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Porto Alegre, sexta-feira, 27 de julho de 2018.
Dia do Despachante.

Jornal do Comércio

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Pedro Luiz Passos

Opinião Econômica

Edição impressa de 27/07/2018. Alterada em 26/07 às 22h39min

Afinal, que País queremos?

Com o rol de presidenciáveis se definindo, espera-se dos candidatos, inclusive à Câmara dos Deputados e ao Senado, uma campanha propositiva sobre o que nos falta: uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo com foco na prosperidade geral e acima de ideologias e lobbies.
Não se pede o impossível. Planejamento com alcance de várias décadas, baixa ingerência dos governantes de turno, livre mercado e coesão social e política em torno de objetivos nacionais são traços comuns aos países bem-sucedidos.
A Coreia do Sul, por exemplo, se reconstruiu após uma guerra devastadora e atingiu o patamar de país desenvolvido com um plano de metas de 50 anos, atualizado conforme a evolução e mantido com afinco desde seu lançamento, na década de 1970.
Educação de qualidade, sofisticação industrial, ênfase no investimento privado, economia aberta e gestão pública orientada por objetivos e resultados foram os pilares da transformação.
Respeitadas as diferenças culturais e os estágios de desenvolvimento, tais concepções estão na origem do sucesso das democracias da Europa e dos Estados Unidos e das economias emergentes mais prósperas.
No Brasil, planos e programas são lançados e perpetuados sem revisão de resultados. Se um novo governo faz diferente, às vezes só para inserir sua marca política, criam-se outros, sem exame sobre o que falhou no passado. Vão-se sobrepondo planos cada vez mais efêmeros - exceto a estrutura pública de pessoal indemissível e de despesas protegidas pela rigidez orçamentária.
Com tal arcabouço, qualquer presidente só comanda, de fato, menos de 10% da lei orçamentária anual - uma nesga que encolhe a cada ano por causa do crescimento vegetativo da folha de salários do funcionalismo e dos déficits previdenciários.
Se fizer algo mais, será à custa do Tesouro Nacional, cujo endividamento já engole mais de 70% dos recursos financeiros do País (e continua se expandindo sem contrapartida de um simples alfinete produzido).
As causas do descontrole são múltiplas, mas a falta de um mapa para o progresso civilizatório é a mais relevante. Para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve e serviu para enraizar o subdesenvolvimento e agravar suas cicatrizes, como a insegurança pública, o crescimento pífio, o Estado capturado por corporações, pobreza e corrupção endêmica.
É imperioso fazer a faxina geral que se traduz nas reformas que estão aí colocadas. Sem elas não teremos chance de respirar e, sem um norte definido, o país fica à mercê de grupos de interesse, que se apropriam do poder de decisão para defender seus privilégios, desconsiderando o bem-estar geral. Assim estamos, e poderá agravar-se muito mais se houver recaída populista.
O plano de longo prazo é fundamental para iluminar o caminho e formar coesão contra desmandos de corporações e de políticos.
É preciso estabelecer as reais prioridades econômicas e sociais, com metas e avaliações periódicas, sob o pano de fundo de instituições robustas que assegurem o pleno funcionamento da democracia e a ponham a salvo de pregadores messiânicos.
Isso pressupõe liberdade de iniciativa, livre expressão, eleições não viciadas e igualdade de oportunidades. Tais premissas podem induzir o retorno do investimento e estancar o abismo que nos separa das economias que já encontraram seu caminho. Se esse for o mote vencedor nas eleições de outubro, aí, sim, poderemos recobrar parte de nossas esperanças.
Empresário, conselheiro da Natura
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