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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

07/10/2019 - 17h48min.
Alterada em 10/10 às 14h37min
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"Temos que criar negócios que resolvam problemas sociais", diz Fuga

Gustavo Fuga é economista pela FEA-USP e fundador da 4YOU2 Idiomas

Gustavo Fuga é economista pela FEA-USP e fundador da 4YOU2 Idiomas


4YOU2 IDIOMAS/DIVULGAÇÃO/JC
Como resolver um problema social empreendendo? Para Gustavo Fuga, economista pela FEA-USP, a resposta para essa pergunta foi a criação da 4YOU2 Idiomas, startup de empreendedorismo social da qual hoje é presidente. Mais de dez mil alunos já passaram pela escola criada para ensinar pessoas com menos recursos financeiros a aprender inglês e, dessa forma, se inserir no mercado de trabalho. “Se usarmos os negócios para resolver os problemas do mundo, vamos resolvê-los mais rapidamente”, afirma. Fuga estará em Porto Alegre no dia 19 de outubro para uma sessão comentada do filme Steve Jobs, no Cine Farol Santander, que traz uma programação de atividades na Mostra Inovação e Empreendedorismo. Serão onze filmes, três sessões comentadas e duas oficinas, projeto que conta com a curadoria de Gabriela Ferreira, doutora em Administração e consultora em inovação e empreendedorismo.
Como resolver um problema social empreendendo? Para Gustavo Fuga, economista pela FEA-USP, a resposta para essa pergunta foi a criação da 4YOU2 Idiomas, startup de empreendedorismo social da qual hoje é presidente. Mais de dez mil alunos já passaram pela escola criada para ensinar pessoas com menos recursos financeiros a aprender inglês e, dessa forma, se inserir no mercado de trabalho. “Se usarmos os negócios para resolver os problemas do mundo, vamos resolvê-los mais rapidamente”, afirma. Fuga estará em Porto Alegre no dia 19 de outubro para uma sessão comentada do filme Steve Jobs, no Cine Farol Santander, que traz uma programação de atividades na Mostra Inovação e Empreendedorismo. Serão onze filmes, três sessões comentadas e duas oficinas, projeto que conta com a curadoria de Gabriela Ferreira, doutora em Administração e consultora em inovação e empreendedorismo.
Jornal do Comércio – Como você vê o cenário para o empreendedorismo social hoje no Brasil?
Gustavo Fuga – O empreendedorismo de impacto social é uma área nova de conhecimento no mundo e, no Brasil, mais ainda. Em 2006, Muhammad Yunus (economista e banqueiro) recebeu o Nobel da Paz. Ele criou um banco de microcrédito em Bangladesh com o qual pretende ajudar a acabar com a pobreza emprestando dinheiro em pequenas quantidades para ajudar a mudar a vida das mulheres. Mais do que um case mundial, ele estava falando: é possível criar negócios que possam resolver problemas sociais.
JC – Muitas pessoas ainda confundem empreendedorismo social com o trabalho realizado pelas ONGs. Como essas duas realidades se cruzam?
Fuga – O caminho é buscar o melhor dos dois mundos, ou seja, a missão social de uma ONG e a profissionalização, foco em resultados das empresas e sustentabilidade financeira de uma empresa. Se usarmos os negócios para resolver os problemas do mundo, vamos resolvê-los mais rapidamente. 
JC – Como a sua história pessoal influenciou as suas escolhas profissionais?
Fuga – Nasci no subúrbio no Rio de Janeiro, estudei muito, passei na Universidade de São Paulo (USP) em Economia e acabei me mudando para lá. Aos poucos, comecei a ter contato com algumas experiências de empreendedorismo social, vi que tínhamos poucos cases no Brasil e decidir criar um negócio para resolver um problema em educação. Busquei recursos, as melhores cabeças, criei uma startup para crescer, mas também para resolver um problema social latente, que é o fato de que menos de 5% da população brasileira fala inglês. Só perdemos para a China em escolas em inglês – são 6 mil escolas aqui. Geralmente quem tem contato com as escolas de idiomas são pessoas com mais recursos, e que aprendem essa língua e, consequentemente, passam a ter mais chances de trabalho. Com isso, esse deixa de ser um problema social apenas e se torna também econômico também. E aí esse passa a ser o cenário perfeito para um negócio social atuar.
JC – Como a 4YOU2 pretende resolver esse problema?
Fuga – A nossa ideia foi a de criar uma escola de baixíssimo custo, com alta qualidade e na qual pudéssemos dar aulas para mais os pobres. Como resolvemos essa equação? Inovando, fazendo diferente das outras escolas. A primeira ideia foi trazer estrangeiros para dar aulas. Eles vêm aqui pela experiência, e não pelo dinheiro, e ficam um ano morando no Brasil. Conseguimos pagar pouco e, assim, cobrar pouco dos alunos, o equivalente a R$ 79,00 por mês com o material incluso. As aulas são presenciais. A primeira escola foi lançada em 2012, começamos a expandir rápido e já somamos dez operações, em São Paulo, Minas Gerais e Paraíba, sempre para público da classe C, D e E. A 4YOU2 é um negócio que não depende de doação. Somos 80 pessoas, todos remunerados e uma metodologia com uma pegada forte de tecnologia.
JC – Qual o tamanho do desafio de fazer um negócio de impacto social escalar?
Fuga – Mais de 10 mil alunos já passaram pelas aulas trouxemos cerca de 500 professores para morar aqui em sete anos. Agora, estamos justamente nesse processo de nos tornarmos uma scale-up, ou seja, escalar o nosso negócio. Já recebemos dois aportes e estamos em processo de abertura de mais escolas. O ano de 2020 será o nosso momento de escalar. Os investidores estão cada vez mais interessados nos projetos de empreendedorismo social, e ainda são poucos cases maduros. Temos conversado com muitos fundos que estão surgindo e olhando para negócios com essa lógica de fazer a tecnologia resolver um problema social.
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Patrícia Knebel
Patrícia Knebel
Ecossistemas de inovação, tendências globais para os negócios, marketing digital, as tecnologias que são os pilares da transformação digital (como mobilidade, Internet das Coisas e Big Data) e todas as novidades que impactam o comportamento dos consumidores e o futuro das empresas e das cidades estão na coluna Mercado Digital. Estou feliz por você estar aqui.