O surgimento das fintechs e a batalha com os bancos tradicionais é um assunto que tem feito cada vez mais parte das conversas dos brasileiros nas redes sociais. Na comparação entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021, é notável a ascensão das startups do setor financeiro nas conversas na internet: PagSeguro cresceu 750% em alcance e o Nubank 63%. Apesar disso, bancos tradicionais, como Itaú, Bradesco e Santander, ainda se mantêm entre as maiores audiências entre as plataformas.
Os dados são da Comscore, que acaba de divulgar uma análise sobre o cenário da digitalização bancária na América Latina em 2020. No relatório, a empresa identificou que as tendências financeiras que ganharam força por causa da pandemia e das restrições à mobilidade parecem estar se consolidando em toda a região. Além disso, os conteúdos financeiros se multiplicaram nas redes sociais e os aplicativos de bancos emergentes e tradicionais também ganharam espaço entre os consumidores.
Nos primeiros meses de 2020, os bancos digitais experimentaram saltos exponenciais no total de visitas, chegando a quase 200% no Brasil, em abril, e perto de 100% na Argentina, em julho. O alcance dos sites bancários chega a 73% no Brasil, no Chile a 66% e na Argentina a 61%.
O interesse por assuntos econômicos na América Latina também se refletiu nas redes sociais: a categoria de finanças apresentou um crescimento de interações de 128% no Instagram, 77% no Twitter e 34% no Facebook na comparação entre março de 2019 e março de 2020.
O mercado conquistado pelos aplicativos de serviços financeiros é outra métrica que mostra o impacto da pandemia no comportamento do usuário. O país em que isso mais se notou foi a Argentina, com inscrições que dobraram o número de visitantes únicos, como Mercado Pago, Santander Río, Galiza ou Nación.
No México, houve um salto geral em quase todos os aplicativos dos diferentes bancos. No Brasil, os apps de maior alcance são o da Caixa e do Nubank, enquanto isso, o do PicPay foi o que mais cresceu em número de visitantes no último ano.
O diretor geral da Comscore, Eduardo Carneiro, comenta que o estudo deixa claro que um ano após o início da pandemia, o alcance das ferramentas de bancos digitais está aumentando em toda a América Latina.
“Os usuários buscam por ferramentas que facilitem o seu dia-a-dia e as instituições devem estar preparadas para essa revolução digital que cresce exponencialmente. Além disso, as questões financeiras se multiplicam nas redes sociais, que se tornam um reforço importante para o fortalecimento de marca e relacionamento com o consumidor. Aqueles que não se adequarem ao digital, perderão espaço no mercado”, projeta.
Em relação a maneira como os usuários se conectam aos bancos, o uso de dispositivos móveis (smartphones e tablets) é a grande tendência. Os números mostram que em termos percentuais o mobile já é a forma mais utilizada para se conectar aos bancos digitais na Argentina, México e Brasil. Apesar disso, os desktops (computadores) ainda são os que concentram mais tempo de uso na medição em média de minutos gastos por visitante.