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Porto Alegre, quarta-feira, 29 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quarta-feira, 29 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 29/07/2020.
Alterada em 29/07 às 15h47min

Startup lança solução para resíduos da construção

"Uber" para caliça levará os resíduos para reciclagem em Porto Alegre

"Uber" para caliça levará os resíduos para reciclagem em Porto Alegre


/BRASERV/DIVULGAÇÃO/JC
É da pessoa que faz uma obra ou da empresa que toca uma empreitada a responsabilidade pela destinação adequada dos resíduos de construção civil. É o que diz a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que completa 10 anos em agosto, mas nem sempre é cumprida - aliás, muitos geradores desse material nem sabem do seu papel.
É da pessoa que faz uma obra ou da empresa que toca uma empreitada a responsabilidade pela destinação adequada dos resíduos de construção civil. É o que diz a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que completa 10 anos em agosto, mas nem sempre é cumprida - aliás, muitos geradores desse material nem sabem do seu papel.
Para garantir que resíduos cheguem ao destino certo, surge em Porto Alegre a iniciativa da startup 5 Marias, que vai colocar em contato as partes desse processo: gerador, transportador e destinador. A ideia, explicam as criadoras, é parecida com aplicativos de transporte como o Uber, e vai possibilitar transação comercial de produtos já reciclados, fechando assim o ciclo da economia circular.
A 5 Marias venceu o desafio Creathon DMLU, que no fim do ano passado buscou soluções de limpeza urbana em Porto Alegre. O ponto de partida foram dados do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), que ao longo de 2019 identificou 318 focos de descarte irregular de resíduos nas ruas, mais de 80% causados por serviços irregulares de tele-entulho. A limpeza desses pontos custa R$ 1,8 milhão ao mês aos cofres públicos. "Verificamos que em torno de 60% do transporte destes resíduos é irregular. A chance do gerador pagar, mas o transportador não destinar o resíduo adequadamente é grande, e quem trabalha certo sofre com isso", explica Sônia Cunha Fagundes, engenheira ambiental especialista em construções sustentáveis e integrante da 5 Marias.
O Creathon, realizado em parceria com o Pacto Alegre e universidades, apontou a demanda e um nicho de mercado, prestando apoio com assessoramento técnico. Como não há contrapartida financeira do poder público, a startup está participando de editais para a captação de recursos técnicos e financeiros para viabilizar o desenvolvimento da plataforma.
Como a pandemia de Covid-19 atrasou alguns desses processos, a 5 Marias decidiu lançar o trabalho, que desde segunda-feira atende via Whatsapp - (51) 998517154. "Vamos monitorar até que o tele-entulho largue o material na usina de reciclagem", explica Sônia. A meta é ter plataforma e aplicativo no mercado até setembro.

DMLU identifica descarte irregular na cidade

A prefeitura identifica três perfis de descarte oriundos da construção civil, explica Renê Machado de Souza, diretor-geral DMLU. Um é das grandes empresas, que já incorporaram na sua prática a destinação ambiental adequada. Tem quem faça o descarte nas unidades de destino certo do município, que recebem até 0,5 metros cúbicos de resíduo da construção civil por dia de pequenos geradores.

O perfil que preocupa é o daqueles que, por desconhecimento ou falta de condição para o transporte próprio, deixam restos de obra em qualquer lugar ou contratam transportadores que recebem pelo serviço, mas descartam de forma irregular. Nesses casos, a fiscalização se dá pela identificação dos autores por agentes públicos ou a partir de denúncias. Casos mais graves são encaminhados ao Ministério Público, para que infratores assumam a responsabilidade pelo dano ambiental causado.

Proposta inovadora é comemorada e gera expectativa em empresas

Marcelo de Castro Lima, da empresa Braserv, diz que sente "dor na alma" quando vê desperdício de caliça na cidade: "o resíduo é matéria-prima para alguém", explica. Na sua empresa, por exemplo, o material rejeitado pode virar brita reciclada.

Na Sebanella Reciclagem de Gesso, com sede em Canoas, o gesso vira argamassa e fertilizante para uso em solos danificados. "Essa é a importância dos centros de reciclagem, o que antes ia para o aterro vira outro produto", sustenta o uruguaio Sebastian Pereira, proprietário da Sebanella, que encara a plataforma da 5 Marias como "um braço comercial da empresa, mesmo sem ser".

Guacira Ramos da Silva, da empresa Retro Entulho, acredita que a iniciativa vai gerar ganho para as empresas, mas destaca a importância da orientação aos geradores, já que muitos não sabem da sua responsabilidade com o resíduo ou como é o processo.

Como funcionará o serviço

Atualmente pelo Whatsapp e depois pela plataforma. Quem precisa descartar restos de obra (tijolos, telhas e gesso, por exemplo) apresenta sua demanda e recebe orçamentos e orientação de como proceder.

A partir disso, contrata o serviço de transporte (aquelas caçambas de tele-entulho que ficam estacionadas perto de obras), que levará os resíduos até o destinador (uma empresa licenciada pela prefeitura para receber esse material), que é paga por esse serviço. É só então que encerra a responsabilidade de quem gerou o resíduo.

Nessas empresas especializadas acontece a disposição final ambientalmente adequada, prevista em lei: reciclagem daquilo que é possível, gerando um novo produto para a própria construção civil, e encaminhando para o aterro sanitário somente o que não pode mais ser aproveitado.

Classificação dos resíduos

A plataforma vai atender o direcionamento para resíduos classificados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente como A (como tijolos, azulejos, telhas e concreto) e B (outros recicláveis gerados na obra, como papelão ou plástico), que representam quase a totalidade do que é gerado na construção civil. Existem ainda as classificações C para resíduos sem tecnologia ou aplicação que viabilizem a reciclagem e D para resíduos perigosos. Estes não serão atendidos pela plataforma, mas os geradores terão orientação sobre como proceder.

5 Marias

A startup é formada por Daniely Votto, Edna Menegaz, Fernanda Sequeira, Márcia Castro e Sônia Fagundes. Elas se conheceram no Grupo de Trabalho sustentabilidade e resíduos do coletivo POA Inquieta.
 
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