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03/06/2020 - 18h55min. Alterada em 04/06 às 09h16min

É preciso aprender a gerir os negócios na imprevisibilidade, diz CEO da StartSe

Englert defende modelo de liderança ágil e descentralizado

Englert defende modelo de liderança ágil e descentralizado


Victor Affaro/Divulgação/JC
O cenário da pandemia de Covid-19 pegou todo mundo no contragolpe. Das empresas mais tradicionais, mais lentas, mas com caixa e acostumadas a lidar com cenários adversos, aos novos players que surfavam com desenvoltura pela economia digital. “A vida de empreendedor tem sido uma montanha russa sempre. Vamos da alegria a tristeza, do desespero a felicidade e da euforia a depressão rapidamente”, comenta o cofundador e CEO da StartSe, Pedro Englert. A empresa, acostumada a ajudar organizações tradicionais a se reinventarem, também precisou reavaliar o seu modelo. Os eventos e cursos que reuniam de 1 mil a 4 mil pessoas, e as imersões em ambientes de inovação com Vale do Silício, China e Israel, já não eram mais possíveis neste cenário. “A primeira semana foi dura e suei frio. Foi muito desconfortável ver todo esse cenário macro da doença e essa possibilidade de revolução nas cidades, que agora está ainda mais viva. Sem falar que a nossa receita foi no chão na segunda semana de março”, relembra. Passado o turbilhão inicial, tudo parece estar entrando nos trilhos. “Já estamos no positivo. Digitalizamos os nossos produtos e criamos o ReStartSe, uma capacitação em negócios gratuita que tem 100 mil inscritos”, celebra Englert, que participou essa semana da LIVE do projeto Mentes Transformadoras, do Jornal do Comércio.
O cenário da pandemia de Covid-19 pegou todo mundo no contragolpe. Das empresas mais tradicionais, mais lentas, mas com caixa e acostumadas a lidar com cenários adversos, aos novos players que surfavam com desenvoltura pela economia digital. “A vida de empreendedor tem sido uma montanha russa sempre. Vamos da alegria a tristeza, do desespero a felicidade e da euforia a depressão rapidamente”, comenta o cofundador e CEO da StartSe, Pedro Englert. A empresa, acostumada a ajudar organizações tradicionais a se reinventarem, também precisou reavaliar o seu modelo. Os eventos e cursos que reuniam de 1 mil a 4 mil pessoas, e as imersões em ambientes de inovação com Vale do Silício, China e Israel, já não eram mais possíveis neste cenário. “A primeira semana foi dura e suei frio. Foi muito desconfortável ver todo esse cenário macro da doença e essa possibilidade de revolução nas cidades, que agora está ainda mais viva. Sem falar que a nossa receita foi no chão na segunda semana de março”, relembra. Passado o turbilhão inicial, tudo parece estar entrando nos trilhos. “Já estamos no positivo. Digitalizamos os nossos produtos e criamos o ReStartSe, uma capacitação em negócios gratuita que tem 100 mil inscritos”, celebra Englert, que participou essa semana da LIVE do projeto Mentes Transformadoras, do Jornal do Comércio.
Mercado Digital – Esse cenário que estamos vivendo pode acabar se transformando em uma oportunidade para as organizações tradicionais, que estavam mais acomodadas, se reinventarem?
Pedro Englert – Sim. Tem três grandes coisas que as empresas podem fazer para se defender agora. A primeira é proteger os seus recursos, como caixa, time e estrutura. O segundo é se conectar, ficar próximo dos clientes. E o terceiro é repensar o negócio. E este último aspecto é interessante porque, quando não posso fazer mais nada a não ser me reinventar, tenho liberdade de fazer qualquer coisa, pois não perco nada. Então, quem está no mercado tradicional, ainda tem possibilidade de se reinventar, sim, porque esse novo mercado ainda não está pronto. Alguns segmentos já disruptaram, como as lojas de CDs ou o tele táxi, mas outros não. Essa pandemia da Covid-19 é algo trágico do ponto de saúde, e isso se estende para a economia. Mas, de alguma maneira, trouxe o alerta para empresas que mudar não é opção, é uma necessidade. O que iria acontecer antes era que elas iriam morrer lentamente, porque seu modelo ou canal de distribuição se tornariam obsoletos, e aí viria alguma força nova rompendo. Agora, ou você se prepara ou terá um grande problema. É uma nova realidade. Pode ser que mercado volte ao que era, ou não.
MD – Como deve ser a gestão em um cenário de tanta imprevisibilidade?
Englert – O mundo sempre mudou, mas nunca tão rápido. A diferença agora é a velocidade. Já não trabalhamos com previsibilidade há algum tempo. Quem está dizendo que sabe o que vai acontecer nos próximos seis meses, está chutando. Prever traz uma sensação de segurança, mas a verdade é que temos que trabalhar com a imprevisibilidade, e criar um modelo de gestão para esse cenário. O desafio é olhar novas formas de gestão, tecnologias e modelos de negócios, e tomar mais risco. Para sermos competitivos hoje, temos que ter um time com multi skills e com liberdade para agir no que eles sabem fazer. Ser gestor hoje em dia é muito mais complexo. Temos menos tempo, menos certezas do que vai acontecer, e por isso é fundamental descentralizar poder.
MD – Como essa descentralização de poder influencia os resultados?
Englert – As pessoas precisam se sentir donas do negócio. No caso da StartSe, onde temos vários sócios, quando a situação da pandemia complicou, reunimos esse time e o que eu vi é que esses caras, que estão dedicando os melhores anos das suas vidas para a empresa, não iam deixar ela quebrar. Eles vão lutar a guerra deles, não a tua. E quando você vai para guerra e tem 30 caras na mesma trincheira contigo, isso é forte, e a gente sente que pode passar pelo que vier. Liderança no modelo de comando e controle, com hierarquias e lentidão na tomada de decisões, já era. Nosso mérito nesse momento foi ter um modelo de gestão com alinhamento e o time focado. Por que se controla tanto hoje em dia os funcionários? Porque tem muito desalinhamento. O funcionário pensa: vou trazer um cliente, mas se isso acontecer vou ter que trabalhar mais e não vou ganhar mais. Meu esforço será para o benefício do meu chefe. Não podemos ter um modelo de gestão desenhado no século passado em um cenário como esse.
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