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Porto Alegre, sábado, 18 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sábado, 18 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 02/07/2020.
Alterada em 01/07 às 22h07min

Uma briga boa

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Engenheiro com especialização em finanças e MBA na Universidade Columbia, é presidente do Instituto Mises Brasil
A pandemia não interrompeu a tendência de migração do investidor brasileiro de aplicações de renda fixa para ações. A entrada do investidor pessoa física em Bolsa bateu novo recorde em maio: já são mais de 2,5 milhões de brasileiros com ações em carteira ativa, mais que o dobro de um ano atrás.
O destaque em crescimento são as mulheres, que já são 600 mil com carteira de asções. O potencial é enorme. Nos EUA, mais de metade das famílias tem ações.
Enquanto o brasileiro entrava em Bolsa durante a baixa de março e abril, o investidor estrangeiro saía do Brasil. É um clássico em crises: o brasileiro comprando barato do gringo que foge apavorado.
A diferença é que desta vez os compradores não foram apenas os investidores brasileiros grandes, institucionais, mas também o investidor pessoa física, que em geral tem menos de R$ 1.000 em ações. Tiraram onda: a Bolsa subiu 30% desde março.
Há cinco anos, os quatro maiores bancos eram hegemônicos no apático mercado de investimentos que atende o brasileiro "não qualificado", como pejorativamente a CVM batiza o investidor que tem menos de R$ 1 milhão investidos.
Os bancos vendiam apenas seus próprios produtos, nunca os da concorrência. Em geral, CDBs, fundos da casa com altas taxas de administração, títulos de capitalização (uma aposta em um sorteio) etc.
Com a entrada inovadora da corretora XP, o conceito de plataformas abertas ou "supermercados" de fundos de investimento prosperou, com atraso de 25 anos em relação aos Estados Unidos.
Lá, no início da década de 1990, a Charles Schwab democratizou os investimentos com sua plataforma aberta e de custo baixo OneSource, destronando a poderosa Fidelity Investments e seu modelo fechado. Tal qual o Schwab, a XP vende produtos do mercado todo, inclusive internacionais.
As plataformas se remuneram por "rebates" pagos pelos gestores de fundos. O gestor interessado em participar da plataforma precisa ceder uma parte de suas taxas de administração e de performance, que são pagas por seus investidores, captados por intermédio da plataforma. A negociação entre gestores e plataforma é livre.
Em geral os maiores gestores cedem percentuais menores que os demais, em torno de 20% das taxas, ante 35% dos menores. A plataforma, por sua vez, repassa um percentual substancial do rebate recebido do fundo ao agente autônomo que trouxer o investidor.
A XP em geral repassa aos seus agentes autônomos percentual maior no caso de produtos que deseja incentivar. Funciona de forma semelhante às comissões variadas por produto que um banco paga a seus gerentes, a tal "meta do mês". A plataforma, no entanto, não possui agências, e os gerentes são terceirizados.
A guerra dos coletes entre a XP e seu sócio e competidor Itaú, que detém 46% do capital da XP (cerca de 30% do capital votante), é excelente para o investidor, pois descortina os conflitos de interesse e a falta de transparência.
O agente autônomo tem incentivo em sugerir ao investidor produtos que oferecem maior comissão, em potencial conflito com o interesse do investidor que busca o melhor retorno. É em geral o caso dos COEs, caixas-pretas com pouca transparência quanto aos preços dos derivativos incluídos.
Já o Itaú Personnalité alega possuir um modelo com menos conflitos de interesse, ao remunerar o gerente por volume de captações, sem diferenciar comissões por produto. Mas, no varejo, cobra altas taxas de administração nos fundos conservadores de renda fixa e nos fundos de um ativo só, como ações da Vale e Petrobras, que o investidor pode comprar diretamente na Bolsa.
Nessa competição entre gigantes, ganha mesmo o pequeno investidor.
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