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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 29/04/2020. Alterada em 29/04 às 14h15min

Soluções contra Covid-19 precisam ser inclusivas para terem efetividade

Galho diz que objetivo deve ser garantir a melhor experiência para usuários

Galho diz que objetivo deve ser garantir a melhor experiência para usuários


4all/Divulgação/JC
Patricia Knebel
Bots, apps e sites nunca foram tão importantes para fazer as informações e serviços chegarem até a população como em tempos de isolamento em função de pandemia da Covid-19. Governos, ecossistemas de inovação e empresas têm trabalhado com afinco para criar e disponibilizar soluções que vão desde o cadastro para o acesso ao auxílio emergencial até ferramentas de monitoramento de aglomerações, teleconsultas e triagem de sintomas sem sair de casa.
Bots, apps e sites nunca foram tão importantes para fazer as informações e serviços chegarem até a população como em tempos de isolamento em função de pandemia da Covid-19. Governos, ecossistemas de inovação e empresas têm trabalhado com afinco para criar e disponibilizar soluções que vão desde o cadastro para o acesso ao auxílio emergencial até ferramentas de monitoramento de aglomerações, teleconsultas e triagem de sintomas sem sair de casa.
Mas, e o que fazer com a parcela da população que não tem acesso a estas tecnologias e nem preparo para lidar com o mundo digital? "A transformação digital está sendo feito às pressas e, se não for bem pensada, vai se tornar excludente e não inclusiva. Ela tem que empoderar e facilitar o acesso aos serviços, senão vai apenas aumentar a desigualdade", alerta o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), membro do Instituto de Especialistas do Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE) e do Painel de Alto Nível da ONU sobre Cooperação Digital, Edson Prestes.
Para ele, pessoas de idade avançada e com baixa escolaridade não têm a facilidade que a maioria de nós tem para lidar com os meios digitais. Neste sentido, a usabilidade é tão importante e passa, necessariamente, por compreendermos que as pessoas são diferentes em vários aspectos, como socialmente, culturalmente e nos seus valores. Já a tecnologia deve poder ser usada de maneira única por todos.
Um indivíduo que mora em uma área ribeirinha do interior do Brasil precisa conseguir interagir, por exemplo, com o sistema bancário ou com o e-commerce. "Alguns cidadãos não têm acesso ao canal digital para pagar as compras e vão cada vez mais sofrer consequências pois a assistência pessoal nas agências bancárias, que já vinha diminuindo, vai reduzir ainda mais", analisa.
A questão do acesso passa também pelos custos. "Não temos sinal de telefonia em todos os cantos do Brasil e o valor da internet, mesmo que seja algo como R$ 50,00, não é viável para as populações carentes", diz. Sem, falar na educação. "Precisamos capacitar as pessoas para o ambiente digital", acrescenta Prestes.
Ele comenta ainda o fato de que muitas startups não estão mostrando a preocupação necessária para essa questão da facilidade de acesso "Quantas vezes entramos em um sistema e não sabemos por onde começar? Não tem usabilidade mesmo para quem está acostumado", critica.
A verdade é que o desenvolvimento da tecnologia tem que ser pensado sob diferentes aspectos. Baixar um aplicativo parece algo bastante simples para você? Ok, para uma parcela da população é mesmo. Mas existem milhares de indivíduos que não têm smartphone ou não tem espaço de armazenamento para vários apps e facilidade para acessar uma loja para download, como da Apple e Android.
"App é coisa do passado", afirma o cofundador e sócio da 4all, Ricardo Galho. Para ele, o caminho cada vez mais é a criação de um canal digital que as pessoas possam acessar independentemente de onde estiverem. "Eu vejo como grande tendência a oferta de soluções via bot. É uma alternativa menos excludente", acrescenta.
Em se tratando do mundo digital, conseguir entender toda jornada do usuário e olhar para a experiência é fundamental. "A tecnologia antes era desenvolvida para o usuário das empresas, mas hoje em dia é focada para o consumidor final, para o cidadão" destaca. Isso significa que precisa ser simples e, assim, possibilitar que o indivíduo possa se auto atender, sem precisar se deslocar para resolver situações como atualizar algum dado de cadastro com o governo ou conseguir uma cópia de um documento.
Quando se tratam de soluções desenvolvidas pelo poder público, o gestor defende a ideia de uma aproximação com as empresas. "Porque o governo tem que desenvolver internamente e não pode envolver a comunidade de startups, gerando redução de custos, gerando empregos, fazendo a economia girar e podendo oferecer uma solução digital mais focada na experiência das pessoas?", questiona Galho.
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