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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de agosto de 2019.
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Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 19/08/2019. Alterada em 19/08 às 03h00min

Por que o preço sobe quando a taxa cai

Para encerrar o assunto iniciado na coluna "Renda fixa supera ganho de bolsa" (05/08) e esclarecer a dúvida de vários leitores, escrevo para explicar por que o preço de um título de taxa prefixada sobe quando a taxa de juros cai, como aconteceu recentemente.
Quando o cenário inverso acontece, a alta dos juros, o preço cai, deixando o investidor exposto ao risco de perder dinheiro se vender na hora errada. Perplexo, o investidor pergunta: como assim?! A taxa não é prefixada, predefinida, sempre a mesma, como o nome nos faz crer?
Não, caro investidor, quem investe em taxa prefixada não compra uma taxa fixa de juros. O que é predeterminado, fixado e garantido é o valor de resgate. A taxa de juros negociada no dia da compra é usada para calcular o valor de resgate e pode ser descartada, não serve para mais nada. Antes do vencimento, o valor do título flutua.
Suponha a compra de uma Letra do Tesouro Nacional (ou CDB, ou LCI, tanto faz), prazo de cinco anos, taxa de juros de 8% ao ano. O valor inicial da aplicação é R$ 6.806,00, e o valor de resgate é R$ 10 mil. O investidor não comprou uma taxa prefixada de 8% ao ano, comprou um título que vale R$ 10 mil no vencimento. Se, daqui a um ano, ele quiser vender o título, faltando ainda quatro anos para o vencimento, não terá o direito de receber 8% pelo período decorrido de um ano. Não foi isso que ele comprou. Para sair da operação antes do vencimento, será necessário encontrar um novo investidor disposto a comprar um título de quatro anos cujo valor de resgate é R$ 10 mil.
Ninguém quer saber qual foi a taxa negociada há um ano, não importa, o novo investidor quer ganhar a taxa praticada no mercado. O valor de venda do título será o valor de resgate descontado pela taxa de juros vigente.
Vamos nos deslocar no tempo, como nas novelas, "um ano depois...", e avaliar três cenários possíveis.
Cenário 1: a taxa de juros permaneceu estável em 8% ao ano. O valor de venda será o valor de resgate (R$ 10 mil) descontado pela taxa vigente (8% ao ano), pelo prazo a decorrer (quatro anos), ou seja, R$ 7.350,00. Ganho de R$ 544,00 (R$ 7.350,00 "" R$ 6.806,00).
Cenário 2: a taxa caiu para 6% ao ano. O valor presente será R$ 7.921,00 [10.000/(1.06)], ganho de R$ 1.115,00 (R$ 7.921,00 "" R$ 6.806,00), resultado R$ 571,00 superior ao do cenário 1 no caso de venda antecipada (R$ 7.921,00 "" R$ 7.350,00).
Cenário 3: a taxa de juros subiu para 11% ao ano. O preço de venda antecipada será R$ 6.587,00 [10.000/(1.11)], expondo o investidor à perda de R$ 219,00, caso decida vender nessas condições (R$ 6.587,00 "" R$ 6.806,00).
O cálculo se dá mediante desconto do valor de resgate, pela taxa de juros vigente, pelo prazo a decorrer. Como se trata de taxa de desconto, quanto maior a taxa (%), menor o preço (R$). Igual fazer compra no shopping: quanto maior o desconto oferecido pelo lojista, menor o valor a pagar. O prazo amplia o efeito da taxa de desconto: quanto maior o prazo, maior o impacto no preço, para cima ou para baixo. O conceito se aplica à taxa prefixada da NTN-B (cupom de juros), e, como o vencimento é mais longo, 2035, 2045, o potencial de ganhos e perdas se amplia.
Quem aplica em fundos de investimento (renda fixa ativos e multimercado) que investem em juros prefixados observa a valorização ou desvalorização da cota, fruto da precificação diária desses ativos. Assim, o cotista que resgata suas cotas leva para casa os lucros ou as perdas acumuladas.
Quem achava que a renda fixa é fixa está revendo seus conceitos.
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