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- Publicada em 21h39min, 09/06/2020.

ONG ajuda mulheres que atuam na construção civil

Projeto capacita mulheres para trabalhar na construção civil; oferta de serviço caiu após início da pandemia

Projeto capacita mulheres para trabalhar na construção civil; oferta de serviço caiu após início da pandemia


/ONG MULHER EM CONSTRUÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC
A meta da ONG Mulher em Construção para 2020, de capacitar 800 mulheres até o fim do ano, foi revista ainda em março, quando a pandemia de Covid-19 colocou em quarentena diversos setores da economia e atingiu diretamente as mulheres empregadas na construção civil. Mesmo nas cidades em que a atividade já foi retomada, caso de Porto Alegre, quem é chefe de família não conseguiu retornar ao mercado trabalho - sem atendimento de creches, as mães não têm onde deixar os filhos.
A meta da ONG Mulher em Construção para 2020, de capacitar 800 mulheres até o fim do ano, foi revista ainda em março, quando a pandemia de Covid-19 colocou em quarentena diversos setores da economia e atingiu diretamente as mulheres empregadas na construção civil. Mesmo nas cidades em que a atividade já foi retomada, caso de Porto Alegre, quem é chefe de família não conseguiu retornar ao mercado trabalho - sem atendimento de creches, as mães não têm onde deixar os filhos.
Esse é o caso da Jaqueline Silva, de Viamão, responsável pelas filhas de 9 e 7 anos. Ela atua com reparos e reformas para clientes particulares e imobiliárias, mas está sem trabalho desde março. “Quando aparece um orçamento, vou rapidinho, porque as minhas filhas ficam sozinhas”, conta. Mas mesmo nesses casos, não consegue seguir com o serviço. “Quem pede o orçamento tem dúvida de receber alguém em casa”, conta. Falando da sua situação e de outras mulheres conhecidas, desabafa: “estamos num momento desesperador”.
Para atender casos como esse, o foco da ONG mudou e, no lugar do treinamento para o trabalho em obras, passou a buscar recursos para auxiliar parte das profissionais que já passaram pelo projeto. Do monitoramento contínuo realizado com cerca de 1,5 mil mulheres atendidas na Região Metropolitana de Porto Alegre e em Cachoeira do Sul, foram identificadas 250 responsáveis pelo sustento da casa que estão em situação de vulnerabilidade.
Ainda no fim de março foi lançada a campanha “Apoie uma chefe de família”, que recebe doações de voluntários e destina o valor arrecadado em forma de vale-alimentação. “O vale ajuda com o que falta em casa e já beneficia os pequenos empreendedores da região. Assim a família também consegue se alimentar um pouco melhor, com legumes e hortaliças, por exemplo, que não acompanham uma cesta básica”, sustenta Bia Kern, fundadora da ONG.
O primeiro repasse de recursos aconteceu em maio e atendeu 108 mulheres com valores entre R$ 100,00 e R$ 200,00 de acordo com a necessidade de quem vai receber e a disponibilidade de recursos da campanha. Jaqueline agradece o auxílio: “ajudou bastante as mães de família, chegou no momento que eu mais precisava”.
A iniciativa conta com apoio da empresa Ticket, que assumiu o custo operacional da emissão dos cartões e isentou a taxa administrativa, informação de Affonso Ritter na coluna Observador do dia 20 de maio.

Como ajudar

O objetivo, agora, é garantir o vale até o fim do período crítico da pandemia - a previsão é que se estenda até setembro. Doações podem ser feitas pela plataforma on-line benfeitoria.com/mulheremconstrucao até a próxima terça-feira, ou por depósito bancário na conta da ONG - os dados estão no site www.mulheremconstrucao.org.br.
 

Sobre o projeto

A ONG Mulher em Construção iniciou sua atuação em 2006 e, desde então, já capacitou diretamente mais de 5 mil mulheres, no Rio Grande do Sul e em outros estados, para atuação em diferentes postos de trabalho da construção civil.

Os cursos atendem, especialmente, mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica e violência doméstica, com objetivo de promover autonomia e inseri--las no mercado de trabalho. Os treinamentos vão desde leitura e interpretação de planta baixa até conceitos de empreendedorismo e cooperativismo, e reflexão sobre relações de gênero.

Sem previsão de retorno das atividades presenciais, a ONG segue com acompanhamento on-line das mulheres já capacitadas.

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