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Mercado Digital

- Publicada em 00h00min, 04/02/2021. Atualizada em 15h15min, 05/02/2021.

Qualcomm diz que Open RAN é opção para implantação do 5G

Soares defende que leilão do 5G não seja arrecadatório para expansão ser mais rápida no País

Soares defende que leilão do 5G não seja arrecadatório para expansão ser mais rápida no País


QUALCOMM/DIVULGAÇÃO/JC
A Qualcomm, fabricante de componentes para smartphones e redes de telecomunicações, aposta que o 5G RAN poderá acelerar a distribuição e comercialização de ferramentas que atendam às demandas 5G para redes privadas e públicas. É o caso do protocolo Open RAN, que consiste em uma Rede de Acesso por Rádio (RAN) inteligente e integrada por plataformas de uso geral com interface aberta entre funções definidas por software.
A Qualcomm, fabricante de componentes para smartphones e redes de telecomunicações, aposta que o 5G RAN poderá acelerar a distribuição e comercialização de ferramentas que atendam às demandas 5G para redes privadas e públicas. É o caso do protocolo Open RAN, que consiste em uma Rede de Acesso por Rádio (RAN) inteligente e integrada por plataformas de uso geral com interface aberta entre funções definidas por software.
Para o vice-presidente de Relações Governamentais da Qualcomm na América Latina, Francisco Soares, é preciso superar os desafios e buscar uma tecnologia alternativa para a implantação do 5G no Brasil, como é o caso da Open RAN. O executivo tem reforçado como o processo de amadurecimento da ideia será uma saída para o barateamento da rede, tornando-se um benefício para todos.
Mercado Digital – O que é o OpenRAN?
Francisco Soares – O Open RAN é uma nova metodologia de estrutura de rede que consiste em uma Rede de Acesso por Rádio (RAN) inteligente e integrada por plataformas de uso geral, com interface aberta entre funções definidas por software. Seu ecossistema permite maior flexibilidade e interoperabilidade com uma abertura completa para implantações de vários fornecedores. É uma oportunidade para novos provedores de tecnologia, por conta de seus custos reduzidos. A expectativa é que essa tecnologia permita que fornecedores menores apresentem seus próprios serviços e que as operadoras personalizem a rede de forma customizada. Além disso, pode contribuir para que diversos fornecedores implantem sua tecnologia de rede, aumentando a competição e reduzindo custos para o setor.
Mercado Digital – Essa tecnologia pode acelerar a implantação do 5G?
Soares – É relativo, pois o Open RAN não está diretamente associado ao 5G, uma vez que a tecnologia também pode ser usada com o 4G. Mas, será possível acelerar sua implantação por causa da flexibilidade fornecida à estrutura de rede e para implementação de redes existentes, facilitando e aprimorando a rede 5G, com diminuição de preço, e proporcionando maior competição no setor. Além disso, seus custos menores contribuem para que os investimentos sejam aplicados de uma forma mais ampla. A ideia é ter um mercado mais flexível e competitivo.
Mercado Digital – Em que países essa tecnologia já está sendo usada?
Soares – O Japão tem usado a tecnologia Open RAN com o 4G, por meio da empresa Rakuten, para caráter comercial. Além disso, sei que a Alemanha e Inglaterra têm se movimentado também.
Mercado Digital – Como estão as negociações com os players no Brasil?
Soares – No Brasil, existe um grupo de players de provedores de infraestrutura interessados na implementação do Open RAN, do qual a Qualcomm faz parte. Vale ressaltar que ainda temos desafios a serem vencidos, como a padronização das interfaces abertas que precisam ser feitas. A ideia é que o grupo se torne uma associação para atuar em parceria com o governo, visando desenvolver políticas voltadas ao incentivo da tecnologia. O País necessita de uma política para apoio ao Open RAN, por exemplo, para pesquisa e desenvolvimento, incentivo fiscal, direcionamento de fundos e/ou financiamento com juros mais baixos. O Brasil está começando no tema e temos um longo caminho pela frente.
Mercado Digital – Como você enxerga o uso do 5G DSS?
Soares – O 5G DSS é uma tecnologia 5G, pois atende todo seu conceito. Evidentemente, existem várias etapas e formas de implementação da rede. Este é um 5G implementado dentro das faixas existentes. As facilidades e benefícios do 5G já fazem parte do 5G DSS, como o aumento da capacidade. Vale reforçar que, para alcançar um 5G pleno, será preciso ter novas faixas de frequência.
Mercado Digital – Quando você acredita que poderemos usufruir de uma rede 5G plena no Brasil e quais os desafios para isso?
Soares – O primeiro desafio é fazer a licitação. Já o segundo está relacionado à implementação das redes, o que requer um investimento por parte das operadoras. A capacidade de investimento será proporcional ao que será preciso gastar para a compra do espectro. Por isso, o leilão das faixas de espectro para o 5G possui um papel fundamental, tanto para seu uso quanto para os investimentos da operadora vencedora. Se o leilão não for arrecadatório, haverá mais recursos para investir no 5G, possibilitando uma implementação mais ampla. Se o leilão seguir de maneira arrecadatória, o processo poderá ocorrer de forma mais lenta. Acredito que se o leilão sair no primeiro semestre, até o final de 2021 começaremos a usufruir dos benefícios do 5G em algumas áreas do País.
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