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Mercado Digital

- Publicada em 22 de Julho de 2020 às 18:21

A diversidade torna as empresas mais resilientes, diz Caroline Cintra, da ThoughtWorks

Caroline Cintra é a co diretora-presidente da multinacional de software no Brasil

Caroline Cintra é a co diretora-presidente da multinacional de software no Brasil


NÍCOLAS CHIDEM/JC
Patricia Knebel
É preciso se mover rápido, envolver o time – dos líderes aos desenvolvedores – nas decisões e criar soluções de tecnologia que melhorem a vida das pessoas. A pandemia da Covid-19 está trazendo muitos desafios para os negócios, mas também está mostrando que um cenário de crise é o momento, sim, de discutir a diversidade e a inclusão no ambiente de trabalho. “Ter uma força de trabalho formada por pessoas diversas, que vem de diferentes backgrounds e com capacidade de pensar os problemas a partir de muitos pontos de vista, é poderoso para os negócios”, relata a co diretora-presidente da ThoughtWorks Brasil, Caroline Cintra, que tem ao seu lado Marta Saft. Personagem do projeto Mentes Transformadoras desta semana, ela atua há mais de 20 anos com consultoria em tecnologia e, entre Brasil e EUA, passou por companhias como Oracle, DBServer e HP.
É preciso se mover rápido, envolver o time – dos líderes aos desenvolvedores – nas decisões e criar soluções de tecnologia que melhorem a vida das pessoas. A pandemia da Covid-19 está trazendo muitos desafios para os negócios, mas também está mostrando que um cenário de crise é o momento, sim, de discutir a diversidade e a inclusão no ambiente de trabalho. “Ter uma força de trabalho formada por pessoas diversas, que vem de diferentes backgrounds e com capacidade de pensar os problemas a partir de muitos pontos de vista, é poderoso para os negócios”, relata a co diretora-presidente da ThoughtWorks Brasil, Caroline Cintra, que tem ao seu lado Marta Saft. Personagem do projeto Mentes Transformadoras desta semana, ela atua há mais de 20 anos com consultoria em tecnologia e, entre Brasil e EUA, passou por companhias como Oracle, DBServer e HP.
Mercado Digital – De que forma a diversidade pode influenciar a criatividade e a inovação nas empresas, especialmente quando se trata de enfrentar uma crise sem precedentes como essa que vivemos?
Caroline Cintra – Uma das coisas que vimos muito como resposta para a crise é entender como as empresas podem ser mais resilientes. E surgiram coisas interessantes como a contraposição que existe hoje em dia entre a super eficiência e a flexibilidade. Começamos a nos tornar cada vez mais eficientes, as cadeias de suprimentos muito otimizadas e o mais barata possível e queremos usar o mínimo de investimento para aumentar o lucro. Mas, quando tem uma mudança brusca como essa, não tem resiliência e as empresas começam a quebrar porque não tinha ali espaço de flexibilidade. E uma questão que surgiu nesse espaço de resiliência é a diversidade. Precisamos criar uma cultura diversa, uma capacidade de pensar os problemas a partir de muitos backgrounds diferentes. Se sou apenas eu pensando para tomar uma decisão, ela será resultado do meu ponto de vista e do meu entorno, mas se tivermos mais pessoas para pensar nos produtos e nos negócios, isso se torna algo muito poderoso. Essa reflexão é muito constante na ThoughtWorks. Estamos sempre buscando a diversidade e a inclusão, fomos aprendendo e refinando algumas ações. Um ponto de vista é pensar: afinal, o que é Brasil? A cara do Brasil é uma mulher negra - 51% da população é forma por mulheres e mais de 55% das pessoas são negras. A gente precisa olhar o nosso País, enxergar o potencial das pessoas e o quanto perdemos com a exclusão massiva que o sistema faz. Quantas pessoas capazes a gente tira do caminho, seja tirando dos espaços de decisão ou até mesmo com os assassinatos? A falta de inclusão é um crime com o potencial do nosso País.
Mercado Digital – Como se constrói uma empresa mais inclusiva?
Caroline – É preciso ser intencional nas ações. Uma questão que adotamos é a linguagem neutra de gênero. Parece algo pequeno, já que ao invés de falar os clientes ou os consumidores usamos as clientes e as consumidoras, mas ao optar pelas palavras no feminino, começamos a tentar criar um balanço, uma ideia maior de inclusão. Quando deixamos de usar “estamos contratando desenvolvedores” e trocamos por “desenvolvedoras e desenvolvedores”, o número de mulheres que aplicaram para as nossas vagas cresceu muito. Claro que todas sabiam que as vagas eram para qualquer gênero, mas quando a gente mostra intenção de buscar mulheres, isso chama mais. E mais recentemente trocamos para estamos contratando “pessoas desenvolvedoras”. Queremos seguir nesse caminho e olhar para todos os aspectos da diversidade. Quando a empresa chegou ao Brasil, 7% do time era formado por mulheres, e hoje somos 47%. Uma das nossas metas é aumentar o percentual de mulheres em projetos técnicos, que hoje gira em torno de 40%. Esse é um tema dinâmico e a revisão constante de estratégia ligada à diversidade e inclusão é muito importante.
Mercado Digital – O que toda essa aceleração digital que estamos vivendo pode nos ensinar sobre a importância de a tecnologia ser capaz de impactar a vida das pessoas e os negócios?
Caroline – A resposta rápida à mudança virou tema central na crise, da mesma forma que o alinhamento disso com a entrega de valor. O que estamos criando para o mundo deve fazer todo sentido tanto do ponto de vista financeiro como para a vida. Já se falava muito em transformação digital, essa palavra se tornou buzz, mas com a crise gerada pela pandemia da Covid-19 entramos neste isolamento social abrupto e tivemos que repensar toda nossa vida. O foco das empresas passou a ser ainda mais como medir resultado e como sabermos se isso satisfaz o que as pessoas precisam. Uma realidade destas nos leva a repensar a estratégia dos negócios, a como ser mais ágil e fazer com que o que a gente desenvolve esteja alinhado com o que as clientes precisam.
Mercado Digital – A ThoughtWorks é uma espécie de porta voz global das metodologias ágeis. Você acredita que essa filosofia pode ajudar as empresas se moverem mais rapidamente?
Caroline – Sim, penso que esse é um dos aprendizados que devemos ter dessa pandemia. Quando iniciou o isolamento, tivemos que decidir algumas questões táticas, como a melhor forma de trabalhar remotamente. Mas, também tivemos que repensar modelos de gestão e de governança, afinal, precisamos de uma resposta rápida e as orientações têm que ser nítidas. Estamos todos muito mais próximos. As lideranças de alto nível das companhias estão tendo que conversar diariamente com o time de centralização da crise, ver o que é prioridade, ler cenário, orientar as pessoas. Também temos que empurrar as decisões para a ponta, ou seja, equipar o time para as pessoas tomarem decisões. É a nossa forma de agir, mas vejo que muitas outras companhias estão indo nessa direção neste momento de pandemia. É um aprendizado que temos que levar da crise, e não voltar para aquele modelo de comando controle, de ter uma parte da empresa pensando a estratégia e, quando chega em quem executa, está tudo decidido e não há espaço para autonomia.
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