Porto Alegre, segunda-feira, 12 de julho de 2021.
Dia do Engenheiro Florestal.
Porto Alegre,
segunda-feira, 12 de julho de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Mercado Digital

- Publicada em 13h58min, 12/07/2021. Atualizada em 14h24min, 12/07/2021.

O Marco Legal das Startups é decepcionante, avalia Cássio Spina

Executivo é presidente e fundador da Anjos do Brasil

Executivo é presidente e fundador da Anjos do Brasil


Anjos do Brasil/Divulgação/JC
Em contraponto a tantas notícias de investimentos volumosos de fundos de investimentos em startups brasileiras, os quase sete mil investidores anjos que atuam no mercado nacional destinaram R$ 856 milhões em 2020, volume 20% inferior ao ano anterior. É uma volta ao patamar de 2016, e uma consequência da pandemia da Covid-19. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo e apoia o empreendedorismo inovador no País. O presidente e fundador da entidade, Cassio Spina, comenta que, para que o Brasil atinja todo seu potencial, é necessária a criação de políticas públicas de fomento ao investimento em startups como ocorre nos países com ecossistemas mais dinâmicos. Hoje, o volume de investimento no Brasil é apenas 0,7% do que é investido em startups nos Estados Unidos, que somam aproximadamente US$ 25,3 bilhões anualmente. "Apesar da perspectiva de recuperação para 2021, infelizmente o volume é insuficiente para apoiar o aumento de startups que estão surgindo. Considerando que o Marco Legal das Startups não trouxe os avanços necessários, é fundamental que o Congresso retome a matéria e possibilite a equiparação de tratamento tributário entre o investimento em startups e investimentos incentivados”, analisa.
Em contraponto a tantas notícias de investimentos volumosos de fundos de investimentos em startups brasileiras, os quase sete mil investidores anjos que atuam no mercado nacional destinaram R$ 856 milhões em 2020, volume 20% inferior ao ano anterior. É uma volta ao patamar de 2016, e uma consequência da pandemia da Covid-19. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo e apoia o empreendedorismo inovador no País. O presidente e fundador da entidade, Cassio Spina, comenta que, para que o Brasil atinja todo seu potencial, é necessária a criação de políticas públicas de fomento ao investimento em startups como ocorre nos países com ecossistemas mais dinâmicos. Hoje, o volume de investimento no Brasil é apenas 0,7% do que é investido em startups nos Estados Unidos, que somam aproximadamente US$ 25,3 bilhões anualmente. "Apesar da perspectiva de recuperação para 2021, infelizmente o volume é insuficiente para apoiar o aumento de startups que estão surgindo. Considerando que o Marco Legal das Startups não trouxe os avanços necessários, é fundamental que o Congresso retome a matéria e possibilite a equiparação de tratamento tributário entre o investimento em startups e investimentos incentivados”, analisa.
Mercado Digital – A que você atribui a queda nos investimentos anjo no Brasil?
Cassio Spina – A maior queda foi com os chamados investidores anjos passivos, que são aqueles que geralmente investem ao serem procurados por algum empreendedor. Eles são mais ligados à economia real, tiveram seus negócios afetados pela pandemia e entenderam ser melhorar segurar os investimentos até a recuperação. Já os investidores proativos buscam ativamente oportunidades para investir, e logo conseguiram se recuperar e retomar. O investimento anjo é feito com capital próprio, que o investidor aloca de acordo com o que ele pode. Já os fundos usam recursos anteriormente captados, por isso não foram tão impactados. Tivemos uma retomada dos investimentos no segundo semestre de 2020, mas precisamos acelerar.
Mercado Digital – Qual o perfil de investimento do anjo no Brasil?
Spina – O investidor anjo aporta em cerca de R$ 20 mil a 40 mil por startup, e costuma apoiar de duas a três por ano. A média do que eles investem é R$ 123 mil. É aquele recurso bem inicial. Geralmente investem em grupos e, uma única startup, juntando recursos de todos, pode chegar a receber a soma de cerca de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Esse mercado cresceu nos últimos anos, mas temos um ritmo de crescimento ano a ano que não é o suficiente para atender o nosso ecossistema de startups. Faltam políticas de estímulo para investir em startup.
Mercado Digital – O que mais trava esses aportes?
Spina – A política de hoje prejudica muito, pois o investimento em startup está sendo tributado como se fosse renda fixa, apesar de ter um risco mais elevado. Existe desequilíbrio na questão tributária, pois não há como compensar, como acontece com a bolsa de valores – isso estava previsto, mas foi vetado pelo governo no Marco Legal das Startups. Esperamos que esse veto seja derrubado, pois da forma como está é um desestímulo para investir. Quando comparamos com países mais desenvolvidos, isso fica mais claro. O volume de investimentos do Brasil em startups está muito longe do que deveria ser. Enquanto Estados Unidos, Europa e China aportam mais de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), aqui não chega a 0,2%. Claro que melhorou, evoluímos nos últimos 10 anos, mas há uma defasagem grande.
Mercado Digital – Como você avalia o Marco Legal das Startups?
Spina – Decepcionante. O Marco Legal das Startups não trouxe os avanços necessários. Os principais pontos que precisavam ser aprovados foram retirados. Os poucos pontos positivos, como o de compensar perdas e ganhos, foram vetados pelo governo. É fundamental que o Congresso retome a matéria e possibilite a equiparação de tratamento tributário entre o investimento em startups e investimentos incentivados. No curto prazo esperamos que derrubem o veto ao Art. 7, que pelo menos permitia a compensação de perdas com ganhos. Batalhamos muito para ter política de estímulo para as startups, para atrair mais capital para essas empresas. Não é para dar benesse ao investidor. Temos estudos que mostram que investir em startup aumenta a arrecadação.
Mercado Digital – Como você enxerga a maturidade dos empreendedores brasileiros?
Spina – O empreendedor evoluiu muito. Está mais preparado, com mais conhecimento e se articulando melhor. O ecossistema tem melhorado e hoje temos universidades, programas de empreendedorismo, incubadoras, aceleradoras, enfim, toda cadeia de investimento. Neste cenário, surgiram vários grupos de investidores anjo e fundos. Estamos tentando correr, mas o trem está acelerando e precisamos avançar rápido, senão vamos perder o jogo.
Comentários CORRIGIR TEXTO