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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 23/01/2020.
Alterada em 22/01 às 23h33min
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O ódio de D2

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Engenheiro com especialização em Finanças e MBA na Universidade Columbia, é presidente do Instituto Mises Brasil
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Engenheiro com especialização em Finanças e MBA na Universidade Columbia, é presidente do Instituto Mises Brasil
Sempre ouvi dizer que o consumo de maconha deixa as pessoas mais pacíficas, tranquilas. Não é o caso do músico Marcelo D2, que defendeu que sejam demarcadas com uma suástica, à faca, as testas de todos os que se identificam como "direita liberal".
É repugnante que um celebrado representante da esquerda defenda a violência e métodos nazistas de identificação forçada.
Na era nazista, os judeus foram segregados do resto da população por meio de um emblema obrigatório em sua roupa, uma estrela amarela de seis pontas com a inscrição "judeu" no centro. O objetivo inicial era estigmatizá-los e fomentar a humilhação pública. Essa segregação pública foi prelúdio e parte fundamental da campanha de ódio que possibilitou a chamada solução final, o genocídio.
Todo autoritário e opressor, à esquerda e à direita, faz uso do ódio verbal para promover seus interesses e causas porque precisa manipular ao máximo a energia e as emoções de seus seguidores contra o grupo de inimigos que quer exterminar.
D2 tem 1 milhão de seguidores no Twitter, rede social na qual os convocou a estigmatizar os liberais. Desde a campanha presidencial de 2018, tem agido como intelectual e comentarista político e dobrou o número de seguidores.
Não emprego aqui o termo intelectual no sentido de pessoa letrada, mas no de revendedor de ideias de segunda mão, que por sinal costumam chegar bem velhinhas ao Brasil. O intelectual não precisa ser particularmente inteligente ou especialista sobre o tema para retransmiti-lo amplamente ao público geral. É justamente o contrário: o intelectual normalmente fala sobre temas sobre os quais não possui especialização, como no caso clássico do artista que opina sobre política. Seu poder, no entanto, é grande e proporcional à sua audiência.
O sujeito da canção "À procura da batida perfeita", de 2003, seu melhor trabalho, procura a paz e diz "ficar do lado do bem, atitude, amor e respeito também". Seu último trabalho é "Amar é para os fortes", de 2018, uma ode ao amor ao próximo, conforme sua interpretação. Na prática, no entanto, tem propagado fúria e rancor, coerente com sua história de adolescente e jovem adulto em que afirma ter sido violentíssimo.
Durante a campanha eleitoral de 2018, referiu-se a Helio Lopes, agora deputado, da seguinte forma: "E o negão do Bolsonaro, hein? Talvez essa seja a nova nomenclatura pro escravo da casa grande[...], lamber o coturno do capetão".
D2 não tem ideia do que seja "direita liberal" ou finge não saber para fazer apologia de sua própria ideologia. O liberalismo é muito distinto do reacionarismo. Defende a liberdade do indivíduo, a paz, a tolerância, a isonomia entre todos perante a lei, a liberdade de expressão.
Tanto a esquerda quanto os reacionários topam moldar a cultura nacional por meio do Estado. O episódio do secretário da Cultura foi denunciado em massa pelos liberais, que pediram sua demissão. Mas a esquerda não veria problema em um representante seu nessa cadeira empurrando as causas prediletas.
Marcelo D2 é um empreendedor de sucesso, detentor de um disco de ouro, e construiu sua fortuna em cima de letras que fazem apologia à maconha. Hoje, vive entre Brasil e EUA, e orgulha-se em postar fotos de sua erva legalizada. Desconheço caso similar na antiga União Soviética ou em países socialistas.
D2 é beneficiário das ideias do liberalismo e deveria ponderar sobre as virtudes das ideias que agride, que incluem a liberação de sua erva predileta.
Dizem que a maconha deixa as pessoas confusas. Talvez aí esteja a origem do destempero conceitual do artista.
Marcelo, dê dois, mas mantenha o respeito! 
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