa em três comunidades na Capital, com atividades em todos os finais de semana de novembro.
"Tomar banho a hora que eu tiver vontade" e "ter água com boa qualidade para nossas crianças beberem" são desejos de moradoras da Vila São Borja, no bairro Sarandi, em Porto Alegre. As frases estampam um cartaz na parede da Associação de Mães Mãos à Obra - é o "mural de expectativas", elaborado em uma das oficinas do ConectaLAB, projeto que teve início em 2020 com a proposta de pensar soluções para o abastecimento de água em áreas com histórico de carência. Neste ano está acontecendo a segunda etapa em três comunidades na Capital, com atividades em todos os finais de semana de novembro.
O trabalho tem como base um guia elaborado na primeira etapa, no ano passado, que colocou no papel formas de identificar o problema em diferentes contextos de falta de água. A fase agora é de "construir com a comunidade a solução do problema", resume Brianca Von Ahn, estudante de Engenharia Hídrica da Ufrgs e integrante do projeto. Orientadas pelo guia e com acompanhamento dos participantes do ConectaLAB, pessoas que moram nessas áreas passam a identificar possíveis parceiros e pensar em estratégias para sanar a falta de abastecimento. Uma das atividades é de identificação e consiste em localizar em um mapa onde a comunidade se encontra e onde os problemas se manifestam.
Um exemplo dessa carência é a intermitência do serviço, quando falta água com frequência e a qualidade é ruim. É o que acontece na Ilha do Pavão, que integra o bairro Arquipélago, parte do território de Porto Alegre - a ilha é a primeira para quem sai da Capital em direção ao Interior. O abastecimento depende da rede instalada alguns quilômetros adiante, na Ilha da Pintada. Quando falta luz ou algum outro problema atinge a comunidade vizinha, o bombeamento é prejudicado, então a água não chega.
O cenário se repete nas outras duas comunidades atendidas pelo projeto. Simone Henrique é moradora da Vila São Borja, citada no início do texto, há 16 anos, e conta que lá não tem abastecimento em todas as casas - e, mesmo nas residências atendidas pelo poder público, a água não chega a todas com a mesma intensidade.
Distante 20 quilômetros dali, no bairro Cristal, Adriana Corrêa de Farias, da Associação dos Moradores União Vila Pedreira, conta que a falta de água é constante e afeta até mesmo o sono: é comum o desabastecimento durante o dia e a água voltar somente na madrugada, quando as pessoas conseguem tomar banho e fazer uma reserva para o dia seguinte.
Nestes contextos, a atuação do ConectaLAB é ser "facilitador para (a comunidade) entender seus direitos", explica Paula Motta, vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, que organiza o projeto junto com o coletivo TransLAB.URB. O que acontecer a partir disso vai responder à necessidade específica de cada local. A solução que for encontrada, reforça Paula, "não exime o poder público do seu papel" de fornecer água e condições adequadas para o seu acesso - ao contrário, capacita a população afetada para, identificando o problema, exigir a solução e apontar caminhos para ela.
Um exemplo de ação articulada entre comunidade e sociedade civil é a campanha feita ao longo do ano de 2021 na Ilha do Pavão, organizada localmente pela Associação Vitória em parceria com a ONG Misturaí. Com o recurso arrecadado de doações, estão sendo instaladas, em algumas casas da ilha, caixas d'água que servirão de reservatório nos dias em que há falha no abastecimento - nestes casos, o uso será compartilhado entre os vizinhos.
 

Paralelas

Cadernos de solução e de estratégia

Um guia elaborado na primeira etapa do ConectaLAB é o que orienta o trabalho desenvolvido agora, com orientações de como identificar a origem da falta de água. Trata-se de um caderno de soluções que podem ser facilmente adaptadas a diferentes contextos. O guia é aberto e pode ser acessado aqui - é preciso apenas manter a característica de conhecimento aberto e com referência ao ConectaLAB. Após a segunda etapa, um caderno de estratégias será elaborado para apresentar o trabalho feito na Ilha do Pavão e nas vilas São Borja e Pedreira.
 

Protagonismo feminino

Nas três oficinas realizadas no dia 13 de novembro participaram somente mulheres representantes das comunidades. Embora homens estejam envolvidos em outras atividades relacionadas ao laboratório, chama atenção como a mobilização em torno de temas coletivos se concentra nas figuras femininas, tradicionais lideranças nas suas comunidades.
 
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