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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de outubro de 2021.
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Notícia da edição impressa de 14/10/2021.
Alterada em 13/10 às 21h57min

Mitos do ESG #3

Helio Beltrão
Engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil
Engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil
Os fundos ESG viraram mania. O dinheiro tem corrido para empresas que investem em causas "bacanas", como meio ambiente e diversidade. Mantido o alucinante ritmo atual, os ativos ESG geridos por fundos no mundo podem alcançar mais de US$ 50 trilhões em 2025, um terço do total de ativos sob gestão, segundo o Bloomberg Intelligence.
Muitos crédulos acreditam em coisas que não ocorrerão. Vários investidores acham que contribuem socialmente ao investir em fundos ESG. Outros espertos vendem o que não cumprem: muitos gestores de fundos ESG prometem entregar impacto social. Nesta semana a discussão é essa.
Mito 2: ao investir em fundos (ou ETFs) ESG contribuo com o meio ambiente e demais causas ESG, causo real impacto social. Não é bem assim.
Empresas causam impacto social ao investir em causas "bacanas". Elas captam dívida (ou ações) no mercado primário para fazer frente a tais investimentos. O mercado de green bonds-títulos de renda fixa cujos recursos são obrigatoriamente direcionados a projetos "verdes"- pode alcançar US$ 1 trilhão neste ano.
Apenas no mercado primário os recursos entram na empresa. Porém, na Bolsa, o mercado secundário, os recursos movimentados não entram na empresa. O fundo, então, ao comprar ações rotuladas como ESG, não estará provendo mais capital às empresas, nem por consequência mais atividades "bacanas", como a luta contra o aquecimento global.
Ao vender ações de empresas "não-bacanas", o fundo tampouco produz impacto social. É certo que vendas maciças podem causar no médio prazo um efeito de segunda ordem, aumentando o custo de captação dessas empresas, e assim desincentivando o mau comportamento. Porém a pré-condição é que as vendas sejam abrangentes, refletindo opinião uniforme do mercado. Caso contrário outros compradores tomarão de bom grado o lugar do vendedor, sem afetar preços e custo de captação.
Os gestores dos fundos são os principais beneficiários deste marketing maroto do Mito 2 às custas das sardinhas do mercado. Os fundos ESG têm taxas de administração mais altas que a dos demais, e até dez vezes maior que as taxas dos fundos passivos.
Há ainda enorme dificuldade quanto à métrica apropriada do que é ESG. Dependendo da certificadora consultada (há dezenas), a Exxon Mobil é mais sustentável que a Tesla. A bem reputada CDP, por exemplo, confere nota máxima em mudanças climáticas a empresa de cigarro Philip Morris, de bebidas Carlsberg, e à montadoras Ford. Todos podem encontrar no mercado um selo ESG para chamar de seu.
Um estudo do EDHEC (Doing Good or Feeling Good) mostrou que há quase nenhuma diferença entre portfólio nos fundos ESG e o de seus benchmarks, e afirma que "há vastas inconsistências entre os objetivos ambientais declarados dos gestores e a realidade de seus investimentos".
Outra prática comum é o rebranding do nome do fundo, agregando a sigla ESG, uma espécie de greenwashing. Entre 64 fundos renomeados apurados pela Morningstar, 35 vinham sofrendo consistentes saques de investidores, do quais 13 voltaram a captar recursos após o rebranding.
Larry Fink, líder do maior investidor institucional, BlackRock, tem auto-propagandeado fazer o bem via investimentos ESG. No Fórum do Instituto de Formação de Líderes do mês passado, Aswath Damodaran, guru-mor das finanças, não perdeu a oportunidade de responder: "o Larry Fink nos dar sermão sobre moralidade é equivalente a um serial killer nos dar sermão sobre o valor da vida."
 
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Opinião Econômica
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