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- Publicada em 18h11min, 20/08/2020. Atualizada em 17h43min, 24/08/2020.

As empresas precisam ser mais curiosas e humildes, sugere Henry Chesbrough

Henry Chesbrough, da UC Berkeley, é o criador do termo open innovation

Henry Chesbrough, da UC Berkeley, é o criador do termo open innovation


Arquivo Pessoal/Divulgação/JC/
As corporações tradicionais, definitivamente, não podem mais se dar ao luxo de confiar inteiramente em suas próprias pesquisas e times internos para avançar. Em um mundo de conhecimento amplamente distribuído, em que as fronteiras entre uma empresa e seu ambiente se tornaram mais permeáveis, é preciso abrir os horizontes. E uma das formas de fazer isso é aproximando grandes players das startups. “As empresas precisam ser curiosas sobre novas ideias, novos mercados e novos modelos de negócios. E humildes sobre o que não sabem”, sugere Henry Chesbrough, o criador do termo ‘inovação aberta’, proposto no livro Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology, de 2003. Ele é o diretor do Garwood Center for Corporate Innovation em Berkeley Haa, nos Estados Unidos. Foi professor adjunto na Harvard Business School e atuou como gerente de produto e vice-presidente de marketing da Quantum Corporation, fabricante de dispositivos e sistemas de armazenamento de dados.
As corporações tradicionais, definitivamente, não podem mais se dar ao luxo de confiar inteiramente em suas próprias pesquisas e times internos para avançar. Em um mundo de conhecimento amplamente distribuído, em que as fronteiras entre uma empresa e seu ambiente se tornaram mais permeáveis, é preciso abrir os horizontes. E uma das formas de fazer isso é aproximando grandes players das startups. “As empresas precisam ser curiosas sobre novas ideias, novos mercados e novos modelos de negócios. E humildes sobre o que não sabem”, sugere Henry Chesbrough, o criador do termo ‘inovação aberta’, proposto no livro Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology, de 2003. Ele é o diretor do Garwood Center for Corporate Innovation em Berkeley Haa, nos Estados Unidos. Foi professor adjunto na Harvard Business School e atuou como gerente de produto e vice-presidente de marketing da Quantum Corporation, fabricante de dispositivos e sistemas de armazenamento de dados.
Mercado Digital – O que define um modelo bem sucedido de inovação aberta?
Henry Chesbrough – Um programa de inovação aberta de sucesso tem que ter dois elementos: um lado de fora para dentro e um lado de dentro para fora. O lado de fora para dentro busca ideias e conhecimentos externos para alavancar e estender seu próprio conhecimento interno. Isso pode reduzir custos, aumentar a diferenciação, acelerar o tempo de colocação no mercado e compartilhar riscos e investimentos. O lado de dentro para fora pega as ideias e ativos não utilizados e subutilizados de sua organização e os compartilha com outras pessoas. Isso pode identificar novas oportunidades de mercado, novos modelos de negócios e novas maneiras de alavancar ativos fixos subutilizados. A inovação aberta pode contribuir muito.
Mercado Digital – Que mudanças na mentalidade das empresas tradicionais devem ser feitas para que possam avançar neste modelo?
Chesbrough – Quando eu escrevi sobre inovação aberta pela primeira vez, há 17 anos, essa foi a área que eu mais subestimei. A inovação aberta requer uma mentalidade diferente, uma mentalidade de crescimento. As empresas precisam ser curiosas sobre novas ideias, novos mercados e modelos de negócios. Devem ser humildes sobre o que não sabem e estar dispostas a mudar algumas de suas práticas internas para ir atrás dessas novas oportunidades.
Mercado Digital – Quais os maiores desafios da inovação aberta na perspectiva das empresas tradicionais e das startups?
Chesbrough – A mentalidade diferente é um grande desafio. Um segundo desafio é convencer a pequena empresa de que a grande empresa não irá simplesmente roubar a sua ideia. Mas, o maior desafio para as grandes empresas que querem trabalhar com as pequenas empresas e startups é que elas estão acostumadas a tomar grandes decisões, que envolvem muito dinheiro, e têm processos de tomada de decisão muito completos para isso. Trabalhar com pequenas empresas e startups requer pequenas decisões, envolvendo pequenas quantias de dinheiro inicialmente, e os processos de decisão precisam ser rápidos. Muitas grandes empresas não podem ou não querem ajustar seus processos de decisão para conseguir isso.
Mercado Digital – Como o senhor percebe a evolução da inovação aberta no Brasil?
Chesbrough – Grande parte da economia brasileira ainda é baseada em recursos naturais. A inovação aberta pode funcionar nestas áreas, mas, realmente se destaca mais em uma economia baseada no conhecimento. A agricultura digital é um ótimo lugar no Brasil para a inovação aberta, porque alavanca a forte base agrícola do Brasil e a aprimora com informações digitais, dados sobre clima, safras, condições de solo, irrigação, fertilização, plantio e colheita. Ter projetos de demonstração bem-sucedidos, que comprovam o valor da inovação aberta no Brasil, é fundamental para o avanço da inovação no País.
Mercado Digital – O que geralmente faz um modelo de inovação aberta falhar?
Chesbrough – Podem existir vários pontos de falha. Um deles é a falta de confiança entre as partes que optaram por trabalhar juntas. Um segundo ponto de falha é a falta de uma mentalidade de inovação aberta, como falamos anteriormente, que resulta em atrito interno. Esse atrito retarda a tomada de decisões e atrasa a ação e o aprendizado, o que pode frustrar os parceiros. Um terceiro ponto de falha é a propriedade intelectual. Se ela for muito forte, não há incentivo para que outros colaborem, já, se for a propriedade intelectual for muito fraca, haverá muito pouco incentivo para investir e dimensionar a inovação.
Mercado Digital – Como você enxerga o nível de maturidade dos programas de inovação aberta desenvolvidos pelas empresas hoje?
Chesbrough – Muitas empresas nunca experimentaram a inovação aberta. Outras estão cientes disso, e talvez curiosas. Algumas estão experimentando em uma parte de seus negócios e outras em vários negócios. E os melhores tornaram esses programas parte de como trabalham todos os seus negócios. Tenho observado essa progressão em uma série de indústrias, de produtos de consumo a produtos químicos, à agricultura e ao desenvolvimento de sistemas avançados.
Mercado Digital – Passados 17 anos, e com esse tema mais em alta do que nunca, você diria que a aplicação que vemos hoje deste conceito está de acordo com sua ideia inicial?
Chesbrough – A inovação aberta é definida como um processo de inovação distribuída, envolvendo fluxos de conhecimento intencionais através das fronteiras organizacionais, por razões monetárias e não monetárias, de acordo com o modelo de negócios de cada organização. A definição original, começando com um fluxo de conhecimento intencional, ultrapassa as fronteiras organizacionais e foi atualizada desde então para incluir razões não monetárias para essas colaborações, bem como razões monetárias. Hoje estamos vendo inovação aberta em muitas organizações ao mesmo tempo, por meio de plataformas e ecossistemas. Isso está levando a inovação aberta a uma escala maior do que foi originalmente concebida para fazer.
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