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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de janeiro de 2021.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quinta-feira, 07 de janeiro de 2021.
Notícia da edição impressa de 07/01/2021.
Alterada em 07/01 às 07h55min

O crescimento do bitcoin

Opinião Econômica - Helio Beltrão
Engenheiro com especialização em finanças e MBA na Universidade Columbia
Engenheiro com especialização em finanças e MBA na Universidade Columbia
Em 2020, tudo pareceu dar errado, porém o mercado de ações brasileiro não deu bola para mortes, desemprego e fechamento de empresas e acabou em alta de 3%.
Mais de 2 milhões de brasileiros passaram a investir em Bolsa nos últimos 18 meses, em especial a partir o início da pandemia. Esses novatos em Bolsa tiraram onda dos profissionais ao comprar ações no pior momento de baixa, entre março e abril.
A Bolsa surpreendeu, mas outros ativos tiveram desempenho superior: o dólar subiu 29%, e o ouro, 56%. O astro, contudo, foi o bitcoin, cujo preço se multiplicou por cinco no decorrer do ano. A dinâmica de 2020 atraiu pela primeira vez uma onda de investidores institucionais de grande porte.
Paul Tudor Jones, bilionário, filantropo e presidente-executivo do fundo Tudor, anunciou seu investimento em sua carta "A Grande Inflação Monetária", de maio de 2020.
A Microstrategy, que produz softwares e é negociada na Nasdaq, tem mantido sua reserva de caixa em bitcoin (mais de US$ 2 bilhões). Alguns apostam que Elon Musk, da Tesla, será o próximo e que a Amazon, mais dia, menos dia, passará a aceitar a criptomoeda em suas transações.
O bitcoin é "a internet do dinheiro" ou sua disrupção. Descentralizado, é transferido diretamente sem intermediários, e sua oferta não depende de ninguém.
O mundo em 2021 carece de um dinheiro global via internet. Hoje, há um retalho de sistemas financeiros fragmentados e centralizados, que dificultam a vida do usuário, por exemplo, nas transações internacionais.
Além disso, há quase 2 bilhões de adultos, em particular em países mais pobres, que não conseguem fazer transferências de recursos que requerem conta em banco.
Os sistemas para inclusão financeira via smartphones estão aparecendo: Alipay e WeChat, na China, PayTM, na Índia, e outros. Há também o projeto da stablecoin libra, do consórcio liderado pelo Facebook, ainda bloqueado pelas autoridades. E aqui, no Brasil, o Pix já está gerando inclusão financeira.
O bitcoin, no entanto, não tem sido usualmente utilizado como meio de pagamento, que é a proposta dos demais. Tem, ao contrário, gradualmente avançado como reserva de valor, apesar de sua volatilidade alta. Mais de 60% de todos os bitcoins não saíram da carteira do dono nos últimos 12 meses. Ou seja, seu uso primário tem sido reserva de poupança de longo prazo.
Diferentemente de ações ou investimentos em renda fixa, o bitcoin não confere direito a rendimento algum. Não paga juros nem dividendos. Seu desempenho se deve exclusivamente ao interesse do público em deter esse ativo escasso. Como muitos dizem, o bitcoin é um "ouro digital".
Em 1971, o sistema de Bretton Woods colapsou, e os EUA partiram para uma aventura inflacionária sem precedentes. O ouro, único ativo financeiro que não é passivo de uma contraparte, foi o de maior retorno naquela década. Todo o estoque do metal acima do solo perfaz um cubo com apenas 21 metros de altura, que cresce pouco mais que 1% ao ano. Dessa forma, o ouro tende a proteger contra depreciações do dólar.
Desde 2008, os governos do mundo todo estão patrocinando uma criação monstruosa de dinheiro, mais potente que a de outrora. Com juros próximos de zero, é racional distribuir apostas em ativos que possam proteger o poder de compra de nossas poupanças. Os imóveis, por exemplo, estão cada vez mais inacessíveis à classe média e baixa.
O bitcoin já possui US$ 580 bilhões de valor de mercado total (menos de 1/10 do mercado de ouro). Quanto mais o valor de mercado cresce, mais atrai os grandes investidores, o que, por sua vez, tende a aumentar ainda mais esse valor.
Esse é o momento Fomo, "fear of missing out". Quando o próximo está lucrando, é difícil conter o ímpeto de embarcar. O risco de momentos como o atual é que todo exagero na alta enseja uma correção significativa. A ver.
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Opinião Econômica
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Abre espaço para a opinião qualificada sobre temas da área econômica e política, como juros, inflação, finanças pessoais, mercado de capitais e gestão, entre outros. Entre os articulistas, estão Nizan Guanaes, Samuel Pessoa, Márcia Dessem, Solange Srour e Nelson Barbosa.